A Câmara Municipal de Azambuja aprovou hoje um voto de repúdio pelo encerramento do serviço de urgência obstétrica do Hospital de Vila Franca de Xira, entretanto transferido para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.

A proposta foi aprovada, por unanimidade, com os votos favoráveis dos eleitos do PS, PSD, CDU e Chega, durante uma reunião pública do executivo municipal, liderado pelo socialista Silvino Lúcio.

Em causa está a decisão de encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia no Hospital de Vila Franca de Xira (HVFX), no distrito de Lisboa, que serve também os municípios de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer e Benavente, passando os utentes a ser encaminhados para o Hospital Beatriz Ângelo (HBA), no concelho de Loures.

“A solução apresentada de transferência para o Hospital Beatriz Ângelo não serve as populações do concelho, pois não existem transportes públicos diretos e permanentes entre estes territórios e o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, e as populações do concelho passariam a estar a mais de 50 quilómetros e a mais de uma hora de caminho, situação crítica e inaceitável em casos de emergência obstétrica”, lê-se no documento, a que a agência Lusa teve acesso.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio (PS), considerou que esta decisão do Governo, além de revelar uma “falta de estratégia para o setor”, representa uma falta de respeito para com as populações abrangidas pelo Hospital de Vila Franca de Xira.

“Se uma pessoa de Azambuja tiver um problema a esse nível tem que ir para Loures a correr porque é lá que tem resposta pública. Parece-nos que é desviar e desrespeitar 250 mil pessoas que moram aqui nestes concelhos, que agora têm que fazer mais quilómetros, demorar mais tempo”, criticou o autarca.

Nesse sentido, Silvino Lúcio admitiu continuar a contestar esta decisão, nomeadamente através de iniciativas institucionais.

“Lutaremos até ao fim com as nossas armas. Neste momento está a correr um abaixo-assinado nos cinco concelhos para levarmos o assunto à Assembleia da República”, sublinhou.

A aprovação deste voto de repúdio a acontece um dia depois de os autarcas abrangidos pelo Hospital de Vila Franca de Xira terem saído insatisfeitos de uma reunião com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

A governante assegurou aos autarcas que o encerramento das urgências obstétricas “é provisória” e se deve ao reduzido número de obstetras.

Em substituição da urgência no Hospital de Vila Franca abriu na segunda-feira uma urgência regional de ginecologia e obstetrícia no Hospital de Loures, a primeira criada no âmbito do novo modelo para responder à falta de profissionais de saúde.

Apesar de deixar de ter serviço de urgência, no Hospital de Vila Franca continua a funcionar uma maternidade para partos programados e consultas abertas de ginecologia e obstetrícia para doença aguda não urgente.

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