Aconteceu ontem, dia 19 de Maio, no Auditório da Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa, no lançamento do livro Manda-me Amor Camões e Outros Afins de Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre, com prefácio de José Jorge Letria, apresentação do poeta e ensaísta António Carlos Cortês, chancela das Edições Cosmos, galardoada com a medalha de honra da mesma SPA, e apoio de várias entidades, Comissão para as Comemorações do V Centenário de Camões; Centro de Investigação Prof. Joaquim Veríssimo Serrão, Assembleia da República, e jornais Correio do Ribatejo e Mais Ribatejo.
Num auditório repleto de especialistas camonianos, música e artistas plásticos, Camões foi apresentado como um Poeta de um mundo em mudança e Os Lusíadas, como o livro da Pátria para cuja independência e auto-estima contribuiu em vários momentos da história nacional e mundial: 1640 com a independência do Reino ocupado durante 60 anos pela Espanha; em 1820 com a revolução liberal, transformado por Garrett no mais alto cume nacional no poema «Camões» com que se inicia o romantismo nacional; em 1910 com a revolução que acaba com a monarquia e inicia a República, cujo primeiro presidente será Teófilo de Braga, autor camoniano de longa data que já tinha apoiado o grandioso Terceiro Centenário da morte do Poeta, 1880, com grandiosos festejos na Capital; e finalmente na Revolução dos Cravos de 1974, com Camões a ser libertado de quase cinquenta anos duma narrativa inventada pelo Estado Novo que fez dele o Poeta da Raça, da Fé e do Império por razões político-ideológicas, que nunca foi sendo o primeiro poeta mundial a cantar o seu amor por uma escrava, Aquela cativa que me tem cativo canção editada em disco e musicada por Zeca Afonso, além de outras por vários cantautores ligadas àquela Revolução dos Cravos, José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira, ou José Jorge Letria entre muitos outros. Camões, devolvido ao Povo e á Pátria Portuguesa, será desde então o mais elevado cume poético e artístico de Portugal, reconhecido ainda há pouco pela coroa de flores que o actual Presidente da República, no primeiro dia do seu mandato colocou no túmulo dos Jerónimos.
De tudo isto se falou neste lançamento e falará na próxima apresentação deste livro na Assembleia da República Portuguesa.

