A ponte da Escusa, no concelho de Coruche e que estava encerrada desde 2022, ruiu hoje na sequência da passagem da depressão Kristin, confirmou o comando Sub‑Regional de Emergência e Proteção Civil da Lezíria do Tejo.
“Recebemos a informação do Serviço Municipal de Proteção Civil de Coruche de que o tabuleiro, que já estava encerrado, abateu e caiu ao rio”, disse à Lusa o comandante sub-regional da Proteção Civil da Lezíria do Tejo, Rodrigo Bertelo.
Segundo o responsável, “a circulação na Ponte da Escusa estava interrompida há muito tempo” e o trânsito circulava por um desvio alternativo que, nos últimos dias, estava submerso devido à subida das águas.
A ponte da Escusa ligava o Couço a zonas como Erra e Texugueira, no concelho de Coruche, mas há mais de três anos que estava interrompida, obrigando a população da zona a percorrer desvios superiores a 50 quilómetros e a utilizar caminhos em mau estado.
A indefinição sobre a entidade responsável pela infraestrutura era uma das críticas apontadas pelos moradores da zona para o prolongar da situação.
“A Câmara Municipal de Coruche remete a responsabilidade para a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sorraia (ARBVS) e, por sua vez, a ARBVS afirma que a ponte não é da sua responsabilidade. Ambas as entidades alegam que a ponte não é sua propriedade”, indicaram num email enviado à Lusa anteriormente.
Contactada pela Lusa, a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sorraia (ARBVS) referiu que a infraestrutura “se encontra integrada no caminho municipal CM1436”, remetendo assim “qualquer esclarecimento” para a Câmara Municipal de Coruche.
Em resposta a questões colocadas pela Lusa, a Câmara de Coruche referiu na quarta-feira que a titularidade da ponte “tem sido objeto de análise técnica e administrativa” e que, apesar das conversações com a ARBVS e com a administração central, “não foi possível, até ao momento, apurar de forma conclusiva as responsabilidades legais associadas à ponte”.
Na resposta, o município recordou ainda que, após o encerramento da ponte em 2022 devido a “anomalias estruturais”, foram adotadas medidas como a criação de percursos alternativos, ações de monitorização e reforço da sinalização, e intervenções pontuais em caminhos de acesso.
Ainda segundo a Câmara de Coruche, vai ser elaborado um projeto técnico para a construção de uma nova travessia sobre o Sorraia, destinado a substituir a ponte que agora ruiu.
O projeto deverá estar concluído no verão, revelou o município, seguindo‑se o lançamento do concurso público para a empreitada.
No entanto, “não foi encontrado até agora qualquer tipo de financiamento” para a obra, acrescentou a Câmara de Coruche.
Na nota enviada à Lusa, a autarquia reconheceu que o prolongado encerramento da ponte tem “impacto negativo significativo” na mobilidade e na economia local, afetando populações, proprietários agrícolas e trabalhadores, e assegurou que continua a procurar soluções para “desbloquear o atual impasse” e minimizar os constrangimentos.
Segundo os moradores da zona, a passagem alternativa criada após o fecho da ponte, que liga o Couço a zonas como Erra e Texugueira, “está frequentemente submersa” e, sem ponte e sem essa alternativa “há pessoas que demoram quase duas horas para percorrer um trajeto que antes levava cinco minutos”.
“Os caminhos alternativos são de terra batida, sem condições de segurança, provocam danos nos carros e aumentam custos de combustível”, indicou um morador à Lusa, lamentando igualmente o mau estado da Estrada Nacional 119, que está “degradada ao ponto de nem um trator conseguir passar”, com buracos que “aumentam todos os anos” e dificultam o acesso a herdades e propriedades agrícolas da zona.
