O presidente da Câmara de Benavente disse que foi criado um grupo de trabalho que está a preparar um plano de intervenção global no rio Sorraia, assegurando que a limpeza da praga de jacintos prossegue, obedecendo a prioridades.

Carlos Coutinho disse à Lusa que as máquinas que estavam a operar no concelho de Benavente e no de Coruche estão agora a trabalhar nas linhas de água junto aos campos de arroz no concelho vizinho de Salvaterra de Magos, na sequência de um pedido dos agricultores para a retirada dos jacintos de água naquela zona, de forma a poderem escoar a água dos tabuleiros para a colheita.

A explicação surgiu na sequência de um comunicado dos deputados do PSD eleitos pelo distrito de Santarém, que acusavam o Governo de “embuste” na operação de limpeza da praga de jacintos no rio Sorraia, assegurando que, numa visita ao local, verificaram que “quase toda a maquinaria foi retirada” e “as ações pararam”, duas semanas após o início dos trabalhos.

O autarca disse à Lusa que a intervenção tem vindo a obedecer a “prioridades”, mantendo-se as máquinas a operar no Furadouro, no concelho de Mora, enquanto decorrem reuniões que envolvem responsáveis do ambiente e autarcas, mas também “outras entidades com muita experiência nesta matéria”.

Esse grupo de trabalho tem por missão desenvolver um projecto “a longo prazo”, que regularize a vegetação ripícola junto às margens e permita a regularização e desassoreamento do rio, sendo ainda objectivo encontrar formas de financiamento, disse.

“Queremos igualmente ter equipas permanentes que removam atempadamente os focos de jacintos que vão surgindo”, de forma a evitar situações como a que se tem verificado nos últimos anos, com um agravamento acentuado nos últimos meses, acrescentou.

Carlos Coutinho afirmou que a operação iniciada no princípio de Setembro incide nas áreas identificadas como mais urgentes, adiantando que a prioridade dada às zonas junto às pontes visou prevenir que estas viessem a sofrer danos caso ocorra alguma enxurrada com a chegada das chuvas.

Questionada também pela Lusa, a APA já havia esclarecido que a deslocalização das máquinas foi “pontual”, por “razões operacionais” que visaram responder a uma “premência” na albufeira de Magos, assegurando que a remoção de jacintos no Sorraia “obviamente continua”, pois este é um problema que “tem que ser combatido em contínuo”.

Na pergunta entregue no parlamento, os deputados do PSD questionam o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, sobre qual a razão por que apenas foi feita a eliminação dos jacintos junto a duas pontes, “locais de onde a praga é mais visível para a população”.

Querem ainda saber que iniciativas vão ser desenvolvidas “para acabar de vez com esta praga em todo o rio Sorraia” e que medidas “vão ou estão a ser tomadas pelos organismos competentes para controlar e prevenir esta espécie invasora no Rio Sorraia”.

Perguntam igualmente ao Governo como vai financiar esta operação e “de que modo pretende envolver as autarquias locais e a associação de regantes”.

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