O deputado social-democrata Duarte Marques defendeu hoje uma acção da população da Chamusca para que os governantes “abram os olhos e resolvam de vez” o problema das acessibilidades ao Ecoparque do Relvão.

O deputado eleito pelo distrito de Santarém disse à Lusa que “o desespero grassa há muitos anos” em torno daquela que “é talvez a obra mais justa da região”, a ponto de gerar o consenso de todos os partidos com assento parlamentar, considerando “incompreensível” que os governos não tenham aproveitado oportunidades como a criada agora com o Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) e que o Ministério do Ambiente recuse recorrer ao Fundo Ambiental.

“Não sei como é que aquela população nunca fechou aquela estrada ou como o próprio autarca nunca se chegou à frente e simbolicamente encerrou aquela estrada, nem que fosse durante uma hora. Acho que é isso que está a fazer falta para que as pessoas abram os olhos e resolvam o problema de vez àquelas pessoas”, declarou.

Para o deputado, não sendo a obra de maior monta, nem a que beneficia mais gente no distrito de Santarém, a questão da conclusão do IC3, entre Almeirim e Vila Nova da Barquinha, com uma nova ponte sobre o Tejo na Chamusca, “é talvez a obra mais justa da região”.

Duarte Marques lembrou que quando foi negociada a instalação no Ecoparque do Relvão, na freguesia da Carregueira, na Chamusca, dos dois únicos Centros Integrados de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Perigosos (CIRVER) existentes no país, “uma das contrapartidas” por as populações deste concelho “levarem com o lixo mais perigoso de todo o país, era pelo menos terem uma melhoria dos acessos”.

Os dois CIRVER foram instalados em 2008 no Ecoparque do Relvão, numa zona que tem vindo a acolher várias empresas que se dedicam a receber e tratar todo o tipo de resíduos.

“Ora, não só não tiveram uma melhoria, mas tiveram uma regressão total, porque aquelas pessoas têm a vida feita num inferno e, de facto, espanta-me como é que isto ainda não se resolveu”, declarou.

O deputado lamentou a resposta do ministro do Ambiente à proposta feita pelo PSD, de recurso ao Fundo Ambiental para financiar parte de uma obra que é da responsabilidade do Ministério das Infraestruturas, e manifestou a sua perplexidade pelo desconhecimento do problema revelado por João Pedro Matos Fernandes.

“É ridículo quando ouço responsáveis governamentais da área ambiental ou até autarcas que se referem à Chamusca e à deposição dos detritos ali como se chegassem de comboio. As pessoas não sabem que não há comboio na Chamusca? É de uma falta de conhecimento da realidade atroz quando o próprio ministro do Ambiente diz que os resíduos vêm de lá de cima do Norte para a Chamusca de comboio. Só se há algum comboio subterrâneo que nós não conhecemos”, afirmou.

Para Duarte Marques, a obra, ao contrário do afirmado pelo ministro João Pedro Matos Fernandes, enquadra-se nos objectivos do Fundo Ambiental, de “reparar danos de cumprimento de objectivos ambientais”, já que se trata de “uma externalidade negativa do Ecoparque do Relvão”, além de que muitas das empresas ali instaladas financiam o fundo.

“O Fundo Ambiental tem milhões de euros por ano, que o ministro do Ambiente usa, até de forma pouco transparente, para tudo e mais alguma coisa. Tem sido uma espécie de orçamento privado, não escrutinado, que o ministro do Ambiente tem para fazer as suas flores por esse país fora”, afirmou.

Na última audição do ministro na comissão parlamentar de Ambiente e Ordenamento do Território, Duarte Marques levou um vídeo que o próprio gravou junto à ponte da Chamusca para que, afirmou, Matos Fernandes deixe “de alegar desconhecimento do assunto para não ajudar a resolver o problema”.

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