Foto: Rui Louraço

Os caudais do Tejo subiram hoje, atingindo 7.839 metros cúbicos por segundo (m³/s) às 11h00 na estação de Almourol, efeito combinado das descargas a montante e das ribeiras, adiantou à Lusa a Proteção Civil de Santarém.

Segundo o presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém, Manuel Jorge Valamatos, a maior fatia deste valor resulta das descargas das barragens a montante — Fratel (4.611 m³/s), Castelo de Bode (880 m³/s) e Pracana (300 m³/s), num total de 5.790 m³/s — às quais se somam cerca de 2.000 m³/s provenientes das ribeiras, fixando o acumulado em 7.839 m³/s na leitura das 11h00.

Estes valores refletem um aumento de cerca de 800 m³/s face à estabilização de sábado, em torno dos 7.000 m³/s, verificando‑se uma tendência para estabilização ao longo das próximas horas, dependente da evolução da precipitação e do ajuste operacional nas albufeiras, acrescentou a mesma fonte.

Manuel Jorge Valamatos destacou ainda que o comportamento das ribeiras tem sido particularmente positivo, contribuindo para aliviar a pressão sobre o Tejo e também sobre o Zêzere.

“As ribeiras têm conseguido largar bastante água e diminuir os seus caudais, e isso manifesta-se no Tejo e na junção com o Zêzere”, afirmou, sublinhando que este fenómeno ajuda a criar “uma situação mais estável”, sobretudo num contexto em que as condições meteorológicas começam a dar sinais de melhoria.

Segundo informações transmitidas pela Agência Portuguesa do Ambiente à estrutura distrital, a chuva deverá diminuir “de forma significativa” ao longo do dia de hoje.

“A tendência é para que se mantenham os níveis das descargas, de forma a que as barragens possam fazer o seu encaixe para dias mais chuvosos que, infelizmente, se avizinham”, acrescentou Manuel Jorge Valamatos.

Apesar de o comportamento do Tejo ser, nesta fase, mais favorável do que nos momentos mais críticos da cheia, em que se registaram valores de 8.000 m³/s em Abrantes, no distrito de Santarém continuam a registar-se ocorrências relacionadas com os efeitos acumulados da chuva e da saturação dos solos.

Segundo o responsável da Proteção Civil, existem ainda situações associadas a quedas de árvores e derrocadas, que continuam a exigir acompanhamento permanente das equipas no terreno.

“A situação está mais tranquila, mas temos de estar todos muito atentos e acompanhar a todo o momento”, alertou.

O responsável reforçou ainda que a diminuição da chuva será crucial para que ribeiras e barragens recuperem capacidade de armazenamento, contribuindo para estabilizar os caudais do Tejo nas próximas horas.

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