A Câmara Municipal de Santarém aprovou ontem as contas relativas a 2025 com os votos favoráveis do PSD e do PS e a abstenção do vereador do Chega, numa reunião do executivo marcada por críticas da oposição às opções políticas da maioria e por um confronto directo entre o presidente, João Teixeira Leite, e o vereador socialista Pedro Ribeiro em torno da criação da Universidade Politécnica do Ribatejo.

O Relatório de Gestão e Mapas de Prestação de Contas apresentam uma receita total de 74,5 milhões de euros, com uma taxa de execução de 87,3%, e uma despesa de 69,6 milhões de euros. O saldo de gerência fixou-se em 4,8 milhões de euros e o saldo corrente em 7,7 milhões, enquanto a dívida municipal desceu para 29,6 milhões de euros, longe dos 99,7 milhões registados em 2011.

Na apresentação do documento, João Teixeira Leite sublinhou que os resultados “reflectem um caminho consistente, feito com responsabilidade, visão e compromisso com o futuro”, apontando para uma estratégia assente em maior investimento, redução do endividamento e alívio da carga fiscal.

O PS reconheceu a correcção técnica das contas, mas deixou críticas às opções políticas do executivo. O vereador socialista Pedro Ribeiro considerou que a redução da dívida não pode ser dissociada de investimentos que ficaram por concretizar, apontando exemplos como a academia de futebol, a requalificação da Ribeira de Santarém ou equipamentos desportivos em freguesias do concelho.

Também Pedro Correia, do partido Chega, assinalou reservas, destacando a quebra do resultado líquido face ao ano anterior e questionando a execução de algumas medidas previstas, considerando existir uma diferença relevante entre o planeado e o concretizado.

O tom político da reunião subiu no período antes da ordem do dia, com um confronto directo entre João Teixeira Leite e Pedro Ribeiro a propósito do processo de criação da Universidade Politécnica do Ribatejo.

O vereador do PS acusou o presidente da autarquia de procurar capitalizar politicamente um projecto que classificou como antigo e dependente sobretudo de enquadramento legal e das instituições de ensino superior, afirmando que a postura do executivo fazia lembrar a de quem “vai lá tirar a bandeirinha, tipo cuco”.

A resposta do presidente foi imediata e em tom crítico, acusando Pedro Ribeiro de “andar sistematicamente a puxar Santarém para baixo” e classificando-o como “profissional do bota-abaixo” e “embaixador do pessimismo”. João Teixeira Leite defendeu que o projecto resulta de um trabalho conjunto entre o município, o Instituto Politécnico de Santarém, a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo e o Governo, envolvendo os 11 municípios da região.

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