Mais de meio século depois da morte, Celestino Graça vai receber, a título póstumo, a Chave d’Ouro da Cidade de Santarém, a mais elevada distinção atribuída pelo Município. A homenagem, marcada para 19 de Março de 2027, coloca o etnógrafo, regente agrícola e dinamizador cultural ao lado de Salgueiro Maia e Joaquim Veríssimo Serrão e recupera para o centro da memória da cidade um homem cuja obra atravessou a agricultura, o folclore, o associativismo e a própria projecção de Santarém no País e no estrangeiro.
Impulsionador da Feira do Ribatejo, que viria a transformar-se na Feira Nacional de Agricultura, fundador e dinamizador de grupos folclóricos, figura central na criação do Festival Internacional de Folclore de Santarém e determinante na construção da Monumental Praça de Toiros, Celestino Graça deixou uma marca que permanece inscrita em várias das instituições e acontecimentos mais reconhecíveis da cidade.
“Será Santarém a dizer-lhe obrigado. Obrigado pela visão, pela obra e pelo legado”, afirmou o presidente da Câmara, João Teixeira Leite, ao anunciar a distinção durante o jantar de recepção aos grupos estrangeiros da 65.ª edição do Festival Celestino Graça. A decisão, acolhida por todos os membros do executivo municipal, transforma a homenagem de 2027 também numa oportunidade para revisitar a dimensão de um percurso que, apesar de sobreviver no nome de praças, festivais e grupos, é hoje apenas parcialmente conhecido por muitas gerações.
Um homem que pensava para lá do seu tempo
Nascido em 1914, Celestino Graça cresceu num ambiente familiar marcado pela disciplina e pelo sentido de responsabilidade. Filho de um sargento do Exército, formou-se como regente agrícola e começou cedo a cruzar a actividade profissional com uma curiosidade que ultrapassava largamente os limites da sua profissão. Agricultura, associativismo, cultura popular e desenvolvimento regional haveriam de se tornar partes de uma mesma forma de olhar para Santarém e para o Ribatejo.
Ludgero Mendes, que conviveu de perto com Celestino Graça durante uma década mas mais intensamente nos últimos três anos da sua vida, recorda-o como uma personalidade difícil de circunscrever a uma única área. Ainda jovem, participou na criação e dinamização da Associação Académica de Santarém, esteve ligado à Brigada Técnica Agrícola e envolveu-se em projectos de experimentação destinados a melhorar as práticas agrícolas. Era, segundo o actual presidente do Grupo Académico de Danças Ribatejanas, um homem de acção, mas também alguém que procurava compreender o território onde vivia e encontrar formas de o desenvolver.
Essa dimensão ajuda a perceber por que razão a obra que deixou acabou por ultrapassar a própria agricultura. Ludgero Mendes considera que Celestino Graça se devotou à afirmação da identidade ribatejana, sobretudo através do folclore, mas sublinha que esteve igualmente empenhado no desenvolvimento socioeconómico da região. A Feira do Ribatejo viria a ser o exemplo mais evidente dessa capacidade para juntar mundos que até então pouco se cruzavam: produção agrícola, comércio, cultura popular e afirmação territorial.
Ludgero Mendes afirma ainda que Celestino Graça recusou, ao longo da vida, convites para assumir funções políticas, entre as quais a presidência da Câmara, o Governo Civil e um lugar na então Assembleia Nacional. Preferia, segundo o antigo colaborador, manter-se fora da intervenção político-partidária e concentrar a actividade em projectos capazes de reunir diferentes sensibilidades em torno dos interesses de Santarém e do Ribatejo.
Mais do que o exercício de cargos, interessava-lhe a possibilidade de concretizar ideias. E seria precisamente essa capacidade de transformar visão em acção que, a partir da década de 1950, começaria a deixar marcas duradouras na cidade.
A Feira que acordou uma cidade
Foi na agricultura que Celestino Graça encontrou um dos principais instrumentos para projectar Santarém e o Ribatejo. Em 1954, a cidade recebeu a primeira edição da Feira do Ribatejo, iniciativa que viria a crescer até se transformar na Feira Nacional de Agricultura e a fixar Santarém como um dos grandes centros de referência do sector agro-pecuário português.
A importância do certame não se esgotou, porém, na dimensão económica. Na leitura de Ludgero Mendes, a Feira do Ribatejo teve também um efeito directo sobre a própria vida da cidade. Recorda que Santarém vivia então num “autêntico marasmo” e considera que a realização da Feira ajudou a devolver-lhe vivacidade, capacidade associativa e uma nova dinâmica de crescimento.
As primeiras edições estavam muito longe da estrutura profissionalizada que décadas mais tarde viria a caracterizar o certame. Ludgero Mendes recordou, na sessão evocativa realizada nos 50 anos da morte de Celestino Graça, que muito era feito com poucos meios e através da participação directa da comunidade. Havia quem levasse varolas de eucalipto, quem preparasse esteiras, quem ajudasse a montar bancas e estruturas provisórias. “Tudo era feito à mão e com alma”, resumiu.
Essa capacidade de mobilização foi uma das marcas de Celestino Graça. Mais do que organizar uma feira, procurou criar um espaço onde a actividade agrícola, o comércio e a cultura popular se encontrassem. A Feira do Ribatejo transformou-se, assim, num ponto de contacto entre produtores, técnicos, comerciantes e população, ao mesmo tempo que afirmava externamente uma região cuja identidade económica estava profundamente ligada ao campo.
Ludgero Mendes sustenta que o impacto do certame se fez sentir também no desenvolvimento urbano. A cidade, então muito concentrada no núcleo histórico, começou progressivamente a expandir-se para outras zonas, num processo que associa, entre outros factores, à influência e à capacidade de atracção da Feira.
A evolução do certame acabaria por confirmar a dimensão da ideia inicial. A Feira do Ribatejo ganhou projecção nacional, cresceu em participantes e visitantes e viria a dar origem à Feira Nacional de Agricultura. Décadas depois, continua a ser uma das principais referências associadas a Santarém e uma das marcas mais reconhecíveis da ligação da cidade ao sector agrícola.
Para João Teixeira Leite, foi precisamente essa capacidade de pensar para além do imediato que distinguiu Celestino Graça. Na intervenção em que anunciou a atribuição da Chave d’Ouro, o presidente da Câmara considerou que o impulsionador da Feira teve a coragem de transformar em realidade uma visão de Santarém com maior dimensão e projecção.
A Feira foi talvez a demonstração mais visível dessa ambição, mas não foi a única. Enquanto o certame crescia, Celestino Graça desenvolvia outra frente de trabalho que viria igualmente a marcar a imagem do Ribatejo: a recolha, preservação e divulgação das suas danças, músicas, trajes e tradições.
Dar forma à identidade ribatejana
Se a Feira do Ribatejo projectou Santarém através da agricultura, foi no folclore que Celestino Graça encontrou outro dos grandes instrumentos para afirmar a identidade da região. O trabalho que desenvolveu neste domínio não se limitou à organização de espectáculos ou à criação de grupos. Partiu da recolha, do estudo e da preocupação em representar com rigor as danças, os trajes, a música e os costumes do Ribatejo.
Ludgero Mendes sublinha precisamente essa dimensão. Recorda que Celestino Graça foi dinamizador de um movimento de criação de grupos folclóricos e que fundou cinco formações, defendendo sempre a pesquisa, a recolha e um trabalho sério sobre as tradições populares. Para Mendes, essa vertente é hoje menos conhecida do que a ligação à tauromaquia ou à Feira, apesar de ter sido central no percurso de Celestino Graça.
A partir de meados da década de 1950, esse trabalho começou a ganhar expressão organizada. Em 1955 surgiu o Rancho Folclórico dos Pescadores do Tejo. No ano seguinte nasceram o Rancho Folclórico do Bairro de Santarém, o Grupo Infantil de Dança Regional e o Grupo Académico de Danças Ribatejanas. Ludgero Mendes descreveu Celestino Graça como o “motor” desse processo, capaz de identificar nas diferenças culturais de cada comunidade elementos de uma identidade colectiva mais ampla.
A preocupação não era apenas mostrar o Ribatejo, mas procurar fazê-lo de forma fiel. Esse princípio de autenticidade viria a marcar a chamada escola de Celestino Graça e a permanecer como referência entre os grupos que continuaram a sua obra. O Grupo Académico de Danças Ribatejanas, em particular, manteve essa ligação como uma das suas marcas identitárias, associando a representação pública ao estudo dos figurinos, das coreografias, dos contextos sociais e das práticas tradicionais.
Essa concepção ajudou também a projectar uma imagem do Ribatejo para além da região. Os grupos que ajudou a criar e dinamizar levaram consigo trajes, danças e músicas tradicionais a diferentes pontos do País e começaram a estabelecer contactos com outras realidades culturais.
O passo seguinte seria mais ambicioso: fazer de Santarém um ponto de encontro internacional de culturas populares. Em 1959, a cidade recebeu pela primeira vez um Festival Internacional de Folclore, iniciativa que viria a transformar-se numa das marcas mais duradouras do legado de Celestino Graça.
Quando Santarém se abriu ao mundo
A internacionalização seria o passo seguinte. Em 1959, Santarém recebeu a primeira edição do Festival Internacional de Folclore, criado a partir da experiência acumulada por Celestino Graça no contacto com outros encontros do género e concebido como espaço de cruzamento entre culturas populares de diferentes países.
Ludgero Mendes recorda que a ideia ganhou forma depois de Celestino Graça ter participado num festival semelhante em França. O objectivo era trazer para Santarém grupos estrangeiros e criar um encontro capaz de colocar lado a lado tradições, danças, músicas e trajes de diferentes origens, num tempo em que a circulação internacional era incomparavelmente mais limitada do que hoje.
O Festival cresceu rapidamente e passou a assumir uma dimensão que ia além da programação cultural. A presença de grupos estrangeiros transformou Santarém num ponto regular de contacto entre comunidades e países distintos, reforçando a ideia de que o folclore podia funcionar também como linguagem de aproximação entre povos.
Essa dimensão internacional ficou particularmente associada à participação de Celestino Graça no movimento que esteve na origem do CIOFF, criado em 1970 e dedicado à cooperação entre festivais e organizações de folclore. Ludgero Mendes recorda ainda a presença, em Santarém, de grupos oriundos de países do Leste europeu numa época em que Portugal não mantinha relações diplomáticas com alguns desses Estados.
Mais do que um pormenor diplomático, esse episódio ajuda a perceber a forma como Celestino Graça entendia o Festival. O objectivo não era apenas mostrar danças estrangeiras a um público português, mas criar relações duradouras entre organizações, grupos e territórios que partilhavam a preocupação de preservar e divulgar as respectivas culturas populares.
Essa vocação internacional sobreviveu-lhe. Ao longo das décadas, o Festival continuou a trazer a Santarém grupos de vários continentes e acabou por adoptar o nome de Celestino Graça, tornando-se uma das manifestações mais visíveis da continuidade da sua obra.
Foi precisamente nesse contexto que João Teixeira Leite escolheu anunciar, em Setembro deste ano, a atribuição póstuma da Chave d’Ouro da Cidade. Perante representantes estrangeiros presentes em Santarém, o presidente da Câmara recuperou uma das ideias centrais do percurso de Celestino Graça: a capacidade de partir da identidade local para projectar a cidade além-fronteiras.
Ao mesmo tempo que abria Santarém ao mundo através do folclore, Celestino Graça continuava a deixar marcas noutras áreas da vida da cidade. Uma das mais visíveis seria erguida em tempo recorde e com uma forte mobilização popular: a Monumental Praça de Toiros.
Uma praça construída pela cidade
A Monumental Praça de Toiros de Santarém, inaugurada em 1964, é outra das marcas materiais da intervenção de Celestino Graça na cidade. A ligação à tauromaquia fazia parte do seu universo cultural, mas, no caso da praça, o aspecto que mais se destaca nos testemunhos recolhidos é a capacidade de mobilizar pessoas, angariar fundos e transformar um projecto colectivo numa obra concreta.
Ludgero Mendes recorda que a construção beneficiou de alguns apoios públicos e de contributos particulares, mas sublinha sobretudo a participação de cidadãos que, não podendo ajudar com dinheiro, ofereciam dias de trabalho. Essa mobilização permitiu levantar a praça em pouco mais de cinco meses, num período em que a construção civil dispunha de meios técnicos muito mais limitados do que os actuais.
Para Ludgero Mendes, essa capacidade de reunir a comunidade em torno de um objectivo é uma das melhores expressões do modo de actuar de Celestino Graça. Não se limitava a lançar ideias: procurava envolver associações, instituições e cidadãos, distribuindo responsabilidades e criando uma lógica de participação directa. A praça tornou-se, assim, também um exemplo da forma como conseguia transformar entusiasmo colectivo em realização prática.
O mesmo testemunho acrescenta alguns episódios reveladores da relação de Celestino Graça com a obra depois de concluída. Ludgero Mendes recorda que geriu a praça durante várias temporadas sem remuneração e que, mesmo quando assistia a espectáculos, fazia questão de pagar bilhete. Recusava, segundo Mendes, beneficiar de privilégios associados à função que desempenhava, por entender que devia dar o exemplo.
A Monumental viria mais tarde a receber o seu nome, perpetuando uma ligação que ultrapassava a condição de aficionado. Na leitura de Ludgero Mendes, o contributo de Celestino Graça para a praça foi sobretudo o de alguém capaz de organizar vontades, convencer pessoas e manter um projecto em andamento até à conclusão.
Essa faceta de mobilizador aparece repetidamente em diferentes momentos do seu percurso. Na Feira, no folclore, no Festival ou na praça, Celestino Graça surge descrito por aqueles que com ele conviveram como alguém que tinha facilidade em reunir pessoas em torno de uma ideia e criar condições para que essa ideia se concretizasse.
O homem para lá da obra
As instituições e os equipamentos a que ficou ligado ajudam a medir a dimensão pública de Celestino Graça. Ludgero Mendes, porém, insiste também numa dimensão pessoal e cívica que considera essencial para compreender o seu percurso: a independência, a recusa de vantagens individuais e a preferência por causas capazes de mobilizar a região.
Ludgero Mendes afirma que Celestino Graça resistiu a convites para o exercício de funções públicas e políticas, incluindo responsabilidades na Câmara Municipal, no Governo Civil e na então Assembleia Nacional. Na sua leitura, essa recusa estava ligada a uma forma de estar que procurava evitar causas fracturantes e preservar liberdade de intervenção nos projectos que entendia úteis para Santarém e para o Ribatejo.
A memória pessoal de Ludgero Mendes acrescenta peso a este retrato. O actual presidente do Grupo Académico de Danças Ribatejanas conviveu muito proximamente com Celestino Graça: acompanhava-o e ajudava-o em tarefas de secretariado ligadas ao folclore, à Feira e a outras iniciativas. Mais tarde, aprofundou essa memória através do estudo do percurso profissional, técnico, associativo e cultural do homem que considera uma das grandes referências da região.
É também por essa proximidade que Ludgero Mendes atribui particular significado à Chave d’Ouro agora anunciada. Para o dirigente, a distinção não serve apenas para homenagear uma figura do passado. Serve também para recuperar uma dimensão que considera hoje insuficientemente conhecida: a de um homem cuja actividade atravessou agricultura, cultura popular, associativismo, comunicação e intervenção cívica e que, apesar disso, é muitas vezes lembrado apenas por uma parcela da obra que deixou.
Uma memória que o tempo fragmentou
Celestino Graça morreu em 1975. A partir daí, a continuidade da sua obra passou a depender das instituições, grupos e pessoas que tinham trabalhado com ele ou recebido directamente a influência do seu pensamento.
Foi nesse esforço de continuidade que o Grupo Académico de Danças Ribatejanas assumiu um papel particular. Ludgero Mendes manteve-se ligado ao movimento folclórico e à preservação de uma ideia de autenticidade assente na investigação, no rigor dos trajes, das danças e das práticas tradicionais. Nos 50 anos da morte do fundador, descreveu esse legado como uma “escola” que não se esgotava na dança, mas incluía uma forma de trabalhar, estudar e representar a cultura popular.
Mas a permanência das instituições não significou necessariamente a permanência do conhecimento sobre o homem. Ludgero Mendes admite que, sem a actividade do Grupo Académico e do Grupo Infantil, a realização do Festival que hoje ostenta o seu nome e a designação atribuída à Praça de Toiros, Celestino Graça poderia estar hoje profundamente esquecido.
O dirigente contou mesmo ter sido questionado recentemente, por alguém ligado ao folclore, sobre a razão pela qual o Festival tinha o nome de Celestino Graça. A pergunta revelava, no seu entender, como a memória pública se tinha tornado fragmentada: para uns, Celestino Graça estava sobretudo ligado à tauromaquia; para outros, à Feira; e poucos conheciam a amplitude de uma actividade que atravessou agricultura, folclore, associativismo, comunicação e intervenção cívica.
É também por isso que Ludgero Mendes entende a Chave d’Ouro como mais do que um gesto protocolar. Na sua perspectiva, a distinção permite voltar a falar de Celestino Graça e recuperar para o espaço público a dimensão integral de um percurso que o tempo foi dispersando por diferentes instituições e memórias.
Mais de meio século depois da sua morte, o nome permanece inscrito na cidade. A questão já não é apenas saber se Santarém se lembra de Celestino Graça, mas de que Celestino Graça se lembra.
Santarém diz obrigado
A atribuição da Chave d’Ouro da Cidade vem, assim, fechar um ciclo de reconhecimento que durante décadas ficou incompleto. Celestino Graça passará a integrar um grupo restrito de personalidades distinguidas com a mais elevada condecoração municipal, ao lado de Salgueiro Maia e Joaquim Veríssimo Serrão.
Para Ludgero Mendes, que dedicou grande parte do seu próprio percurso à continuidade dessa herança, a decisão tem um significado pessoal e institucional muito forte. “Fico muito grato por esse gesto de reconhecimento”, afirmou, lembrando que teve o privilégio de conviver de forma próxima com aquele que considera uma das figuras maiores da região.
Ludgero Mendes sublinha ainda a dimensão simbólica de Celestino Graça passar a ombrear com Joaquim Veríssimo Serrão e Salgueiro Maia. Recorda a amizade entre Celestino Graça e o historiador scalabitano e aproxima os três nomes pela integridade cívica, pela importância da obra deixada e por uma postura que, em diferentes contextos, colocou o serviço público acima das honrarias pessoais.
A cerimónia está marcada para 19 de Março de 2027, feriado municipal. Nesse dia, Santarém formalizará uma homenagem a um homem que morreu há mais de meio século, mas cuja presença continua inscrita em algumas das instituições, acontecimentos e símbolos mais reconhecíveis da cidade.
A Feira Nacional de Agricultura, o Festival Internacional de Folclore, os grupos que ajudou a criar e a Praça de Toiros são hoje realidades distintas, com percursos próprios e profundamente transformadas pelo tempo. Mas todas conservam, em maior ou menor grau, a marca de um período em que Celestino Graça conseguiu reunir agricultura, cultura popular, associativismo e participação cívica numa mesma ideia de afirmação regional.
Foi essa dimensão que João Teixeira Leite procurou sintetizar quando anunciou a distinção. “Será Santarém a dizer obrigado. Obrigado pela visão. Obrigado pela obra. Obrigado pelo legado.”
Mais de 50 anos depois da sua morte, a Chave d’Ouro não altera a obra de Celestino Graça. Mas devolve-a ao centro da memória pública da cidade e obriga a olhar de novo para um percurso que atravessou algumas das páginas mais marcantes da história contemporânea de Santarém.
No dia 19 de Março, a homenagem será formal. O legado, esse, há muito que faz parte da cidade.


