A União de Santarém entra na nova época da Liga 3 com uma meta imediata claramente assumida: terminar entre os quatro primeiros na fase inicial da competição e voltar a discutir, na etapa decisiva, a aproximação às ligas profissionais. Pedro Patrício não esconde que o grande objetivo é fazer melhor do que na época anterior, mas enquadra essa ambição num percurso que o clube quer fazer sem comprometer o rigor financeiro, a estabilidade da estrutura e o crescimento sustentado iniciado em 2017, com a criação da SAD.

A União de Santarém inicia mais uma época na Liga 3. Qual é o objetivo concreto definido pela direção para esta temporada?

O objetivo está claramente definido: queremos fazer melhor do que fizemos na época passada. Numa primeira fase, a meta passa por terminar entre os quatro primeiros classificados. Para nós, é indiferente ficar em primeiro, segundo, terceiro ou quarto lugar, porque o essencial é garantir o acesso à fase seguinte. Naturalmente, quanto mais cedo conseguirmos assegurar essa classificação, melhor será para a equipa e para o clube.

Foi esse o caminho que seguimos na época anterior e é esse o primeiro objetivo que voltamos a assumir. Depois de garantirmos a presença na fase final, tudo pode acontecer. Sabemos como arrancámos na época passada e também sabemos aquilo que aconteceu depois, quando entrámos na fase decisiva da competição. Este ano queremos voltar a chegar lá, mas com a ambição de realizar uma fase final melhor.

Se, durante esse percurso, ficarmos próximos do grande objetivo que entendemos que Santarém e a região do Ribatejo merecem – chegar às ligas profissionais, tanto melhor. Mas o compromisso imediato é muito claro: procurar fazer um pouco melhor e consolidar o crescimento.

Tem afirmado que a União de Santarém pretende chegar à Liga 2 nos próximos três anos. Esta época já deve representar um passo efetivo nesse caminho?

Esta caminhada começou em 2017, com a criação da SAD, e exigiu um esforço muito grande para levar o clube da segunda divisão distrital até à Liga 3. Depois dessa primeira etapa, entrámos numa nova fase, que passa pela estabilização da equipa neste patamar competitivo. A Liga 3 é a principal competição da Federação Portuguesa de Futebol, a par da Taça de Portugal, e representa já um nível muito exigente.

Aquilo que tenho defendido é que uma capital de distrito como Santarém e uma região com a dimensão e o potencial do Ribatejo têm de ter, pelo menos, uma equipa nas ligas profissionais. A União de Santarém está disponível para assumir esse papel e para ser um projeto capaz de representar toda a região. Isso pode ser construído de várias formas e com o envolvimento de diferentes clubes, instituições e parceiros.

Ter uma equipa nas ligas profissionais não beneficia apenas o clube. É também positivo para a hotelaria, para a restauração, para a indústria e para toda a atividade económica associada. Quando uma equipa cresce e ganha projeção, toda a região pode retirar vantagens desse percurso.

Pela localização geográfica de Santarém, pela centralidade do Ribatejo e pela capacidade que existe nesta região, acredito que podemos aspirar, no futuro, a estar entre clubes de referência do futebol português, naturalmente sem colocar nessa comparação os três ou quatro grandes. É esse o caminho que estamos a construir. Sabemos que não se faz sozinho, nem de um dia para o outro. É um percurso longo, mas considero que temos vindo a fazer uma trajetória muito positiva.

A equipa inicia a época com um novo treinador, Gonçalo Carvalho, e com uma estrutura desportiva renovada. O que motivou esta mudança e o que procuraram iniciar com este novo ciclo?

Ao longo das últimas épocas, temos vindo a profissionalizar progressivamente o clube. Esse processo começou na formação, que hoje dispõe de uma estrutura muito mais organizada e profissional do que tinha há alguns anos, e quisemos agora aprofundar o mesmo caminho no futebol sénior.

Foi nesse contexto que escolhemos um diretor desportivo capaz de acrescentar esse grau de profissionalismo em todas as áreas. Mas esta evolução não depende apenas de uma pessoa. Temos um staff de apoio à equipa sénior bastante competente. Toda a estrutura tem contribuído para isso, desde o departamento médico à organização diária da equipa, e o trabalho realizado neste início de época tem sido muito positivo. É um fator que acrescenta qualidade e consistência ao projeto.

A escolha de Gonçalo Carvalho enquadra-se precisamente nesta forma de estar. Não foi escolhido por ser do Ribatejo ou de Santarém, e esse fator nunca teve qualquer peso na decisão. Foi escolhido pela competência que lhe reconhecemos, pelo percurso que tem vindo a construir e pela convicção que temos no seu potencial enquanto treinador. A partir daqui, será, naturalmente, avaliado pelos resultados, como acontece com qualquer treinador, independentemente da modalidade ou do clube que representa.

Seria certamente mais confortável optar por um treinador já estabelecido na Liga 2 ou na Liga 3. Mas acredito que o crescimento acontece quando se tem coragem para sair da zona de conforto. “Um navio está mais seguro no porto, mas não foi para isso que os navios foram construídos.” Foi com esse espírito que tomámos a decisão de contratar Gonçalo Carvalho.

Que balanço faz da constituição do plantel? Está fechado ou ainda existem posições que a direção considera necessário reforçar?

O plantel ainda não está fechado. A época passada foi muito positiva e esse sucesso teve consequências naturais. Como temos um dos orçamentos mais baixos da Liga 3, os nossos jogadores tornam-se muito apetecíveis para clubes com maior capacidade financeira, porque demonstram qualidade e têm custos competitivos. Foi isso que aconteceu: houve uma saída muito significativa de jogadores e tivemos de reconstruir praticamente toda a equipa.

Este ano temos feito um trabalho exigente de gestão e de engenharia financeira para tentar contratar jogadores com qualidade e, sempre que possível, com uma capacidade ainda superior, sem ultrapassar aquilo que o clube pode assumir. Queremos ser competitivos, mas queremos também terminar a época como temos terminado as anteriores: sem dever rigorosamente um euro a ninguém e com todos os compromissos cumpridos.

Neste momento, o plantel continua em construção. Mantivemos apenas um núcleo muito reduzido da época passada e os restantes jogadores foram contratados para este novo ciclo. Temos ainda processos negociais em curso e, por isso, deverão surgir novidades nos próximos dias, como tem acontecido ao longo de todas as ultimas 5 semanas.

É possível manter a disciplina financeira do clube e, ao mesmo tempo, aumentar o investimento necessário para lutar pela subida?

É possível, desde que exista rigor na gestão. Como em qualquer empresa, diariamente é necessário gerir orçamentos, equilibrando proveitos e custos. A regra de base é simples: os custos não podem ser superiores às receitas disponíveis. Depois, ao longo de uma época, surgem naturalmente muitas variáveis que obrigam a reajustar esse planeamento.

Na temporada passada, por exemplo, o acesso à fase final trouxe encargos adicionais significativos. Tivemos mais deslocações, algumas delas para locais mais distantes, e foi necessário assegurar estadias e toda a logística associada. São custos que aumentam muito rapidamente e que têm de ser previstos e absorvidos sem colocar em causa o equilíbrio financeiro do clube.

Mesmo com um orçamento mais reduzido, é possível ser competitivo e até alcançar a subida. A probabilidade pode ser menor, mas o futebol demonstra que o investimento, por si só, não determina o resultado. O Amarante apresentou um orçamento próximo do nosso e conseguiu subir, tornando-se campeão. Em sentido contrário, houve clubes com uma capacidade financeira muito superior que não alcançaram esse objetivo.

A diferença está, muitas vezes, na forma como se trabalha. Costumo dizer que os outros clubes pescam à rede: lançam a rede, conseguem reunir três ou quatro opções e depois escolhem. Nós pescamos à linha. Identificamos um jogador, trabalhamos esse processo durante mais tempo e procuramos convencê-lo a integrar o nosso projeto. Foi assim, por exemplo, com Rafael Camacho. É um trabalho mais demorado e exigente, mas permite-nos encontrar soluções ajustadas à nossa realidade sem comprometer a estabilidade do clube.

O clube lançou recentemente os lugares anuais. Que adesão espera obter e que importância poderá esta iniciativa ter no aumento das receitas e, sobretudo, na aproximação dos adeptos à equipa?

A importância desta iniciativa não está tanto na receita que possa gerar, mas sobretudo na aproximação dos adeptos ao clube e na sua fidelização. Queremos que quem acompanha a União de Santarém sinta que tem o seu lugar, que faz parte desta casa e que está connosco de forma regular ao longo da época.

Já no passado tínhamos conseguido vender algumas dezenas de lugares anuais e a experiência foi positiva. Este ano, a adesão também tem corrido bastante bem desde o lançamento da campanha, o que demonstra que existe um grupo crescente de adeptos que não falha os jogos no Chã das Padeiras, de quinze em quinze dias, e que valoriza a possibilidade de ter uma cadeira reservada.

As novas cadeiras também ajudam a reforçar esse sentimento de pertença. É justo deixar um agradecimento à Câmara Municipal de Santarém e à Viver Santarém pelo investimento realizado. Os nossos adeptos merecem melhores condições e merecem, igualmente, poder ocupar uma cadeira que reconheçam como sua, com o seu nome, em cada jogo disputado em casa.

Esta é também uma forma de aproximar o clube da cidade e de fazer com que os escalabitanos sintam a União de Santarém como sua?

Não apenas os escalabitanos, mas também os ribatejanos. A massa humana que acompanha os jogos no Chã das Padeiras tem vindo a mudar e isso é muito importante para nós. Temos cada vez mais adeptos jovens e também uma presença crescente de mulheres nas bancadas.

É uma evolução muito positiva, porque demonstra que o clube está a conseguir alargar a sua base de apoio e chegar a públicos diferentes. Essa diversidade também se enquadra na preocupação que temos com a sustentabilidade do projeto e com a igualdade de género.

Ver homens e mulheres, pessoas mais novas e famílias, a acompanhar regularmente a equipa é motivo de grande orgulho. Queremos que a União de Santarém seja cada vez mais um clube aberto, representativo da cidade e da região, e que todos sintam que têm aqui o seu lugar.

A presença feminina não se verifica apenas nas bancadas. O futebol feminino tem sido uma das apostas dos seus mandatos. Como está a evoluir esse projeto?

O futebol feminino é uma aposta muito importante, não apenas minha, mas de toda a direção da União de Santarém e também da Administração da SAD. É um projeto assumido coletivamente e no qual acreditamos muito.

Começámos há dois anos com uma primeira equipa de sub-15 e, nesta época, vamos conseguir ter duas equipas, existindo ainda a possibilidade de avançarmos para uma terceira. Tem-se criado uma dinâmica muito interessante na cidade em torno do futebol feminino e temos registado uma procura muito significativa.

A principal limitação continua a ser a falta de campos para treinar. Se tivéssemos mais espaços disponíveis, teríamos certamente condições para criar mais equipas, tanto no futebol feminino como no futebol masculino de formação. A vontade existe, a procura também, mas o crescimento do projeto depende diretamente das infraestruturas que estiverem ao nosso dispor.

Tem afirmado que o Chã das Padeiras não reúne ainda as condições ideais para receber jogos da Liga 2. Caso a subida acontecesse a curto prazo, onde jogaria a União de Santarém?

Continuaríamos a jogar no Chã das Padeiras. Na época passada, quando estivemos nessa perspetiva, recebemos uma vistoria aprofundada da Liga Portugal e foi possível perceber que, com determinadas adaptações e algumas obras, o recinto pode reunir as condições necessárias para receber jogos da Liga 2.

Não estamos a falar de intervenções impossíveis de concretizar. Há exigências específicas que teriam de ser cumpridas, naturalmente, mas são alterações que podem ser feitas. Por isso, o cenário mais provável, caso a subida aconteça, é continuarmos a jogar aqui.

Este é o campo onde gostamos de estar, onde existe uma ligação muito forte entre a equipa, os sócios e os adeptos, e onde queremos continuar a construir a nossa história. Oxalá venhamos a ter esse problema para resolver, porque significará que alcançámos o objetivo de chegar à Liga 2. Para já, o foco é trabalhar para ganhar cada jogo na Liga 3.

Que compromissos existem atualmente com a Câmara Municipal de Santarém, a Viver Santarém e as restantes entidades públicas relativamente ao Chã das Padeiras, à nova Academia de Futebol e às condições necessárias para o clube continuar a crescer?

Chegar às ligas profissionais só é possível com dois grandes apoios: o do município e o de parceiros comerciais. Nesse sentido, temos contado com uma boa colaboração das entidades locais, nomeadamente da Câmara Municipal de Santarém, da Viver Santarém e também da Junta de Freguesia, que nos têm apoiado de diferentes formas.

Uma das mais importantes prende-se com o Chã das Padeiras, não apenas através das obras que têm sido realizadas, mas também do trabalho diário de manutenção do relvado. Há três ou quatro pessoas que asseguram esse acompanhamento regular e isso tem permitido que tenhamos, ao longo da época, uma das melhores relvas da Liga 3. É um esforço que importa reconhecer. E temos os relvados naturais no CNEMA e na Escola Agrária com boas condições.

Relativamente à Academia de Futebol, conheço o projeto nas suas linhas essenciais. Existe o compromisso de, em dezembro, transferirmos toda a formação para esse novo espaço, que contará com um campo de futebol de 11 e outro de futebol de 9. Essa mudança permitirá avançar, depois, com a intervenção no Complexo Desportivo da Ribeira de Santarém, cujas obras deverão começar entre dezembro e janeiro.

A Academia será extremamente importante para a cidade e para o desenvolvimento do futebol local, não apenas para a União de Santarém, mas também para outros clubes. Neste momento jogamos no Chã das Padeiras, é a nossa casa. É aqui que gostamos de jogar, é aqui que existe um ambiente especial e é aqui que esperamos ser felizes ao longo desta época.

O projeto VivaMundo, embora não seja exclusivamente desportivo, poderá também ter importância para a União de Santarém, nomeadamente pela projeção que poderá trazer à cidade e à região. Que impacto antecipa?

Sem dúvida. Aliás, já tive parceiros empresariais que decidiram aproximar-se da União de Santarém tendo também em consideração a expectativa criada pelo projeto VivaMundo. Isso demonstra que um investimento desta dimensão começa a produzir efeitos muito antes de abrir portas.

Considero que estamos perante um projeto verdadeiramente transformador para Santarém, para o Ribatejo e até para Portugal. Não apenas pelo desporto, mas sobretudo pelo impacto económico, turístico e empresarial que poderá gerar. Gosto muito de uma frase do Presidente da Câmara, João Teixeira Leite, quando afirmou que “durante muitos anos falou-se do potencial de Santarém; talvez tenha chegado o momento de falarmos da sua concretização.” Penso que traduz bem a ambição que a cidade deve ter.

Existem exemplos internacionais que demonstram este efeito multiplicador. Cidades como Orlando ou o Dubai utilizaram grandes projetos de entretenimento para atrair investimento, turismo e criar riqueza. O VivaMundo poderá ter esse papel em Santarém, criando novas oportunidades para a hotelaria, restauração, comércio, serviços e para todo o tecido empresarial da região.

Naturalmente, uma cidade mais dinâmica beneficia também a União de Santarém. É mais fácil atrair patrocinadores, receber equipas, organizar eventos e crescer quando o território também cresce. Estamos a falar de um horizonte de alguns anos, pelo que este é o momento de preparar Santarém para aproveitar essa oportunidade. Tenho dito isto com total independência, porque não tenho qualquer ligação partidária: enquanto continuar a existir uma estratégia de desenvolvimento que coloque a cidade a crescer, contará sempre com o meu apoio.

O clube tem mais de 350 atletas na formação, mas continua a existir um fosso significativo entre as competições distritais e a equipa sénior. O que é necessário fazer para que mais jogadores formados na União de Santarém cheguem à equipa principal?

O primeiro passo é muito claro: temos de colocar os juniores nos campeonatos nacionais. Falhámos este objetivo nas épocas anteriores. A distância competitiva entre esse patamar e uma equipa sénior que disputa a Liga 3 continua a ser enorme. Temos que encurtar rapidamente esta distância.

Para um jogador júnior, essa transição é muito difícil. Estamos a falar de realidades completamente diferentes em termos de intensidade, exigência física, qualidade dos adversários e ritmo competitivo. Apesar disso, temos conseguido encontrar algumas surpresas e, esta época, haverá mais do que um jogador júnior a trabalhar com a equipa sénior. Até poderão surgir juvenis de 2.º ano a treinar na equipa sénior. Tudo depende da qualidade de cada um.

Mas, para que isso deixe de ser uma exceção e passe a acontecer com maior regularidade, é fundamental elevar o nível competitivo da formação. Precisamos de ter equipas nos campeonatos nacionais, porque isso permite preparar melhor os jogadores, atrair também outro perfil de atletas e reduzir o fosso existente entre os escalões jovens e o futebol sénior.

Na época passada, os iniciados estiveram muito perto de conseguir essa subida, ficando a apenas dois pontos do objetivo. Este ano, uma das grandes prioridades da formação é precisamente levar a equipa de juniores aos nacionais. É para isso que estamos a trabalhar. Uma palavra de profundo agradecimento aos pais dos atletas e a todo o staff da formação que têm feito um trabalho notável a vários níveis. Exemplo disso foi a brilhante participação da formação no torneio internacional na Suécia.

No final da época, que indicadores permitirão à direção concluir que o projeto desportivo evoluiu, mesmo que a subida à Liga 2 ainda não aconteça?

Existem vários indicadores que nos permitem avaliar a evolução do projeto. O primeiro é, naturalmente, o desempenho desportivo. Se conseguirmos somar mais pontos, alcançar mais vitórias e melhorar a classificação relativamente à época passada, isso significará que crescemos dentro de campo.

Mas hoje o crescimento de um clube não se mede apenas pelos resultados desportivos. Existem vários indicadores que demonstram a dimensão de um projeto. As assistências no Estádio Chã das Padeiras são importantes, mas também o são as audiências televisivas, a presença digital e a capacidade de gerar interesse junto das empresas. Segundo os dados que nos foram transmitidos pela Federação Portuguesa de Futebol, os jogos da União de Santarém no Canal 11 registaram, na época passada, uma audiência média superior a 350 mil espetadores. A isso juntam-se os mais de 25 mil seguidores nas redes sociais, mais de 7 milhões de visualizações dos nossos conteúdos nos últimos meses, cerca de 240 mil contas alcançadas e mais de 135 mil interações, números que colocam a União de Santarém num patamar de notoriedade muito acima daquele que normalmente se associa a um clube da Liga 3. É precisamente esta visibilidade que tem levado cada vez mais empresas a aproximarem-se do clube, porque percebem que a UDS é hoje uma plataforma de comunicação, relacionamento e negócio, muito para além do futebol.

O mesmo acontece com a comunicação e com as redes sociais. O departamento de comunicação tem realizado um trabalho excecional, tanto internamente como na forma como o clube se apresenta ao exterior. Atingimos os 20 mil seguidores no Facebook, o que representa uma marca importante para a União de Santarém e ajuda-nos a perceber que existe cada vez mais gente a acompanhar o nosso percurso.

Todos esses indicadores contam e ajudam-nos a avaliar a consolidação do projeto. Ainda assim, aquilo que queremos verdadeiramente é ganhar jogos e chegar à tão desejada Liga 2. Se puder acontecer já esta época, tanto melhor. Se não acontecer, também não será um drama nem cairá o Carmo e a Trindade. Continuaremos a trabalhar para lá chegar.

Olhando para o seu percurso na direção da União de Santarém, que clube encontrou e que clube é hoje a União?

Tenho procurado ser mais uma pessoa a contribuir para a evolução da União de Santarém. Este é um clube com 57 anos de história, mas aquilo a que costumo chamar a versão da UDS 2.0 começou em 2017, com a criação da SAD e com o início de um percurso que alterou profundamente a dimensão e a ambição do projeto.

Hoje sou presidente do clube e presidente da SAD e, quando aceitei estas responsabilidades, não imaginava que o meu envolvimento viesse a ser tão grande. Trabalhar para a União de Santarém é um privilégio, sempre com uma enorme paixão e com a consciência de que este caminho exige presença, persistência e compromisso.

A evolução da União de Santarém também só foi possível porque conseguimos atrair para o clube pessoas de enorme qualidade, não apenas de Santarém, mas também de outras regiões do país. Esse capital humano tem sido absolutamente determinante para profissionalizar a organização, melhorar processos, introduzir novas competências e elevar o nível de exigência do projeto. É esse caminho que queremos continuar a seguir: rodearmo-nos de pessoas capazes, competentes e que acrescentem verdadeiro valor à instituição.

Diria mesmo que, após alcançarmos a estabilidade desportiva na Liga 3, estamos preparados para entrar numa nova fase da nossa história. Gosto de lhe chamar UDS 3.0: uma etapa de maior ambição, mais profissionalização, maior capacidade de gerar valor para os sócios, adeptos, parceiros e para toda a região. Até de uma maior exigência para nós próprios. Em breve terei oportunidade de explicar, com mais detalhe, a visão que temos para esta nova etapa da União Desportiva de Santarém.

O caminho faz-se caminhando e veremos até onde conseguiremos chegar. Mas, apesar de tudo aquilo que se constrói fora das quatro linhas, o futebol continua a decidir-se dentro do campo. Quando a bola não entra ao fim de semana, ficamos todos chateados e tristes. No fundo, aquilo que queremos mesmo é que a bola entre.

 

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