O 1.º Congresso Nacional dos Motoristas aprovou no sábado, 6 de Julho, por unanimidade, em Santarém, entregar no dia 15 um pré-aviso de greve a partir de 12 de Agosto até entrar em vigor o novo Contrato Colectivo de Trabalho (CCT) para o sector.

O congresso, com cerca de três centenas de motoristas, aprovou por unanimidade a proposta de CCT, apresentada pelos sindicatos Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIM).

A proposta prevê um aumento do salário base de 100 euros nos próximos três anos (1.400 euros brutos para 2020, 1.600 para 2021 e 1.800 para 2022), melhoria das condições de trabalho e pagamento das horas extraordinárias a partir das oito horas de trabalho, entre outras medidas.

O novo acordo vai ser levado à reunião de dia 15 para continuar as negociações com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), a federação filiada da CGTP, FECTRANS, mediada pelo Ministério do Trabalho.

Para a mesma reunião, os dois sindicatos vão levar um pré-aviso de greve, ameaçando paralisar a partir de dia 12 de Agosto, por tempo indeterminado, enquanto não entrar em vigor o novo CCT.

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas foi criado no final de 2018 e tornou-se conhecido com a greve iniciada no dia 15 de Abril, que levou o Governo a decretar uma requisição civil e, posteriormente, a convidar as partes a sentarem-se à mesa de negociações.

A elevada adesão à greve de três dias surpreendeu todos, incluindo o próprio sindicato, e deixou sem combustível grande parte dos postos de abastecimento do país.

Desde 15 de Abril, os dois sindicatos, FECTRANS e ANTRAM têm vindo a reunir-se para discutir um novo CCT, que as partes acordaram ao assinar um compromisso nesse sentido, levando os motoristas das matérias perigosas a suspender a greve.

Contudo, os dois sindicatos independentes queixaram-se, no congresso, de que a ANTRAM tem vindo a recuar e a “querer fugir” em relação a esse novo acordo, explicou à agência Lusa Pedro Pardal Henriques, advogado do SNMMP, em representação dos dois sindicatos.

“Estão a fazer o que têm vindo a fazer nos últimos 20 anos, brincar com as pessoas”, afirmou.

O advogado lembrou que a ANTRAM assinou um compromisso, que passava por negociar um novo, levando os sindicatos a suspender a greve iniciada em 15 de Abril.

Já a FECTRANS tem feito propostas “abaixo” do que pretendem, propondo não existir quaisquer aumentos salariais e um acréscimo de três horas à jornada diária de trabalho.

O sector reivindica também e propõe para o novo CCT um limite de horário semanal de trabalho de 40 horas, pagamento à hora, remuneração sem recurso a subsídios não declarados, o reconhecimento da categoria de motorista de matérias perigosas e proibição da circulação de veículos de matérias perigosas aos domingos e feriados.

O congresso foi promovidos pelos sindicatos Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIM).

Leia também...

Entrada de duas novas empresas esgota capacidade da Startup Santarém

A Startup Santarém esgotou a sua capacidade de receber novas empresas, depois de em Fevereiro de 2020 ter aberto uma nova ala para aumentar…

Cartaxo destaca evolução positiva apesar de permanecer no “grupo de risco”

A Câmara do Cartaxo destacou na passada semana a evolução positiva da sua situação financeira, apesar de permanecer no grupo de municípios com uma…

Câmara de Santarém lança hasta pública para concessão da cafetaria do Jardim da República

A Câmara Municipal de Santarém vai realizar uma hasta pública, no dia 02 de Outubro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, às 10h00,…

Mitsubishi Fuso anuncia aumento salarial extraordinário na fábrica do Tramagal

O presidente da Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), cuja fábrica em Tramagal, concelho de Abrantes, emprega cerca de 480 pessoas, anunciou uma actualização salarial…