Esta é sempre a expectativa dos que por uma ou outra razão se deram menos bem com o ano que se está a despedir, augurando, assim, que o futuro possa ser mais risonho e que contemple as melhores expectativas de quem formula tal desejo.
Também na área da etnografia e do folclore é legítimo que possamos formular idênticos votos, na perspectiva de que o novo ano possa proporcionar um melhor reconhecimento público para os agentes culturais que se dedicam a tão aliciante temática, e que, em regra, acabam por ser esquecidos, ou até injustiçados, por parte de quem tem o dever e a obrigação de zelar por tão vasto e rico património cultural.
Não ignoramos que entre o movimento associativo que se dedica à divulgação da etnografia e do folclore das diversas regiões do nosso país, muitos são os grupos e ranchos que detêm um manifesto défice de representatividade, ou porque os seus responsáveis não têm suficiente preparação para desenvolver um trabalho mais profundo, e por isso com maior qualidade, ou porque, muitas vezes, nem tão pouco têm consciência do que é o folclore e do que se espera que seja a missão de um rancho de folclore.
Obviamente, há aqui um trabalho muito vasto a realizar, o qual só terá efeitos positivos se esses mesmos responsáveis quiserem aprender o que não sabem, pois, muitos há que sabem que estão mal, mas não querem fazer nada para melhorar. Como nos ensina o nosso povo, o pior cego é o que não quer ver…
As entidades que concedem alguns apoios, logísticos ou financeiros, aos grupos e ranchos de folclore deveriam agir criteriosamente de acordo com a especificidade deste segmento da nossa cultura, pois, a maior parte das vezes atribuem subsídios idênticos a agentes com projectos e acções bem diferenciados, o que apenas serve para estimular os erros de quem age menos conscienciosamente, retirando verbas aos que, pelo mérito do seu labor, mereciam ser discriminados positivamente.
Estas entidades potencialmente financiadoras, mais do que apoiar financeiramente quem não tem noção do que se espera da sua acção cultural, deveriam investir na formação técnica, de tal modo que os responsáveis pelos grupos com preocupantes défices de representatividade etnográfica e folclórica pudessem aprender o essencial para desempenharem uma acção correcta e bem orientada tecnicamente. Aliás, na linha daquele célebre ditado chinês – se encontrares alguém à beira de um rio com fome, não lhe dês peixe, mas ensina-o a pescar…
Após este investimento cultural – que tem de ser considerado como um apoio – a entidade financiadora já tem condições morais e políticas para poder exigir um trabalho mais perfeito, garantindo, assim, que o objectivo cultural deste agente esteja devidamente salvaguardado. É que não estamos a tratar de uma coisa de somenos importância, mas, sim, da nossa matriz identitária, da alma do nosso povo.
Os grupos e ranchos de folclore conscientes do seu qualificado labor não pedem nem esperam esmolas, antes, devem exigir parcerias, nas quais o poder, central ou autárquico, possa apoiar com suportes financeiros e logísticos e os próprios agentes culturais intervêm com os conteúdos, com o seu conhecimento técnico e, naturalmente, com o esforço do seu trabalho.
A ver vamos se este Ano Novo que agora começa traz coisas novas para o movimento associativo folclórico nacional. Oxalá que sim. Boas Festas e Feliz Ano Novo!
