Andam por aí alguns ânimos mais exaltados com as cenas que vão aparecendo nos écrans televisivos, nos trinta minutos que estão reservados aos candidatos presidenciais. O princípio seria o de que, nesse espaço, os que se candidatam, terem a visibilidade necessária para que ficássemos a saber quais os seus propósitos sobre o cargo a que se propõem e de que maneira pensam executá-lo.

Bastava que cada um deixasse falar o seu adversário político, respeitando o tempo que não era o seu e que só exercessem o contraditório, fosse caso disso, quando lhes fosse dado a palavra. Mas como todos desrespeitam os moderadores, com a maior facilidade do mundo se entra no caos, onde uns “nadam” muito melhor do que outros.

Não admira, portanto, que as audiências destes espaços sejam cada vez menores, o que leva as televisões a abrirem classificações como isto fosse um qualquer campeonato por pontos, para darem mais ânimo à coisa.

No próximo ano, celebrar-se-ão os cinquenta anos das primeiras eleições presidenciais, realmente democráticas, depois do 25 de Abril de 1974.

Vivi-as com todo o entusiasmo dos meus trinta e quatro anos e deles guardo ainda o livre trânsito concedido ao jovem jornalista, então nomeado pelo Diário do Ribatejo.

Entusiasmo e exaltação verdadeira, alegria plena pelo acto em que todos íamos praticar, não voltou a haver nunca mais. Mas o que se foi perdendo dessa ingenuidade virgem, foi-se modificando em experiências vividas, maturidade nas decisões e, sobretudo, melhor consciência nos votos que se iam pondo nas urnas, resultados das experiências que, cada um de nós ia vivenciando.

Os portugueses hoje, já não correm atrás de projecções, muito menos aos que dramatizam as suas intervenções, fazendo-o mais para as suas clientelas políticas do que no interesse do país. Nas três intervenções do FMI em Portugal (1977; 1983 e 2011) demos sinal de unidade e soubemos escolher o nosso caminho, conseguindo mesmo no último obter uma unanimidade total sobre a qualidade do esforço que soubemos executar.

Perdoem a imodéstia, mas os que já viram este filme, decerto que não se deixarão levar pelo moderno folclore político, com a força que criaram no uso das redes sociais, com o peso dos algoritmos, que alguns pretendem substituir, pela individualidade do pensamento crítico individual e universal.

Quando em 18 de Janeiro de 2026, depois das 20h00, começarem a cair os primeiros resultados, as fotos dos candidatos irão sendo ordeiramente colocadas, indiferentes às cenas mais ou menos patéticas que cada um executou, porque assim lhes disseram para fazer, ou pelo que decidiram fazer. 

Uma coisa é já certa. Portugal nunca será um quartel de almirantes, tal como como saberá resistir aos impulsos de quem anuncia ultrapassar a constituição para concretização dos seus ideários totalitários.

Calma amigos. Quando se apagarem os holofotes do circo, eles emalarão os adereços e irão, depois de pagar as contas, curtir para outros palcos.

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