Vai este texto à estampa na semana em que termina o Mundial de Futebol que, como se esperava, não foi isento de polémicas nem de casos raros, daqueles que só existem na América dos cowboys.

Aliás, Infantino, o presidente da FIFA, depressa se colocou na dependência de Trump, quando este lhe ordenou que retirasse o castigo de um jogo aplicado a um futebolista americano, que foi expulso num jogo por dupla infracção grave, o que ele mandou fazer sem hesitações. E, já agora, o que comentar sobre as suas entusiásticas reacções, quando assiste aos jogos da Argentina, mostrando uma preferência que muito mal consegue disfarçar?

Também os dois intervalos no jogo para “o copo de água”, não recolheu unanimidade, sendo comparado aos do basquete que também têm quatro partes, em vez de duas como o futebol. Quebrou-se o ritmo dos jogos e muitas equipas não gostaram.

Também, em nome do ritmo do espectáculo, se marcaram cinco segundos para os lançamentos laterais, para a execução dos cantos e para a reposição em jogo da bola pelos guarda-redes o que, com raras excepções, quase nunca se cumpriu.

Com o mesmo fim, foram dadas instruções aos árbitros para “deixarem jogar”, porque lá estariam os colegas do VAR, para lhes soprarem nos ouvidos e para corrigir as suas decisões. Assim não há arbitragens más….

Para que não me acusem de não referir nada de positivo, foram bonitas todas as apresentações das equipas com o desfile de todos os jogadores, efetivos e suplentes, naquele ambiente criado com as bandeiras gigantes dos países e a impecável instalação sonora em todos os estádios.

Como gosto de futebol bem jogado e isento de maldade, para com os companheiros de profissão, sobretudo quando os artistas entendem que se trata apenas um jogo e não mais do que isso, fiquei com uma imagem que vi no Portugal – Espanha, considerando ela engloba toda esta ideia.

O nosso Nuno Mendes lesionou-se e sentando-se no relvado, levou à interrupção do jogo. Aproximou-se a equipa médica para observar o jogador lesionado e, como sempre acontece, também vinha nas malas água fresca. João Félix retirou uma e o plano televisivo mostrou-o a dessedentar-se. A seu lado estava o jovem jogador da equipa espanhola Lamine Yamal, a olhar para ele, com de quem também beberia, se tivesse. Foi então que Félix acabando de beber, ofereceu a garrafa ao seu adversário, que logo se encarregou de a usar, até ao fim.

O resultado do jogo foi aquele que todos sabemos, mas aquela imagem ficou como a mais bonita do jogo.

E como seriam as coisas se, na vida de todos os dias, também nós déssemos da nossa garrafa a quem nos observasse da mesma maneira que o Yamal?

Haveria estreitos de Ormuz? Bombas em Kiev ou no Líbano? Drones pela calada da noite?

Sei que estou a pedir o impossível, que o ser humano não veio ao mundo para partilhar, mas sim para lutar, para se impor, para ter conceito na sociedade, para ser egoísta e ter êxito.

Valha-nos o poder de pensar, que é a coisa mais livre que nos dá o sermos vivos.

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