Pedro Filipe Oliveira inicia um novo mandato à frente da Sociedade Recreativa Operária de Santarém com o objectivo de consolidar a oferta cultural, reforçar parcerias e afirmar a colectividade como espaço de encontro, criação artística e cidadania activa no concelho.

 

A Sociedade Recreativa Operária é uma instituição centenária, com uma forte carga simbólica e histórica na cidade. Que leitura faz do momento actual da SRO quando assume a presidência da direcção para o biénio 2026–2028?

Nos últimos anos a actividade da SRO pautou-se pela qualidade das suas iniciativas, no que diz respeito à cultura, à inclusão, ao diálogo entre povos e pensamentos, à fraternidade. Cabe à nova direcção da SRO dar continuidade a este caminho absolutamente necessário nos tempos que correm. Também queremos dar continuidade à preservação do legado histórico desta instituição, que para isso tem contribuído muito o trabalho que o investigador Luís Carvalho tem feito nos últimos anos. Em 2026, iremos renovar o nosso site, que incluirá o nosso arquivo histórico.

 

O lema escolhido — “SRO Santarém – Cultura (d)e Cidadania” — sugere uma ligação clara entre prática cultural e intervenção cívica. De que forma pretende traduzir este princípio em programação concreta e acção associativa no dia-a-dia da colectividade?

A SRO irá manter os eventos que consideramos fundamentais nessa prática, como o dia pela Paz, o dia internacional da Mulher ou o 1.º de Maio, entre outros. Outro bom exemplo é o trabalho desenvolvido pela SE.TE – secção de teatro da SRO, um lugar de encontro, de criatividade, de debate e espírito crítico, onde o trabalho dramatúrgico se desenvolve no diálogo entre a obra dramática e o quotidiano.

Diariamente mantemos a nossa escola de música (ARS música) com aulas regulares, que incluí aulas de danças sociais e danças tradicionais e do mundo, numa lógica de inclusão, de convívio e de combate ao isolamento.

 

A nova direcção reconhece a estabilização financeira e organizacional alcançada nos mandatos anteriores. Que desafios persistem e que mudanças considera essenciais para consolidar esse trabalho num novo ciclo?

Uma das principais novidades deste novo mandato será a elaboração de um plano de comunicação, que nos permitirá ter uma ligação mais próxima com o público, apelando à sua participação activa nas nossas actividades e iniciativas.

Outro grande objectivo deste mandato será a criação de uma estrutura de produção cultural mais profissionalizada. É um objectivo ambicioso, que demora tempo, mas que tem sido trabalhado e pensado nos últimos anos.

 

A SRO tem sido, ao longo das décadas, um espaço de encontro, debate e criação artística. Que papel pode — e deve — desempenhar hoje numa cidade como Santarém, marcada por novos públicos, novas linguagens culturais e também por fenómenos de isolamento social?

O combate ao isolamento social é para nós mais do que uma prioridade, é uma missão. A SRO é uma porta aberta para nos encontramos, para dançar, fazer teatro, música, para jantar, para conversar, para estarmos juntos, para sermos livres. No SE.TE, por exemplo, encontram-se pessoas de todas as gerações, desde crianças a idosos. Nos ensaios, contam-se histórias de vida, falamos, escutamos e é daí que parte o nosso trabalho. É no encontro através da arte que nos libertamos e na SRO isso tem sido uma realidade.

 

As parcerias surgem como um eixo estratégico central para este mandato. Que tipo de colaborações pretende reforçar ou iniciar e que critérios orientam essas escolhas?

Neste mandato iniciaremos contactos no sentido de fazer co-produções com outras associações culturais locais e nacionais. Umas das nossas maiores parcerias é com a associação Mentalidade X, que queremos reforçar e alargar no âmbito da produção cultural, fazendo parcerias com associações culturais de outros países da União Europeia. Pretendemos também ter um papel mais activo e interveniente em eventos como o FITIJ, ou as comemorações do 25 de Abril. Em suma, além das nossas próprias iniciativas, queremos também colaborar e ajudar, naquilo que estiver ao nosso alcance, na vida cultural da cidade.

 

A nova direcção integra pessoas de diferentes áreas e percursos. Que importância atribui ao trabalho colectivo na condução da SRO e como se organiza, na prática, essa dinâmica interna?

Cada elemento da direcção tem competências e experiências de vida muito diferentes entre si, o que é excelente porque complementamo-nos muito bem. As iniciativas são sempre propostas, discutidas e votadas democraticamente em reunião. A SRO é um exemplo perfeito de como o valor de um complementa o valor do outro, tornando um colectivo forte e dinâmico, onde ninguém fica para trás.

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