Bailarino Nuno Labau faz atuação de homenagem a Bernardo Santareno em Santarém

Foto: Miguel Mateus

O bailarino Nuno Labau apresenta, no sábado, na Sala de Leitura Bernardo Santareno, em Santarém, a ‘performance’ “Corpus Rei Publicae”, que criou a convite do projecto municipal Santarém Cultura, para assinalar o centenário do dramaturgo Bernardo Santareno.

Nuno Labau disse à Lusa que a ‘performance’, com música de João Casaca, músico, produtor e membro da banda escalabitana Vulture, e vídeo de Miguel Mateus, resulta de uma “transposição” do trabalho de Bernardo Santareno, pseudónimo de António Martinho do Rosário, para os tempos actuais.

PUBLICIDADE

Confessando que “não conhecia bem” o trabalho de Bernardo Santareno, o bailarino não esconde a surpresa de, na sua pesquisa, ter encontrado “um trabalho muito político”, com personagens marcadas pela violência.

“Resolvi pegar no cariz político da obra dele, pegar nas cores, no próprio facto de ele quase ter desistido de trabalhar e de escrever, e transpus isto para os tempos que vivemos hoje e para a nossa sociedade contemporânea, em que sinto que vivemos um mundo muito violento – o Bernardo também era um defensor das minorias –, e como são temas muito políticos, muito em voga presentemente, resolvi transpor isto tudo para esta ‘performance’”, disse.

Escalabitano, tal como António Martinho do Rosário, que nasceu em Santarém a 19 de Novembro de 1920, Nuno Labau sente que, passadas tantas décadas, se continuam a reivindicar as mesmas coisas.

“Esta ‘performance’ tem um carácter muito pessoal e como são temas que me afligem também a mim, me fazem questionar o mundo em que vivemos, resolvi criar uma estrutura, um cubo, que as pessoas podem relacionar com o que quiserem mas que, na minha percepção, é um cubo das caixas em que nós nos colocamos e existo dentro daquele cubo”, disse.

O solo, com cerca de 20 minutos, é ainda “uma crítica, um sarcasmo muito grande aos valores tradicionais escalabitanos”, que também o afectaram no passado.

“De certa maneira houve evolução, mas não a suficiente. Não há consciencialização destes valores e da aceitação não só das minorias, mas de todas as diferenças. Sinto que deveríamos conseguir viver em comunidade com todas as diferenças e o trabalho de aceitação que se devia fazer”, afirmou.

Com uma apresentação para a imprensa, hoje, na Sociedade Recreativa Operária, a ‘performance’ tem, para já, apenas uma sessão agendada, às 19:30 do próximo sábado, na Sala de Leitura Bernardo Santareno, com limitações que serão definidas pela Câmara de Santarém, de forma a serem cumpridas as regras impostas pela Direção-Geral da Saúde, devido à covid-19.

Nuno Labau, que, com a pandemia, deixou Lisboa e regressou a Santarém, inicia este ano uma colaboração com a Sociedade Recreativa Operária, no âmbito do projecto Arte Música, onde irá começar a dar aulas de dança contemporânea, num projecto-piloto que espera vir a ser alargado para abranger outras vertentes, como o ballet clássico ou o sapateado.

Nuno Labau formou-se no Chapitô, em 2011, tendo criado as ‘performances’ “Violência das Coisas Insensíveis”, que teve a sua última apresentação no Festival Internacional de Dança de Almada, e “Step 2 Duplicate”.

PUBLICIDADE

PARTILHE COM OS SEUS AMIGOS

ADICIONAR COMENTÁRIOS

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *