O concelho de Rio Maior tem atualmente 17 pessoas desalojadas e 11 deslocadas devido ao mau tempo que causou o abatimento de várias estradas, uma das quais pôs três casas em risco, informou a Câmara.

Um “deslizamento de cunhas numa estrada, na zona de Fonte Longa, em Alcobertas, provocou uma situação muito grave” com o abatimento da via a “pôr várias casas em risco, casas que tiveram de ser evacuadas, portanto, neste momento, temos pessoas desalojadas e outras deslocadas das suas habitações”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Rio Maior, Filipe Santana Dias.

Três famílias “tiveram que ser retiradas de casa, num total de 11 deslocados que estão atualmente alojados em casa de familiares”, explicou o autarca do distrito de Santarém.

Desde o início da depressão “há ainda o registo de 17 desalojados, que foram instalados em unidades hoteleiras, a expensas do município”, disse Filipe Santana Dias.

Entre as situações mais graves registadas na sequência da depressão Kristin, o presidente destaca a da vila da Marmeleira, “que tem quatro vias principais de acesso, das quais três estão completamente inutilizadas por grandes deslizamentos de massas que destruíram completamente estes acessos”.

A única via transitável é agora “aquela que realiza o abastecimento público de água à vila, que atualmente está a ser assegurado por transporte automóvel”, através de autotanques do município, dos Bombeiros de Rio Maior e da corporação de Alcanede, à qual o município “pediu hoje ajuda”.

Estas preocupações foram transmitidas hoje pelo autarca ao ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, durante uma visita ao concelho para avaliar quer estes danos quer “danos transversais a todo o território, como as quedas de árvores e os danos em muitas infraestruturas desportivas que necessitarão de um trabalho extraordinário”.

Daí que Filipe Santana Dias tenha hoje sublinhado ao governante “a necessidade óbvia” de terem apoios para poderem “recuperar todo o património público que foi afetado” e que, no caso das estradas, poderão demorar “muitos meses a reparar”.

“São obras que muitas delas exigirão recurso a estacaria para que possam ter estabilidade nos seus taludes e dar sustentação à plataforma das estradas”, o que, segundo o presidente, além de “serem obras muito caras” contam com a dificuldade de não haver “no mercado português muitas empresas a fazer este tipo de trabalho”.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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