Alfredo Mendes: “Acredito que o suporte em papel irá sobreviver, até porque é mais ecológico que os computadores”

Alfredo Mendes é o proprietário da Tipotejo – Artes Gráficas, Lda, uma empresa que assinalou há um par de anos, 50 anos de vida. Foi então nessa altura que o proprietário, a convite de dois amigos, resolveu escrever um livro sobre a história da empresa e sobre os seus 70 anos de vida. O empresário revela que a parte literária foi dificil, “certamente mal escrita, mas verdadeira”.

Como surgiu a ideia de lançar este livro e como está estruturado?
Tal como conto na introdução, nasceu de uma sugestão de uma colaboradora do jornal “O Ribatejo” e reforçada pelo seu director, Joaquim Duarte. Descreve, cronologicamente, parte da história, desde o meu nascimento, em 1946, até ao início do ano de 2017, na altura ainda com setenta anos e também de 1967 a 2017, narrar os factos mais marcantes dos 50 anos de existência da Tipotejo.

O que salta à vista é a forma como foi impresso. O que o levou a fazer o livro desta forma?
Como diz a Dr.ª Teresa Pires Marques no prefácio e que eu concordo, o livro deveria descrever não só a história da Tipotejo, mas também a minha história de vida e assim foi, certamente mal escrita, mas verdadeira. Conto os acontecimentos mais relevantes da minha vida e da minha empresa.
O facto de ser dono de uma tipografia facilitou o trabalho de edição?
Facilitou na parte gráfica, porque trabalho na arte desde os 13 anos, agora na parte da escrita foi muito difícil e certamente não consegui atingir o mínimo de qualidade literária, para publicar um livro. Por isso foi feito para ser distribuído a familiares e amigos, antigos e actuais colaboradores.

A Tipotejo mudou de instalações em 2000, é uma dessas aventuras que conta neste livro?
Sim, conto, mas não diria aventura e nem sequer sonho, mas uma ambição controlada, que teve algum risco e foi concretizada com êxito, recorrendo ao crédito bancário.

O que distingue a Tipotejo das outras tipografias?
Tenho dificuldade em responder a essa questão, mas ainda assim diria que o “segredo” de mais de 50 anos de existência, tem sido servir bem o cliente e vendendo um produto de qualidade com preço compatível, ser rigoroso na qualidade e prazo de entrega e muitas vezes dizer não. O resto é muita transpiração (porque ter sorte na vida dá muito trabalho) e alguma inspiração.

Cada vez mais se fala no fim do papel, com a disseminação crescente dos formatos digitais. Acredita que se pode alterar esta tendência?
Sim acredito que o suporte em papel irá sobreviver, até porque é mais ecológico que os computadores.

Está a pensar editar mais algum livro?
Até ao desafio que me lançaram, no início do ano de 2017, tinha sido coisa que nunca me tinha passado pela cabeça, agora e como se costuma dizer, o que custa mais é a primeira vez!

Viagem de sonho?
Não sendo pessoa muito viajada, já visitei parte da Europa, alguns países da América do Sul, Ásia, África e também os Estados Unidos. Dou-me por satisfeito!

Música imprescindível?
Gosto de todo o género, mas Fado, Jazz e Blues estão na primeira linha.

Quais os seus hobbies preferidos?
Estar com a família e amigos, fazer desporto (nos últimos 20 anos pratico BTT) e não sendo um hobbie, gosto de trabalhar, especialmente fora das horas de expediente.

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria?
A guerra colonial. Estive lá 22 meses.

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferiria?
Acção.

O que mais aprecia nas pessoas? 
A sinceridade.

O que mais detesta nelas?
A mentira.

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