A judoca scalabitana Filipa Galache vai representar Portugal no Open dos Balcãs, que se realiza entre os dias 8 e 14 de Setembro, em Banja Luka, na Bósnia e Herzegovina. Em entrevista ao Correio do Ribatejo, a jovem atleta de Santarém, que compete no escalão Sub-18 (-52kg), revela o orgulho de levar as cores da região além-fronteiras e a cumplicidade com o seu pai e treinador, construída ao longo da sua caminhada desportiva.
Sendo natural de Santarém, o que significa para ti levar o nome do Ribatejo a uma competição internacional como o Open dos Balcãs?
É um enorme orgulho. Representar o Ribatejo numa competição internacional é levar comigo as minhas raízes e, ao mesmo tempo, mostrar o trabalho que é desenvolvido na nossa região. Enquanto atleta, sinto que é uma responsabilidade representar bem a minha terra, mas também uma motivação para continuar a trabalhar e a procurar chegar cada vez mais longe no desporto.
Qual foi a sensação quando soubeste que ias vestir e representar as cores de Portugal na Bósnia e Herzegovina?
Foi um momento de grande orgulho e emoção. Vestir as cores de Portugal numa competição internacional é algo que qualquer atleta ambiciona e, quando percebi que essa oportunidade ia acontecer comigo, senti que todo o trabalho e todos os sacrifícios estavam a valer a pena. É também uma responsabilidade acrescida, porque sei que estou ali não só em meu nome, mas a representar o meu país.
Para além de dar o teu melhor e dignificares o país, que metas desportivas traçaste para esta competição?
Entro nesta competição com a ambição de chegar o mais longe possível. Quero estar ao meu melhor nível, aplicar nos combates tudo aquilo que tenho trabalhado nos treinos e lutar por uma boa classificação. Ao mesmo tempo, quero aproveitar esta experiência para ganhar competitividade e aprender com atletas de diferentes países.
O escalão Sub-18 e a categoria -52kg exigem uma grande preparação. Como concilias os treinos com a tua rotina e os estudos?
Exige muita disciplina e organização. Nem sempre é fácil, principalmente nas fases de maior intensidade, mas aprendi a gerir o meu tempo e a estabelecer prioridades. O facto de ter objectivos no desporto também me ajuda a manter o foco nos estudos e nas restantes responsabilidades.
Como nasceu a paixão pelas artes marciais e quando é que percebeste que tinhas talento para competir ao mais alto nível?
A minha paixão pelas artes marciais nasceu muito cedo e está directamente ligada ao meu pai. Desde pequenina que cresci neste ambiente, a acompanhá-lo nos treinos e a vê-lo viver o desporto enquanto treinador. Foi ele quem me incentivou a experimentar, quem me ensinou os primeiros passos e, acima de tudo, quem me passou esta paixão. Mais do que o meu treinador, o meu pai sempre foi o meu maior exemplo e uma das pessoas que mais acreditou em mim.
Olhar para trás e perceber que aquela paixão que começou numa relação de pai e filha me trouxe até uma competição internacional tem um significado muito especial. Daqui a poucos dias vou representar Portugal no Campeonato dos Balcãs, na Bósnia e Herzegovina, e sei que, independentemente do resultado, esta será mais uma etapa que vamos viver juntos. É também uma forma de agradecer ao meu pai por tudo o que me ensinou e por nunca ter deixado de acreditar em mim.
Depois desta experiência internacional na Bósnia, quais são os próximos grandes sonhos que queres concretizar no desporto?
Quero continuar a crescer enquanto atleta e conquistar o meu espaço no alto rendimento. O objectivo passa por participar em cada vez mais competições internacionais, representar Portugal e lutar por resultados de maior expressão. A longo prazo, sonho chegar às maiores competições da modalidade e poder afirmar-me ao mais alto nível.
Que mensagem gostarias de deixar aos jovens ribatejanos que, tal como a Filipa, sonham representar o país no desporto de alta competição?
Diria para acreditarem no processo e não desistirem perante as dificuldades. O caminho do desporto de alta competição é feito de vitórias, derrotas, sacrifícios e muitos momentos em que é preciso continuar a trabalhar, mesmo quando os resultados não aparecem de imediato. Se existe um sonho, vale a pena trabalhar por ele, independentemente de onde começamos. Sou de Santarém e ter a oportunidade de representar Portugal internacionalmente mostra-me que é possível chegar mais longe com trabalho, dedicação e ambição.
