NAZARÉ – Sábado, 18 de Julho, às 22.15 horas – Corrida à Portuguesa. Cavaleiros: João Salgueiro, Marcos Bastinhas e Tristão Ribeiro Telles; Forcados: Amadores da Chamusca, de Monsaraz e do Cartaxo; Ganadaria: Eng.º Luís Rocha (505, 510, 515, 485, 490 e 500 Kgs.); Director de Corrida: Dra. Ana Pimenta; Médico Veterinário: Dr. José Luís da Cruz; Tempo: Agradável; Entrada de Público: Casa Cheia.

A noite estava agradável e o público começou a chegar cedo às imediações da praça, o que proporcionou um bom ambiente anterior ao início do espectáculo. A corrida tinha o aliciante de pôr em confronto três cavaleiros de distintas gerações, o que terá tido natural reflexo na forte afluência de público. Apesar de tudo, a corrida não foi um sucesso artístico, primeiro porque os toiros do Eng.º Luís Rocha o não permitiram, especialmente os que foram lidados em primeiro e em quinto lugares, e depois porque os toureiros também não os lidaram convenientemente, abusando da velocidade nos cites, na escassa preparação das sortes e da falta de pontaria para colocar a ferragem, a maioria da qual foi cravada em sortes engarupadas. 

A apresentação de João Salgueiro, regressado esta temporada às arenas para cumprir meia dúzia de corridas, era, de facto, o aliciante maior desta noite, pois os aficionados mais velhos não esquecem a excelência deste toureiro no tempo em que era uma das figuras máximas do nosso escalafón, pedindo meças a qualquer alternante.

Nesta noite nazarena a lide do intragável primeiro toiro decorreu sem pena nem glória, e a lide do quarto toiro da noite valeu pela colocação de três ferros magníficos, estes sim com a marca do Salgueiro de que nos lembramos tanto. Estes ferros marcaram esta corrida e valeram a nossa deslocação à sempre desejada praça do Sítio. O crítico do Mundotoro referiu-se assim ao labor de João Salgueiro: “Qué perfección. Qué temple. Qué elegancia. Un rejoneo exquisito, sustentado en la sutileza y el dominio absoluto de los tiempos”!

Marcos Bastinhas, que voluntariamente suspendeu a parte final da temporada de 2025, regressou esta época com muitas ganas, mas, em nossa modesta opinião, com alguns equívocos quanto ao conceito de toureio que pratica. Quando está na arena sente-se um rebuliço, tudo é feito apressadamente, quando as regras do toureio postulam que “a los toros todo se hace despacio”! Obviamente, o toureio evolui, moderniza-se, mas tal deve suceder num registo de coerência com a essência da tauromaquia. Bastinhas enfrenta valorosamente os toiros mas crava a ferragem em andamento excessivamente veloz, pelo que alguns ferros ficam descaídos e dispersos. O público vibra com as suas atitudes na arena, mas há outros valores para além dos aplausos fáceis… Das duas lides de Marco Bastinhas lembramo-nos de uma ou outra sorte muito boa, e de pouco mais. Depois, as segundas voltas à arena… e a saída em ombros… Enfim, isto, é o país do vale tudo, e não devia ser!

Tristão Ribeiro Telles é um jovem cavaleiro a quem todos tecemos louvores pela qualidade do seu toureio e pela fidelidade a um estilo que se estriba na ortodoxia que foi capaz de arejar com uma saudável modernidade. Andou digno na lide do terceiro toiro da corrida, entusiasmando o público e aproveitando o que o toiro tinha para lhe dar, porém, a lide do último foi a menos. É certo que desenhou algumas sortes frontais de grande qualidade, todavia, o excessivo andamento imposto às montadas, a exagerada batida ao piton contrário resultou mal, ocasionando excessivas saídas em falso e a ferragem muito descaída.

Os Grupos de Forcados em praça tiveram de porfiar bastante para solver as dificuldades com que se confrontaram, pois, os toiros arrancavam-se com brusquidão e carregavam nas investidas, exigindo que os forcados da cara aguentassem valorosamente o momento da reunião. Pelos Amadores da Chamusca foram solistas Francisco Rocha, à quarta tentativa, mas muito valoroso, e Martim Nunes, à terceira, em rija pega; Pelos Amadores de Monsaraz foram à cara Miguel Valido, que consumou boa pega ao segundo intento, e João Ramalho, que rubricou uma excelente pega ao primeiro intento; e pelos Amadores do Cartaxo Bernardo de Sá e Tiago Fonseca consumaram boas pegas, ambas à primeira tentativa.

Boa intervenção das quadrilhas, entre as quais estavam três bandarilheiros escalabitanos Gonçalo Veloso, Cláudio Miguel e Duarte Silva, e dos campinos. Direcção algo precipitada no critério da concessão de música aos cavaleiros, onde nem sempre houve boa ponderação, o que levou Tristão Ribeiro Telles a recusar a música na sua última lide, quando ia para o último ferro da corrida.

 

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