E pronto, o Mundial chegou ao fim com a Espanha merecidamente campeã! Fiquei-me pelos 50 por cento de acerto quando na passada semana apontava para um França-Argentina na final. (A edição fechou antes do Espanha-França…).

Este Mundial foi rico em peripécias: 1.º Confirmou-se (mais uma vez) que a selecção das Quinas está refém do ego de um jogador que se arrastou pelos relvados que pisou. A era Ronaldo já acabou e o que resta é um produto de marketing que dá dinheiro a ganhar a muito boa gente, mas a quem já não se pode pedir resultados desportivos porque ficou bem claro que esse tempo já lá vai.

E sim, sou português e considerei-o, na sua época, o melhor do mundo, pese embora sejam milhões os que ainda o seguem, que esperam horas a fio para o ver, mas toda essa empolgação já só rende fora das quatro linhas.

Espero que JJ tenha a força de repetir ao Ronaldo o “finished” com que brindou Neymar e que o grupo se liberte deste peso que arrasta, de competição para competição.

2.º Escandalosa foi a influência política de Trump sobre Infantino ao pedir-lhe favores para despenalizar um jogador norte-americano que tinha sido expulso com vermelho directo. Afinal, troca de favores entre dois grandes amigos, depois de Infantino ter concedido a Trump o Prémio da Paz da FIFA, um troféu criado à medida que envergonha o Mundo.

Mas diga-se em abono da verdade que Trump nem nisso foi original. A despenalização de um jogador com cartão vermelho já tinha acontecido em 1962, desta feita beneficiando Garrincha, expulso na semifinal contra a selecção chilena, mas a poder defrontar a então Checoslováquia após uma campanha de pressão que contou com apoio do presidente Jorge Alessandri, do Chile, país-sede do Torneio.

Ambos os casos trouxeram a público o jogo de influências entre a política e o futebol ao mais alto e podre nível.

3.º Marcante foi também a intervenção de Hossam Hassan seleccionador do Epipto na conferência de imprensa antes do jogo com a Argentina, na qual denunciou o holocausto que o povo palestino está a viver considerando-o “uma vergonha para o mundo inteiro”.

4.º A chegada do canal youtube LiveModeTV, veio trazer mudanças incontornáveis na transmissão gratuita e continuada dos jogos, fazendo frente aos poderes instituídos dos canais pay-per-view. A boa notícia é que terá vindo para ficar. Aguardemos…

5.º Naturalmente, Cabo Verde que deu uma lição ao mundo. A única equipa que defrontou e não perdeu com a Espanha. Parabéns aos nossos vizinhos que são um autêntico clube a jogar à bola, como disse o seu treinador, Luis de La Fuente.

E jogam com onze de início e um banco de luxo, onde todos sabem bem o seu papel, sem birras nem amuos.

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