Foto: Rui Louraço

Os caudais do rio Tejo no distrito de Santarém mantêm-se hoje relativamente estáveis, entre os 6.000 e os 6.500 metros cúbicos por segundo, indicou à Lusa a Proteção Civil de Santarém.

Segundo o presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém, Manuel Jorge Valamatos, as barragens de Fratel e Pracana estão a debitar cerca de 5.000 metros cúbicos por segundo (m³/s), enquanto Castelo de Bode liberta aproximadamente 1.000 m³/s, valores que, somados ao comportamento das linhas de água, mantêm o Tejo num patamar considerado estável face aos episódios de cheia mais severos registados na última semana.

Manuel Jorge Valamatos destacou ainda que o comportamento das ribeiras tem sido particularmente positivo, contribuindo para aliviar a pressão sobre o Tejo e também sobre o Zêzere.

“As ribeiras têm conseguido largar bastante água e diminuir os seus caudais, e isso manifesta-se no Tejo e na junção com o Zêzere”, afirmou, sublinhando que este fenómeno ajuda a criar “uma situação mais estável”, sobretudo num contexto em que as condições meteorológicas começam a dar sinais de melhoria.

Segundo informações transmitidas pela Agência Portuguesa do Ambiente à estrutura distrital, a chuva deverá diminuir “de forma significativa” ao longo do dia de hoje.

“A tendência é para que se mantenham os níveis das descargas, de forma a que as barragens possam fazer o seu encaixe para dias mais chuvosos que, infelizmente, se avizinham”, acrescentou Manuel Jorge Valamatos.

Apesar de o comportamento do Tejo ser, nesta fase, mais favorável do que nos momentos mais críticos da cheia, em que se registaram valores de 8.000 m³/s em Abrantes continuam a registar-se ocorrências relacionadas com os efeitos acumulados da chuva e da saturação dos solos.

Segundo o responsável da Proteção Civil, existem ainda situações associadas a quedas de árvores e derrocadas, que continuam a exigir acompanhamento permanente das equipas no terreno.

“A situação está mais tranquila, mas temos de estar todos muito atentos e acompanhar a todo o momento”, alertou.

O responsável reforçou ainda que a diminuição da chuva será crucial para que ribeiras e barragens recuperem capacidade de armazenamento, contribuindo para estabilizar os caudais do Tejo nas próximas horas.

Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Leia também...

Marcelo considera importante presença de responsáveis políticos na Feira da Agricultura

O Presidente da República considerou hoje ser importante que todos os responsáveis políticos, convidados ou não, estejam presentes na Feira Nacional da Agricultura, salientando…

Marchadores Kimberly García, Érica Sena e Brian Pintado competem em Rio Maior

A marchadora peruana Kimberly García, líder do ranking mundial, assim como a brasileira Érica Sena e o equatoriano Brian Pintado são alguns dos nomes mais…

Autarcas do Médio Tejo pedem audiência urgente à ministra da Saúde

Os autarcas dos 11 municípios do Médio Tejo, no distrito de Santarém, solicitaram uma audiência com caráter urgente à ministra da Saúde para abordarem…

Luís de Sousa Caetano lança “Saudades do Futuro” este sábado no Fórum Mário Viegas

“Saudades do Futuro” é o primeiro livro de Luís de Sousa Caetano que será apresentado este sábado, 1 de Outubro, pelas 11h00, no Fórum…