A Câmara Municipal do Entroncamento aprovou por maioria o orçamento para 2026, no valor de 41,1 milhões de euros (ME), menos 2,4 ME comparativamente ao ano em curso (43,5 ME), centrando-se em oito eixos estratégicos de investimento.
O orçamento municipal para 2026 marca o início de um novo ciclo político no Entroncamento, segundo o presidente da câmara deste município do distrito de Santarém, num documento aprovado em 11 de Dezembro e que prevê investimentos estruturantes em oito eixos estratégicos, desde segurança urbana a modernização administrativa.
“O orçamento municipal para 2026 é o primeiro totalmente alinhado com a visão estratégica do novo executivo. Coloca no centro a segurança, a qualidade dos serviços públicos, educação, habitação, saúde, desenvolvimento económico, sustentabilidade ambiental e modernização administrativa”, afirmou Nelson Cunha (Chega) durante a apresentação do documento.
Os eixos centrais integram a segurança urbana integrada, educação de excelência com modernização tecnológica das escolas, habitação justa e acessível, saúde e bem-estar com incentivos à fixação de médicos, desenvolvimento económico e turismo ferroviário, sustentabilidade e melhoria do espaço público, mobilidade e infraestruturas de crescimento e modernização administrativa com maior proximidade ao cidadão.
“Cada eixo reflete o compromisso do nosso executivo em construir um Entroncamento mais moderno, seguro e inclusivo, onde cada investimento contribui diretamente para a qualidade de vida dos munícipes”, declarou o autarca, que assumiu o primeiro mandato na presidência do município.
No eixo da segurança, prevê-se a instalação de 55 câmaras de videovigilância e comunicações 5G, modernização da sinalização e semaforização, reorganização do tráfego e reforço do policiamento de proximidade, incluindo a criação da Polícia Municipal.
A habitação receberá investimentos de 4,9 ME no novo conjunto de blocos habitacionais, além da reabilitação integral do bairro Humberto Delgado.
No desenvolvimento económico e turismo, destacam-se a revitalização da Rua Luís Falcão de Sommer, a nova centralidade com 4,8 ME e eventos culturais e turísticos como o Railway Summit, Festas da Cidade e Festival “Loucos Anos 20”.
No eixo da mobilidade, estão previstos 1,4 ME para a requalificação da EN3, aquisição de novos autocarros e requalificação de zonas urbanas e industriais.
Os vereadores do PS e da coligação “Viva o Entroncamento” (PSD/CDS-PP/Independentes) abstiveram-se na votação.
Ricardo Antunes (PS) afirmou que o orçamento “é uma peça de continuidade, equilibrando ruturas e garantindo medidas fundamentais”, mas apontou lacunas no planeamento estratégico e necessidade de maior auditoria e capacitação dos serviços.
“O orçamento apresenta medidas positivas, mas continuamos a insistir na necessidade de maior planeamento estratégico e transparência financeira para garantir sustentabilidade a longo prazo”, declarou.
Rui Madeira (Viva o Entroncamento) criticou, por sua vez, a dependência elevada de fundos externos, o endividamento, a saturação dos serviços públicos e a falta de instrumentos estratégicos, apesar de reconhecer a legitimidade do Chega na governação e abster-se para garantir estabilidade política.
“Abstemo-nos por responsabilidade, mas mantemos reservas quanto à dependência externa e à capacidade do município em absorver os investimentos previstos”, disse.
O orçamento mantém o IMI em 0,30% para prédios urbanos, 5% de participação de IRS e 1,5% de Derrama, com possibilidade de redução ou isenção ligada à criação de postos de trabalho, ponto aprovado por unanimidade.
A votação final na Assembleia Municipal está agendada para quinta-feira, 18 de Dezembro.
O executivo municipal do Entroncamento é constituído por três eleitos do Chega, dois da coligação Viva o Entroncamento e dois do PS, detendo o Chega 10 assentos na Assembleia Municipal, a coligação sete, e o PS cinco.
