O município de Benavente pediu ao Governo a isenção temporária de portagens na A13 e na A10, devido às cheias que encerraram várias estradas e estão a provocar graves constrangimentos na mobilidade, disse hoje à Lusa a presidente da Câmara.

Em declarações à agência Lusa, Sónia Ferreira explicou que o pedido tem caráter urgente, uma vez que “muitos automobilistas, incluindo alunos e trabalhadores”, são obrigados a recorrer às autoestradas para assegurar deslocações essenciais, face ao encerramento de vias municipais e nacionais.

A autarca adiantou que a várzea entre Benavente e Samora Correia está totalmente submersa e deverá manter‑se encerrada durante vários dias, uma vez que “a água não tem para onde escoar”.

Sónia Ferreira acrescentou que, no domingo, “a única saída possível do concelho era por Santo Estêvão e pela autoestrada”, situação que, entretanto, ficou parcialmente resolvida com a reabertura de algumas ligações internas.

As escolas do concelho abriram hoje, mas o transporte dos alunos está a ser feito por percursos alternativos.

“Muitos autocarros escolares e pais têm de recorrer à autoestrada ou dar voltas longas pelo interior do concelho”, explicou a autarca.

Segundo a responsável, o município articulou desde sábado com o operador de transportes e com os agrupamentos escolares de Benavente e Salvaterra de Magos a reorganização das rotas, antecipando “que a cheia demoraria vários dias a baixar”.

Embora alguns acessos internos tenham sido reabertos, a presidente da câmara de Benavente referiu que o concelho funciona na “normalidade possível”, dependendo da evolução do caudal das bacias dos rios Almansor, Sorraia e Tejo, que originaram estas cheias.

Em comunicado divulgado hoje, a autarquia indicou que, entre os principais constrangimentos, registam-se os cortes da Estrada Nacional 118 nos troços entre Benavente – Salvaterra de Magos, Benavente – Samora Correia e Samora Correia – Alcochete, bem como o encerramento da Estrada do Campo, na Lezíria Grande de Vila Franca de Xira, e da Estrada Municipal 515 entre Benavente e Barrosa, além de vários caminhos secundários.

Para a autarquia, a “Estrada Nacional 119 não é uma alternativa viável, porque implica desvios com dezenas de quilómetros adicionais e não garante uma solução rápida para a mobilidade no concelho”, lê-se no comunicado.

Na nota, a presidente da câmara apela “à rápida decisão do Governo”, sublinhando que esta medida é essencial para “mitigar os impactos sociais e económicos resultantes do isolamento quase total do concelho”.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Leia também...

Lançado concurso público internacional para o Crematório de Santarém

O Município de Santarém lançou na passada semana o concurso público internacional para a “Concepção, Construção e Concessão da Exploração de Crematório no Cemitério…

Centro Cultural Regional de Santarém Celebração do 45º Aniversário

Convento de Cristo encerrado de 23 a 27 de Maio devido a rodagem de filme da Netflix

O Convento de Cristo, em Tomar, vai estar encerrado ao público de 23 a 27 de Maio, devido à rodagem da produção cinematográfica “Damsel”,…

Santarém dedica mês de Novembro a Bernardo Santareno

Santarém volta a dedicar o mês de Novembro a Bernardo Santareno, um dos mais relevantes dramaturgos portugueses do século XX, nascido na cidade, com…