A Assembleia Municipal de Torres Novas manifestou oposição unânime à instalação da unidade de produção de biometano prevista para Árgea, aprovando três moções contra a localização do projeto e reforçando o consenso político e social em torno da rejeição.

A posição foi assumida na noite de terça-feira por todas as forças políticas representadas na Assembleia Municipal de Torres Novas que aprovaram por unanimidade moções apresentadas pela CDU, BE e PS, todas convergindo na rejeição da localização escolhida para a infraestrutura, na União de Freguesias de Olaia e Paço.

A sessão foi precedida de intervenções de moradores, representantes de comissões de utentes e do presidente da União de Freguesias de Olaia e Paço, que voltaram a manifestar preocupação com os potenciais impactos da unidade sobre a qualidade de vida, o ambiente, os recursos hídricos e o aumento do tráfego de veículos pesados.

Durante o debate, os partidos defenderam que a oposição não se dirige à produção de biometano nem à transição energética, mas à localização prevista para a unidade, devido à proximidade de habitações e aos impactos expectáveis sobre as populações.

A moção da CDU apelou à utilização de “todos os meios” ao alcance da Câmara Municipal para impedir a instalação da unidade, defendendo também maior transparência no processo e o esclarecimento das populações.

O BE sustentou que a transição energética deve ser compatibilizada com a proteção da qualidade de vida, da saúde pública e do ambiente, considerando incompatível a localização proposta entre Casal Sentista e Árgea face ao aumento previsto do tráfego pesado, aos potenciais odores e aos impactos sobre os aglomerados habitacionais.

Já o PS defendeu que Torres Novas deve afirmar o tipo de investimento que pretende atrair, reconhecendo a mobilização das populações de Árgea e das aldeias vizinhas e sustentando que o desenvolvimento do concelho deve ser feito “com as pessoas e não contra as pessoas”.

Durante o debate, deputados de diferentes bancadas sublinharam que o problema reside na localização da infraestrutura e não na tecnologia associada ao biometano, considerando legítima a aposta na valorização de resíduos agrícolas e na produção de energia renovável desde que compatível com a qualidade de vida das populações.

Na intervenção final, o presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques (PS), defendeu que o momento exige unidade entre os órgãos autárquicos, admitindo que “houve um erro” no processo e apelando a que sejam evitadas divisões em torno do tema.

“Mais vale admitir o erro. Houve um erro (…). Vamos para a frente. Estamos unidos”, afirmou, acrescentando que o município manterá o empenho em travar o projeto na localização prevista.

O autarca recordou ainda que o Pedido de Informação Prévia (PIP) apreciado em 2025 não coincide integralmente com o projeto atualmente em avaliação ambiental, considerando que essa circunstância constitui uma oportunidade para impedir o avanço da instalação.

Pela primeira vez, toda a Assembleia Municipal de Torres Novas – PS, PSD, CDU, BE, Chega e MPNT – assumiu uma posição unânime contra a localização da unidade de biometano em Árgea.

A unidade de produção de biometano, promovida pela empresa Gás da Terra, prevê tratar cerca de 100 mil toneladas anuais de resíduos orgânicos e efluentes pecuários em Árgea.

O projeto tem motivado contestação crescente de moradores, autarcas e da associação ambientalista Quercus, enquanto a empresa defende que os impactes ambientais foram avaliados e que a infraestrutura incorpora medidas para minimizar odores, proteger os recursos hídricos e reduzir outros efeitos sobre as populações.

A consulta pública para a Unidade de Produção de Biometano de Torres Novas, projetada junto à aldeia de Árgea, está a decorrer até 03 de julho no portal Participa.

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