Um dos ‘Calcanhares de Aquiles’ do Centro Histórico de Santarém é o estacionamento. A concessão do parqueamento na cidade nunca foi consensual e o processo esteve sempre envolto em polémica.

No debate com o mote: “Santarém – Centro Histórico com Futuro”, promovido na quinta-feira, 9 de Julho, o presidente da autarquia, Ricardo Gonçalves, disse estar, em conjunto com a divisão jurídica da Câmara, a estudar o processo de forma a denunciar o contrato com a empresa detentora da exploração.

Um litígio que já vem de longe: a autarquia já recorreu à via judicial para reclamar cerca de 700 mil euros da concessionária do estacionamento tarifado à superfície. Um montante referente às rendas que a Abispark se comprometeu a pagar, no valor de 241 mil euros anuais, no âmbito do contrato de concessão firmado entre ambas as partes. Segundo o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, a empresa nunca pagou as rendas, pelo que a autarquia accionou os meios legais ao dispor para tentar reaver essa quantia.

Recorde-se que a concessão do estacionamento tarifado resultou de uma parceria público-privada estabelecida entre a empresa ABB – Alexandre Barbosa Borges S.A. (a cujo grupo empresarial a Abispark pertence) e a Câmara de Santarém, então liderada por Moita Flores. A empresa da zona de Braga assumiu a construção do parque subterrâneo e a requalificação urbana do Jardim da Liberdade, ficando com o monopólio do estacionamento tarifado no espaço público em Santarém por 20 anos e com a obrigação de pagar à autarquia uma renda anual de 241 mil euros – 94 mil pelo parque subterrâneo e 147 mil pelo estacionamento à superfície. A Abispark começou a explorar o estacionamento à superfície em Outubro de 2010.

A par desta situação, Ricardo Gonçalves sublinhou a necessidade de haver um “ordenamento do estacionamento no centro histórico também por motivos de segurança pública”, de forma a “acautelar os acessos em caso de acidente ou incêndio” nesta zona sensível da cidade.

O presidente da Câmara garantiu ainda que “está a ser estudada a criação de bolsas de estacionamento só para moradores no centro histórico”, denunciando a “prática recorrente” de estacionamento ilegal, sobretudo em cima dos passeios, mas também em locais assinalados como de estacionamento proibido e em segunda fila.

“A degradação dos centros históricos é evidente e generalizada em todo o país mas em Santarém as coisas estão a mudar”, disse o autarca, concluindo: em breve, vão-se notar “dores de crescimento” devido ao elevado número de obras a realizar.

Com a concretização destes projectos, a par com a crescente procura de casa por parte de jovens no CH, Ricardo Gonçalves acredita, pois, ser possível reverter o processo de abandono do ‘casco velho’. “Temos de trilhar um rumo de futuro”, concluiu.

Leia também...

39 estabelecimentos de ensino no distrito classificados como escolas de referência

Quase 800 escolas estão a partir de segunda-feira, 16 de Março, de portas abertas para garantir as refeições dos alunos mais carenciados e acolher…

Ambientalistas discordam da estratégia para as Questões Significativas da Água

O proTEJO – Movimento pelo Tejo, manifestou-se contra a estratégia enunciada no documento das Questões Significativas da Água (QSiGA) 2022-2027 por considerar que se…

Centro de Interpretação Templário inaugura exposição

O Centro de Interpretação Templário Almourol (CITA), de Vila Nova da Barquinha, inaugura no sábado, às 15:00, a exposição “O Império do Divino Espírito…

Técnico de informática detido pela PJ por crime de pornografia de menores

A Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal de Leiria, deteve em flagrante delito, na passada quarta-feira, 20 de Março, um homem de…