João Cotrim, director do Serviço Farmacêutico do Hospital Distrital de Santarém (HDS), integra os quadros do Hospital desde Novembro de 1989, tendo assumido a direção em Junho de 1991. Em entrevista, o responsável conta que muitos foram os desafios que foram surgindo ao longo dos anos, a par do surgimento de patologias como o HIV, a Hepatite, ou, mais recentemente, a Covid-19.

Para o futuro, os principais projectos são o reforço da equipa de Técnicos e Farmacêuticos, bem como a modernização de todos os equipamentos existentes.

Recuando à época em que assumiu a direção do Serviço Farmacêutico, quais eram os maiores desafios que recorda? E com o passar dos anos, quais foram surgindo?

Ao longo dos anos, o trajecto do Serviço Farmacêutico foi de desenvolvimento e de transformação, como forma de responder às solicitações a que o HDS foi sendo submetido.

De realçar que, neste período, surgiu a SIDA e a Hepatite, mas também, com uma tremenda dimensão, as doenças oncológicas. Mais tarde apareceram as chamadas doenças autoimunes e, mais recentemente, a Covid-19.

A tudo o HDS teve e tem de responder e bem, assim como o Serviço Farmacêutico, que tem a função e a responsabilidade de fornecer os medicamentos necessários aos nossos doentes, e que por tudo isso teve que se adaptar, e modernizar, de modo a responder a todas as solicitações.

Toda esta evolução originou uma transformação no HDS com a criação de diversos “hospitais de dia” e a transformação do serviço prestado, com o aumento exponencial do número de doentes tratados em regime ambulatório.

Mais recentemente ainda foi criada a Unidade de Hospitalização Domiciliária, da qual o HDS foi dos precursores.

A tudo e a todos o Serviço Farmacêutico, no estrito cumprimento da Lei e das “Boas Práticas Farmacêuticas”, dá resposta e fornece os necessários medicamentos e tratamentos.

Que projectos destaca desde que assumiu a direção do Serviço?

Desde o início que a movimentação de tantos recursos fez sentir a necessidade de organizar e estruturar o Serviço Farmacêutico para bem gerir esses recursos.

Simultaneamente, e com o cumprimento das “boas práticas exigidas ao Serviço Farmacêutico, implementámos o fornecimento de medicamentos em dose diária individual (a vulgarmente designada “dose unitária”).

Entretanto, e logo que o desenvolvimento tecnológico o permitiu, informatizá- mos o Serviço Farmacêutico e logo que a oportunidade surgiu informatizámos e desmaterializámos o “circuito do medicamento”: da prescrição, e sua validação, ao fornecimento ao doente e posterior administração, passando pela encomenda e receção dos medicamentos, tudo está informatizado.

Quais as mais-valias da informatização?

Esta transformação, para além de toda a informação que transporta permitiu aumentar sobremaneira o rigor na “gestão do medicamento”, tornando possível em cada momento conhecer as quantidades (e valores) em stock, bem como determinar o momento em que é necessário encomendar cada medicamento de modo a que tenhamos a quantidade necessária e adequada para cada tratamento.

Paralelamente, permite conhecer com exatidão e prontidão os consumos ocorridos, serviço a serviço, doente a doente.

Posteriormente, e com a criação do Hospital de Dia de Oncologia e construção da Unidade de Preparaçã o de Citotóxicos, implementou-se a preparaçã o centralizada dos tratamentos oncológicos, realizada pelo staff Técnico e Farmacêutico do Serviço Farmacêutico.

Como está organizado o Serviço?

O Serviço Farmacêutico do HDS é constituído por todo um “corpo” de Farmacêuticos, de Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica, de Assistentes Técnicos e de Assistentes Operacionais, que cada um per si e no seu conjunto permitem ao Serviço Farmacêutico desempenhar cabalmente as suas funções em prol do doente.

Quais os principais projectos para o futuro?

Os principais projectos para o futuro são a modernização de todos os dispositivos existentes: de armazenagem, reembalamento e disponibilização de medicamentos, para que com o reequipamento técnico-material atrás referido, e a necessária adequação em meios humanos, possamos dar resposta cabal aos desafios que nos irão ser colocados no futuro.

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