O Complexo Aquático de Santarém reabriu portas a 28 de Maio e voltou a afirmar-se como um dos equipamentos de lazer mais procurados da região durante o Verão. Mas, para Carlos Pinhão Coutinho, presidente do Conselho de Administração da Viver Santarém, a importância da empresa municipal vai muito além da gestão das piscinas, dos escorregas ou da época balnear. A partir de programas como o Toca a Nadar, o Viva Mais, a Escola Municipal de Natação e as caminhadas nas freguesias, a Viver Santarém procura afirmar o desporto como instrumento de saúde pública, inclusão, combate ao sedentarismo e coesão comunitária. Com o Município como accionista e o contrato-programa a garantir preços sociais, a empresa assume-se como braço operacional de uma política que pretende fazer de Santarém “um dos concelhos mais activos do país”.
O Complexo Aquático de Santarém voltou a abrir portas a 28 de Maio, no momento em que os primeiros sinais de Verão começam a empurrar famílias, grupos organizados e visitantes de várias zonas do país para espaços de lazer ao ar livre. A reabertura da época balnear devolve à cidade um dos equipamentos mais procurados da região durante os meses de calor e, ao mesmo tempo, coloca em evidência uma das faces mais visíveis da Viver Santarém: a gestão de um espaço que combina lazer, serviço público, receita própria e capacidade de atracção regional.
Para Carlos Coutinho, presidente do Conselho de Administração da empresa municipal, o Parque Aquático ocupa um lugar singular no universo da Viver Santarém. Ao contrário de outros equipamentos e programas desenvolvidos pela empresa, muitos deles assentes em preços sociais e numa lógica de acesso alargado da população, o complexo funciona numa lógica de mercado. Essa diferença é essencial para perceber o seu papel nas contas da empresa e no equilíbrio global da actividade municipal na área do desporto e do lazer.
“O Parque Aquático é o nosso centro de custos mais lucrativo, o único que opera numa lógica de mercado”, explica Carlos Coutinho, sublinhando que a receita gerada por este equipamento permite ajudar a compensar outros centros de custos mais deficitários. Na prática, a piscina de Verão não é apenas uma montra da empresa municipal. É também um instrumento financeiro que contribui para aliviar o esforço do orçamento municipal noutras áreas onde a prioridade não é a rentabilidade, mas sim o acesso dos cidadãos a programas de actividade física, natação, lazer e envelhecimento activo.
No ano passado, o Complexo Aquático registou cerca de 150 mil entradas entre Junho e Setembro. Para a nova época balnear, a expectativa é, pelo menos, manter esse patamar. “Temos tudo preparado para manter os mesmos números”, afirma o responsável, embora admita que há factores externos que podem condicionar a procura, nomeadamente o aumento dos custos dos transportes, com impacto particular nos grupos e projectos de ocupação de tempos livres que habitualmente procuram o espaço durante o Verão.
A ambição, contudo, não é apenas vender mais bilhetes ou aumentar a lotação diária. Carlos Coutinho insiste na necessidade de encontrar um equilíbrio entre procura, segurança e qualidade da experiência. Num equipamento desta natureza, recorda, há limites legais de capacidade, regras de utilização dos planos de água e exigências de segurança que não podem ser secundarizadas. “Não é aconselhável termos aqui muita gente se depois não houver capacidade de dar uma resposta positiva à utilização dos espaços”, refere, defendendo que a gestão do complexo deve ser feita com prudência e atenção à experiência real dos utilizadores.
Essa preocupação é particularmente relevante num espaço que tem uma oferta diversificada e dirigida a diferentes públicos. O Complexo Aquático dispõe de piscina recreativa com jogos de água e cascata, piscina de ondas, escorregas com várias pistas, escorregas em caracol, chapinheiro para bebés, piscina infantil, zona relvada, áreas de sombra, espreguiçadeiras, bar com esplanada e zona conforto junto à piscina de ondas. É esta combinação que transforma o equipamento num destino de Verão para famílias, crianças, jovens e grupos organizados.
Entre as várias atracções, a piscina de ondas continua a ser uma das marcas identitárias do espaço. “É sempre uma atracção diferenciada”, nota Carlos Coutinho. De hora a hora, durante cerca de dez a doze minutos, o plano de água ganha movimento e cria uma experiência diferente da utilização tradicional de uma piscina. Essa componente de “adrenalina”, como lhe chama o presidente da Viver Santarém, continua a ser muito valorizada por quem visita o parque e ajuda a explicar a notoriedade do equipamento para lá das fronteiras do concelho.
A época de 2026 mantém, no essencial, as atracções já conhecidas, mas a empresa municipal está a preparar uma nova fase de investimento. A principal novidade está já adquirida, embora só venha a ser instalada após o fim da actual época balnear: um novo escorrega, com utilização em bóias, pensado para acrescentar uma experiência diferente às existentes e reforçar a atractividade do parque em 2027. “É pena não termos conseguido este ano, mas vamos ter para o ano, com certeza”, afirma Carlos Coutinho.
O equipamento representou um investimento superior a 100 mil euros, valor a que acrescerá ainda o custo da montagem. A opção foi aproveitar um plano de água actualmente desocupado, sem necessidade de construir uma nova piscina, integrando a nova atracção na configuração existente do complexo. Para o presidente da empresa municipal, este tipo de investimento deve ser entendido como parte de uma estratégia de renovação progressiva do espaço. Nos últimos anos, recorda, a Viver Santarém tem procurado reinvestir uma parte da receita gerada pelo parque em novos equipamentos e melhorias de utilização.
Há três anos, a empresa instalou dois escorregas destinados aos públicos mais jovens, respondendo a exigências de segurança e adequação etária. Agora, com o novo escorrega previsto para 2027, a aposta desloca-se para uma atracção de maior dimensão e com uma utilização diferente, através de bóias. A lógica, diz Carlos Coutinho, é manter o parque competitivo, seguro e capaz de surpreender quem regressa todos os anos.
A animação diária do espaço é outra dimensão da experiência. A Viver Santarém promove aulas de hidroginástica ao longo do dia, dinamizadas por professores, e utiliza também a mascote do complexo em actividades dirigidas às crianças. Já foram testadas outras soluções, como insufláveis ou trampolins, mas nem todas resultaram. “As pessoas quando vêm para estes espaços vêm aproveitar a piscina, os escorregas e os jogos de água”, resume Carlos Coutinho, afastando a ideia de uma animação desligada da identidade aquática do parque.
No futuro, a empresa admite criar um parque de jogos de água, com estruturas próprias e elementos recreativos pensados especificamente para este contexto. Seria, segundo o responsável, uma forma de reforçar a animação sem desvirtuar aquilo que o público procura: água, movimento, frescura e lazer em família.
O desporto como política pública de saúde, inclusão e coesão
A partir do Complexo Aquático, que concentra a face mais lúdica e sazonal da Viver Santarém, abre-se uma dimensão mais profunda do trabalho desenvolvido pela empresa municipal. Para Carlos Pinhão Coutinho, o desporto não pode ser visto apenas como competição, ocupação de tempos livres ou utilização de equipamentos. Deve ser entendido como política pública de saúde, instrumento de inclusão, resposta social e factor de coesão comunitária.
É nessa leitura que a Viver Santarém tem vindo a construir a sua intervenção. A assinatura da empresa — “Desperta para o Desporto” — resume uma ambição que, nas palavras do presidente do Conselho de Administração, deve atravessar toda a acção municipal nesta área: “conseguir fazer com que Santarém seja um dos concelhos mais activos do país”. A frase é repetida por Carlos Coutinho como uma orientação estratégica, em articulação com o Município, que assume o papel de accionista e definidor das grandes linhas de actuação.
A ideia de um concelho mais activo não se esgota, porém, nos atletas federados, nos clubes ou nos equipamentos de maior visibilidade. Passa também por criar hábitos de prática física em públicos que, durante muito tempo, estiveram afastados de programas estruturados de desporto e actividade física. Crianças, seniores, famílias, freguesias rurais e pessoas em situação de maior isolamento fazem parte desse universo de intervenção.
O programa Viva Mais é talvez o exemplo mais claro desta transformação. Dirigido à população sénior, o projecto passou, em poucos anos, de cerca de 200 participantes para mais de mil. Desenvolve-se em todas as freguesias do concelho, com aulas duas vezes por semana, dinamizadas por técnicos da Viver Santarém que se deslocam ao território e utilizam espaços cedidos por juntas de freguesia ou associações locais. Os participantes pagam apenas uma inscrição simbólica no início do ano lectivo, destinada a cobrir despesas como seguro, t-shirt e actividades complementares, mas o custo real do programa é muito superior.
Para Carlos Coutinho, esse diferencial deve ser visto como investimento social. O Viva Mais não é apenas uma aula de ginástica para pessoas mais velhas. É uma resposta de saúde, mas também de sociabilização e combate ao isolamento. “Não é só a prática desportiva em si, mas também a promoção da sociabilização, do encontro e da partilha”, sublinha. A actividade física surge, neste contexto, como pretexto e ferramenta: melhora a mobilidade, cria rotina, estimula a saída de casa e reforça laços comunitários.
A mesma lógica está presente nas caminhadas pelas freguesias. O que começou com níveis de participação mais modestos transformou-se num movimento regular, com iniciativas que já juntam mais de 400 pessoas. A intenção, explica Carlos Coutinho, não é apenas reunir participantes numa caminhada mensal, mas despertar o gosto pela prática informal e regular. “Não é só para as pessoas virem fazer a caminhada uma vez por mês; é para que sintam o gosto da prática da caminhada e possam praticar actividade física de forma informal”, afirma.
Esta dimensão territorial é decisiva. A Viver Santarém não concentra a sua acção apenas na cidade ou nos grandes equipamentos. Vai às freguesias, às associações, aos salões comunitários e aos espaços onde as pessoas efectivamente vivem. Essa proximidade permite transformar a promoção do desporto numa política de alcance concelhio, com impacto fora dos centros urbanos e com capacidade de envolver públicos que não procurariam espontaneamente um ginásio, uma piscina ou um pavilhão.
Nas crianças, a aposta é igualmente estratégica. O projecto Toca a Nadar leva à piscina alunos do primeiro ciclo de todas as escolas do concelho. Carlos Coutinho fala de cerca de 2300 a 2400 crianças, distribuídas por mais de 170 turmas, acompanhadas por professores da Viver Santarém, com transporte assegurado e sem qualquer custo para as famílias. Não se trata apenas de ensinar natação. Trata-se de garantir contacto com o meio aquático, promover autonomia, segurança e criar uma experiência positiva de prática desportiva numa idade determinante.
A ambição da empresa é alargar, no futuro, esta intervenção a idades ainda mais baixas, nomeadamente ao pré-escolar. A razão é simples: quanto mais cedo uma criança tem uma boa experiência com o desporto, maior a probabilidade de manter esse hábito ao longo da vida. “Quando temos uma boa experiência de prática desportiva na infância, é mais fácil que esse gosto se mantenha”, defende Carlos Coutinho.
Também a Escola Municipal de Natação ilustra o crescimento da procura e a mudança de hábitos. Durante anos, a média de alunos rondava os 1500. Hoje, segundo o presidente da empresa municipal, já ultrapassa os 2500. É um sinal de vitalidade, mas também de pressão. A adesão demonstra que a população valoriza cada vez mais a aprendizagem, a prática regular e os benefícios da actividade física. Ao mesmo tempo, obriga a repensar horários, espaços, técnicos e capacidade instalada.
Carlos Coutinho enquadra estes números numa leitura nacional mais ampla. Portugal continua a apresentar níveis elevados de sedentarismo e uma percentagem significativa da população não pratica actividade física de forma regular. O responsável lembra que a actividade física tem impacto directo na prevenção de doenças cardiovasculares, no combate à obesidade e na melhoria geral da saúde. Por isso, defende, o investimento no desporto deve ser visto também como investimento preventivo em saúde pública.
“Um euro investido no desporto poupa vários euros na saúde”, afirma, recorrendo a uma ideia que, mesmo expressa de forma empírica, sintetiza a ligação entre actividade física, prevenção da doença e redução futura de custos sociais e financeiros. Para o presidente da Viver Santarém, os municípios têm aqui um papel incontornável, porque são as estruturas públicas mais próximas da população e aquelas que melhor podem transformar objectivos genéricos em respostas concretas.
A política pública de desporto, nesta perspectiva, não se limita à construção de campos ou pavilhões. Exige programas, acompanhamento técnico, acessibilidade económica, relação com escolas, trabalho com freguesias, articulação com clubes e continuidade ao longo do ano. É neste cruzamento que a Viver Santarém procura posicionar-se: como entidade gestora, mas também como agente mobilizador.
A força desta intervenção está precisamente na diversidade dos públicos. Crianças que aprendem a nadar, idosos que praticam actividade física duas vezes por semana, famílias que participam em caminhadas, alunos que frequentam a Escola de Natação, clubes que utilizam os equipamentos e cidadãos que descobrem uma rotina mais activa. Tudo isto compõe uma visão do desporto que ultrapassa a ideia de competição e se aproxima de uma política municipal de bem-estar.
A Viver Santarém surge, assim, como braço operacional de uma ambição mais vasta do Município: fazer da actividade física uma prática regular, acessível e transversal. O Complexo Aquático pode ser a montra mais visível da empresa nos meses de Verão, mas é nestes programas de continuidade, distribuídos pelo território e dirigidos a diferentes gerações, que se percebe a profundidade da sua missão pública.
Infra-estruturas, clubes e investimento municipal
O crescimento da procura pela actividade física e pelo desporto organizado tem uma consequência directa: aumenta a pressão sobre as infra-estruturas. Carlos Pinhão Coutinho chama-lhe “bons problemas” ou “crises de sucesso”. A expressão traduz bem o momento que Santarém atravessa. Há mais crianças a nadar, mais seniores a praticar actividade física, mais clubes a utilizar equipamentos, mais famílias a aderir a programas e mais freguesias mobilizadas para iniciativas de proximidade. Mas esse crescimento, para ser sustentado, exige piscinas, pavilhões, campos, técnicos, horários e capacidade de resposta.
É neste ponto que a acção da Viver Santarém se cruza com o investimento estratégico do Município, enquanto accionista da empresa e responsável pelas grandes opções de política desportiva local. A empresa municipal gere uma parte muito significativa da rede desportiva concelhia, articula horários, acompanha clubes, responde a escolas, organiza programas e procura garantir que os equipamentos existentes são utilizados de forma intensiva, mas equilibrada.
A dimensão dessa utilização é reveladora. Segundo Carlos Coutinho, os pavilhões municipais estão ocupados, em muitos casos, das 8h30 às 23h00, todos os dias. Durante o período lectivo, servem a comunidade escolar; depois, no horário pós-escolar, são ocupados pelo associativismo desportivo. Esta dupla função, escolar e comunitária, mostra a importância dos equipamentos, mas também evidencia o limite da capacidade instalada.
A relação com os clubes é, por isso, central. A Viver Santarém não substitui o movimento associativo, mas cria condições para que ele possa funcionar. São os clubes que mobilizam atletas, treinadores, dirigentes e famílias, sobretudo junto das crianças e jovens. À empresa municipal cabe gerir os espaços onde essa actividade acontece, garantir segurança, manutenção, disponibilidade e critérios de utilização. Não é uma tarefa simples. Quando a procura é superior à oferta, há sempre decisões difíceis sobre horários, prioridades e distribuição de espaços.
Carlos Coutinho reconhece essa tensão, mas sublinha que ela é sinal de vitalidade. Um concelho onde os clubes pedem mais horas de pavilhão, onde as piscinas têm listas de procura, onde os campos estão preenchidos e onde as escolas utilizam intensivamente os equipamentos é um concelho em movimento. O desafio é transformar essa vitalidade em planeamento e investimento, evitando que a falta de infra-estruturas bloqueie o crescimento da prática desportiva.
Daí a importância do ciclo de investimento que Santarém atravessa. Para o presidente da Viver Santarém, o Município tem hoje “um investimento histórico em infra-estruturas desportivas”, indispensável para responder ao crescimento da procura. A Cidade Desportiva, a Academia de Futebol, o Campo da Ribeira, o pavilhão de Pernes, os campos da Escola Superior Agrária e a utilização do CNEMA como solução de apoio fazem parte de uma rede que está a ser reforçada e reorganizada.
A Cidade Desportiva é um dos projectos estruturantes. Na primeira fase, ligada à Academia de Futebol, a obra tem avançado depois de ultrapassados vários constrangimentos, muitos deles relacionados com as condições climatéricas do Inverno. Carlos Coutinho lembra que estes trabalhos exigem movimentações de terra, estabilização de terrenos e preparação adequada das bases. A pressa, neste tipo de intervenção, poderia sair cara. “Ninguém iria entender que, daqui por um ano, o campo estivesse feito e começasse a ter problemas por a base não ter sido bem construída”, observa.
A expectativa é que esta primeira fase esteja concluída até ao final do ano, criando novas condições para os jovens e para os clubes. A Academia de Futebol surge, assim, como resposta concreta a uma área com forte pressão de utilização. O futebol continua a ser uma das modalidades com maior expressão no concelho, e a necessidade de campos de treino e formação é permanente.
O Campo da Ribeira é outro equipamento relevante neste processo. A sua requalificação tem vindo a ser preparada e deverá acrescentar capacidade à rede desportiva municipal. Também o antigo RI 15 e outros campos em intervenção ou reorganização entram nesta lógica de reforço da resposta. Ao mesmo tempo, a utilização do espaço do CNEMA permitiu resolver, de forma pragmática, uma dificuldade criada pelas obras noutros equipamentos.
Carlos Coutinho destaca o papel do CNEMA como parceiro “extraordinário”. A solução permitiu garantir continuidade à actividade de clubes e atletas, criando uma resposta desportiva num espaço que passou a ser novamente utilizado pela população. Para a Viver Santarém, esta experiência mostrou que a gestão da rede desportiva também exige flexibilidade: aproveitar espaços disponíveis, articular entidades e encontrar soluções transitórias que, em alguns casos, podem até ganhar carácter mais duradouro.
No domínio dos pavilhões, o pavilhão de Pernes assume especial importância. Será o nono pavilhão em utilização no concelho e terá impacto directo numa comunidade escolar significativa, abrindo também novas possibilidades para o associativismo desportivo em horário pós-escolar. Esta articulação entre escola e comunidade é uma das chaves da política municipal: os equipamentos não podem servir apenas um público ou uma função. Devem ser pensados para utilização alargada, intensiva e racional.
A rede actual já inclui vários pavilhões, como os da antiga Escola Prática de Cavalaria, D. João II, Mem Ramires, Alexandre Herculano, Sá da Bandeira e Alcanede, entre outros. A sua utilização diária mostra a capacidade de mobilização do concelho, mas também confirma a necessidade de reforço. Cada novo pavilhão, cada campo requalificado e cada espaço recuperado permite aliviar pressão, melhorar horários e dar melhores condições a clubes, escolas e praticantes.
Também a Escola Superior Agrária surge como peça importante nesta rede. O relvado natural já concluído poderá servir sobretudo para treino, ainda que não esteja vocacionado para competição formal por não dispor de todas as infra-estruturas de apoio. O espaço foi pensado com margem para uma futura pista de treinos, distinta da pista de competição prevista no masterplan da Cidade Desportiva. A solução permitirá responder a necessidades de diferentes comunidades: académica, desportiva, escolar e até ligada à equitação, com uma zona própria de circulação.
O que está em causa, no fundo, é uma visão integrada dos equipamentos. Construir novo é importante, mas também é decisivo recuperar, adaptar e rentabilizar espaços existentes. A Viver Santarém funciona aqui como entidade de gestão e articulação, enquanto o Município define e concretiza os investimentos estruturantes. O resultado, quando bem executado, é uma rede mais robusta, capaz de dar resposta a uma procura que não pára de crescer.
Esta dinâmica valoriza também o associativismo desportivo. Sem clubes activos, os equipamentos seriam estruturas subutilizadas. Sem equipamentos disponíveis, os clubes ficariam limitados na sua capacidade de formação e crescimento. A política pública desportiva vive deste equilíbrio: investimento municipal, gestão profissionalizada, movimento associativo forte e população mobilizada.
Carlos Coutinho insiste que não basta dizer às pessoas que devem praticar desporto. É preciso criar condições para que isso aconteça. Essa é a base da intervenção da Viver Santarém e do investimento municipal em curso. Numa altura em que se pretende combater o sedentarismo, promover saúde e afirmar Santarém como um dos concelhos mais activos do país, as infra-estruturas deixam de ser simples obras públicas. São instrumentos de desenvolvimento humano, social e comunitário.
Serviço público, preços sociais e missão da Viver Santarém
A leitura do trabalho da Viver Santarém ficaria incompleta sem a dimensão financeira e institucional que sustenta grande parte da sua actividade. A empresa municipal gere equipamentos, dinamiza programas, promove a prática desportiva e assume responsabilidades crescentes no concelho, mas fá-lo dentro de uma relação estreita com o Município de Santarém, o seu accionista. É nessa relação que entra o contrato-programa, muitas vezes lido apenas como apoio financeiro, mas que Carlos Pinhão Coutinho entende de forma diferente.
Para o presidente do Conselho de Administração, importa desfazer uma ideia simplista: a de que o financiamento municipal existe para “tapar prejuízos” da empresa. “Aquilo não é por causa de nós não termos capacidade de gerar receitas”, explica. A questão, sublinha, está na opção política do Município de garantir que a população tem acesso a equipamentos, projectos e serviços a preços sociais. O contrato-programa cobre a diferença entre o custo real das actividades e o valor efectivamente pago pelos utilizadores.
Essa distinção é essencial para compreender o modelo. Se a Viver Santarém cobrasse o preço integral de todos os serviços que presta, muitos programas teriam valores bastante superiores e poderiam ficar fora do alcance de uma parte significativa da população. A opção municipal é outra: manter preços equilibrados, garantir acesso alargado e assumir, através do contrato-programa, o diferencial entre o custo real e o preço social.
Carlos Coutinho dá exemplos concretos. O Toca a Nadar leva à piscina crianças do primeiro ciclo de todas as escolas do concelho, com aulas enquadradas por técnicos da empresa e transporte assegurado, sem custos para as famílias. São cerca de 2300 a 2400 crianças abrangidas, num projecto que tem encargos com professores, organização, utilização das piscinas e deslocações. “Obviamente que isso gera um défice”, reconhece, mas esse défice é precisamente o custo de uma política pública que garante igualdade de acesso.
O mesmo acontece com o Viva Mais, dirigido à população sénior. Os participantes pagam uma inscrição simbólica no início do ano lectivo, mas beneficiam de actividade física duas vezes por semana, em todas as freguesias, com técnicos que se deslocam ao território. O valor pago pelos participantes não cobre o custo real do projecto, nem é suposto que cubra. Serve para comparticipar despesas como seguro, t-shirt e actividades complementares. O essencial é permitir que a prática física regular chegue a pessoas que, de outra forma, dificilmente teriam acesso a uma resposta estruturada.
Também na Escola Municipal de Natação se aplica a mesma lógica. O preço praticado é social e aprovado em reunião de Câmara. Se fosse cobrado o custo real da utilização das piscinas, com professores, manutenção, energia, tratamento da água e demais encargos associados, os valores seriam necessariamente mais elevados. A decisão de não repercutir todo esse custo nos utilizadores é uma escolha de política pública.
Neste modelo, o Município assume a responsabilidade de garantir que o desporto, a natação, a actividade física e os programas de bem-estar não são apenas serviços disponíveis para quem pode pagar integralmente o seu custo. São instrumentos de qualidade de vida, saúde, inclusão e coesão social. A Viver Santarém, enquanto empresa municipal, executa essa estratégia no terreno.
É aqui que o Complexo Aquático volta a ganhar importância. Por funcionar numa lógica de mercado e por ser o centro de custos mais lucrativo da empresa, o Parque Aquático permite gerar receita própria que ajuda a equilibrar a actividade global. A receita obtida durante a época balnear contribui para reduzir o esforço financeiro exigido ao orçamento municipal e permite reinvestir no próprio equipamento. Quanto mais forte for a capacidade da empresa para gerar receitas próprias, menor será a pressão sobre o accionista.
Carlos Coutinho assume essa preocupação. “Quanto mais capacitada estiver a empresa para gerar receitas próprias, melhor vai ser o desempenho e menor vai ser o esforço do orçamento municipal”, afirma. A estratégia passa, portanto, por conjugar duas dimensões que nem sempre são fáceis de equilibrar: gerar receita onde existe capacidade de mercado e manter preços sociais onde a função pública e social da empresa assim o exige.
Este equilíbrio ajuda a explicar a natureza particular da Viver Santarém. Não é uma empresa privada orientada exclusivamente para lucro, nem um serviço municipal tradicional sem preocupação com eficiência económica. Situa-se num espaço intermédio: tem gestão empresarial, procura receitas próprias, investe em equipamentos e responde perante o Município, mas a sua finalidade última é prestar serviço público.
Essa missão tornou-se mais ampla nos últimos anos. À gestão de piscinas, pavilhões, campos e programas desportivos juntou-se a responsabilidade sobre o Mercado Municipal, um desafio diferente da matriz original da empresa. Ainda assim, Carlos Coutinho enquadra essa diversificação na mesma lógica de utilidade pública: gerir recursos municipais, dinamizar espaços e criar valor para a população.
No desporto, essa utilidade pública é particularmente evidente. Uma criança que aprende a nadar, um idoso que participa numa aula do Viva Mais, um clube que consegue treinar num pavilhão municipal, uma família que usufrui do Complexo Aquático ou uma freguesia que recebe uma caminhada organizada são expressões concretas de uma política que não se mede apenas por balanços financeiros. Mede-se também por participação, saúde, autonomia, convívio, formação e qualidade de vida.
Isso não dispensa rigor. Pelo contrário. Quanto maior é a exposição pública da empresa, maior é a exigência de transparência, prestação de contas e capacidade de explicar as decisões. Carlos Coutinho reconhece que há processos complexos, nem sempre visíveis para os cidadãos, que envolvem concursos, obras, manutenção, segurança, planeamento, custos e articulação com diferentes entidades. Daí a importância de comunicar melhor e de mostrar que a gestão dos equipamentos não se resume à sua abertura ao público.
A Viver Santarém surge, assim, como uma peça central da estratégia municipal para o desporto e a actividade física. É o braço operacional de uma política que procura tornar Santarém mais activo, mais saudável e mais próximo das pessoas. O Município define a orientação, investe nas infra-estruturas e assegura, através do contrato-programa, que os preços sociais continuam a permitir o acesso alargado. A empresa executa, gere, dinamiza e procura acrescentar eficiência e receita própria ao sistema.
No final, a missão pode resumir-se numa ideia simples, mas exigente: transformar investimento público em benefício concreto para a população. No Complexo Aquático, isso faz-se através do lazer e da receita própria. Nos programas sociais, através da inclusão e da saúde. Nos pavilhões e campos, através do apoio aos clubes, às escolas e aos praticantes. Nas freguesias, através da proximidade. E, no conjunto, através de uma política municipal que vê o desporto não como acessório, mas como factor estruturante de qualidade de vida.
É essa a principal mensagem que Carlos Coutinho procura afirmar: a Viver Santarém não existe apenas para gerir equipamentos. Existe para mobilizar pessoas, criar hábitos, democratizar o acesso, apoiar o movimento associativo e contribuir para que Santarém seja, efectivamente, um concelho mais activo.
