As cheias dos últimos dias provocaram cortes de várias estradas no sul do concelho da Chamusca e obrigaram à retirada de alguns moradores no Arrepiado, embora sem registo de feridos, disse o presidente da câmara local, Nuno Mira.
Segundo o autarca, as inundações na zona sul do concelho provocaram vários cortes de vias na Estrada Nacional 118 e de outras estradas que fazem a ligação a Ulme, Parreira e Vale de Cavalos. Alguns acessos ficaram também condicionados por deslizamentos de terras.
Durante a noite, a subida do caudal do Rio Tejo obrigou à retirada de alguns moradores na aldeia do Arrepiado, numa operação que envolveu o Exército, a GNR e os bombeiros.
O município ativou os espaços previstos no plano de emergência para eventuais acolhimentos, incluindo o recém-inaugurado centro cycling do Arrepiado, com capacidade para 20 camas, e o edifício de São Francisco, com cerca de 40.
Contudo, apenas “meia dúzia” de pessoas tiveram de ser retiradas, muitas das quais seguiram para casas de familiares ou para o lar da Carregueira.
Segundo o autarca, a situação mais crítica registou-se na madrugada de quinta-feira, quando um deslizamento num ribeiro deixou uma habitação com água em ambos os lados, obrigando à rápida intervenção de equipas municipais para impedir que a casa fosse arrastada pela corrente.
Ainda segundo o autarca, perante o risco de isolamento da zona sul, o município contactou a escola local para que os alunos “regressassem a casa mais cedo, garantindo a sua segurança”.
Não há registo de feridos, mas o presidente da Câmara diz que os danos são muitos e atingem várias zonas do concelho.
“Creio que os prejuízos serão muitos, principalmente nas estradas, nas infraestruturas municipais, em casas particulares e, sobretudo, na parte agrícola”, afirmou, sublinhando que ainda não é possível avançar com uma estimativa.
O autarca destacou também o papel do Exército, cujo apoio permitiu agilizar as operações.
Para Nuno Mira, apenas as cheias de 1979 são apontadas como referência para um episódio de dimensão semelhante, mas, segundo o autarca, nunca se viveu na Chamusca uma tempestade com a intensidade verificada nos últimos dias.
O setor agrícola terá sido o mais prejudicado, indicou, enquanto os cortes de estrada afetam também a atividade industrial e a mobilidade no concelho.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.
