Tal como anunciado e tão esperado – pois o Campo Pequeno esgotou a sua lotação cinco dias antes do espectáculo! – Pablo Hermoso de Mendoza disse adeus a aficion lisboeta, pondo, assim, termo, a uma trajectória notável na catedral do toureio em Portugal.

Tentaremos fazer durante o “defeso” uma referência especial a relação deste memorável rejoneador navarro com os aficionados portugueses, a qual e credora dos nossos maiores encómios, pela qualidade técnica e artística que este Toureiro sempre alardeou, pela excelência das suas montadas e pela verguenza torera de que sempre foi uma viva expressão.

Enquanto essa oportunidade não chega queremos referir alguns aspectos da noite da passada sexta-feira, dia 6 de Setembro, data que ficara registada nos anais do tauródromo lisboeta como uma das mais relevantes, mau grado o pouco uso da Praça de Toiros do Campo Pequeno na apresentação de eventos para o que foi construída há mais de cento e trinta anos.

Na verdade, o Campo Pequeno ficara na história da carreira deste extraordinário toureiro como um espaço sagrado onde exibiu de forma eloquente e emotiva todos os atributos que se lhe reconhecem, sendo que as noites menos felizes numa perspectiva artística foram muito escassas.

Mas, o publico da capital nunca esquecera as noites em que Pablo Hermozo elevou o toureio equestre a sua máxima expressão, impondo a sua arte, a sua técnica, o seu valor e a sua seriedade. E nunca deixando a porta da Praça a sua paixão pelo toureio marialva e pela aficion nacional.

Na passada sexta-feira foi reconhecido, primeiro pelo publico com a histórica lotação esgotada com tanta antecedência, e depois na própria arena pela APSL – Associação Portuguesa dos Criadores de Cavalo Puro-Sangue Lusitano com uma homenagem em plena celebração, com uma breve actuação do Carrossel liderado pelo equitador Miguel da Fonseca – que em seguida fez uma guarda de honra ao rejoneador navarro na sua entrada na arena.

Pablo Hermoso foi homenageado com a entrega de uma lembrança pela Direcção da APSL, em reconhecimento pelo seu papel de verdadeiro Embaixador do Cavalo Lusitano em todo o mundo, e pelos empresários Luis Miguel Pombeiro – que lhe ofereceu um quadro pintado pelo artista plástico e antigo forcado Diogo Amaro – e Jorge Dias e Samuel Silva, que lhe entregaram um cartaz da corrida emoldurado.

Significativa homenagem, que Pablo também nunca esquecera, foi o reconhecimento dos seus pares, alguns dos mais jovens e já categorizados cavaleiros portugueses, que no final da corrida o passearam em ombros em ambiente de plena apoteose. Parabéns, Pablo pelo contributo que deu a Tauromaquia mundial e pela forma sublime como soube valorizar o toureio equestre, emprestando-lhe tantos dos seus aspectos técnicos e artísticos num quadro de evolução estética que sempre acompanhou os tempos desde os saudosos Mestres João Branco Núncio e António Canero.

Nesta noite magnifica actuaram igualmente os cavaleiros lusos António Ribeiro Telles, que esteve em plano de muita dignidade, cumpridor frente ao seu primeiro oponente e deslumbrante na lide do segundo do seu lote, e Luis Rouxinol que, no computo geral das duas actuações foi o toureiro mais regular, exibindo-se ao seu melhor nível, que, como bem sabemos, e muito elevado. Pablo, apesar de toda a justa expectativa desta sua derradeira actuação no Campo Pequeno esteve pouco feliz com o lote que lhe coube lidar, no entanto teve detalhes magistrais que tarde serão esquecidos pela aficion lisboeta.

Os toiros de António Charrua estavam irrepreensivelmente apresentados e tiveram mobilidade, não criando muitas dificuldades a cavaleiros nem aos Forcados Amadores de Lisboa, que nesta noite de comemoração do seu 80.o aniversario pegaram em solitário, tendo estado num plano de muita qualidade.

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