A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) disse esta quarta-feira, 2 de Outubro, que o baixo nível da água nos rios Tejo e Ponsul resulta de “descargas extraordinárias” na barragem de Cedillo, em Espanha.

“O baixo nível da água no troço internacional dos rios Tejo e Ponsul resulta de descargas extraordinárias que se estão a verificar na barragem de Cedillo para que Espanha possa cumprir o regime de caudais anual estabelecido na Convenção de Albufeira para a bacia hidrográfica do Tejo, já que os regimes semanais e trimestrais têm sido cumpridos ao longo do ano hidrológico 2018/2019, que termina no final deste mês”, explicou por escrito, à agência Lusa, a APA.

Nas últimas semanas, na região do Parque Natural do Tejo Internacional, assistiu-se a uma diminuição acentuada dos níveis da água nos rios Tejo e Ponsul, sendo que os dois cais existentes, um em Lentiscais (rio Ponsul) e o outro em Malpica do Tejo (rio Tejo), ficaram inoperacionais.

A situação de seca nestes dois cursos de água tem provocado, não só prejuízos ao nível do turismo na região, como prejuízos ambientais, económicos e sociais.

A situação já levou o presidente da Câmara de Castelo Branco, Luís Correia, a defender novamente a revisão da Convenção de Albufeira para a bacia hidrográfica do Tejo, de forma a evitar a diminuição acentuada dos níveis da água.

A APA adianta que as autoridades espanholas “manifestaram a sua firme intenção em cumprir todos os regimes de caudais estabelecidos na Convenção” para a bacia do Tejo, apesar dos baixos níveis de armazenamento nas albufeiras.

“A 24 de Setembro, o nível de armazenamento de água nas albufeiras do Tejo espanhol encontrava-se abaixo dos 35%. No final de Agosto de 2019, seria ainda necessário Espanha lançar cerca de 440 hm3 (hectómetros cúbicos) para atingir, até 30 de Setembro, o volume anual integral estabelecido como mínimo na Convenção de Albufeira”, explica.

“Em Setembro, as autoridades espanholas informaram que tinham comunicado à operadora hidroeléctrica de Cedillo para proceder à libertação dos caudais necessários ao cumprimento do regime de caudais anual”, refere.

A APA sublinha que irá continuar a “acompanhar atentamente a situação”, mantendo-se contactos abertos e constantes entre as partes portuguesa e espanhola.

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