Os autarcas de Constância e de Abrantes congratularam-se com o anúncio do arranque do processo de classificação do Sítio Arqueológico de Alcolobre pela Direção-Geral do Património Cultural.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, disse que “a ideia é bem-vinda”, tendo feito notar que o local, que se situa em terreno privado nas freguesias de Santa Margarida da Coutada e Tramagal, “tem vários pontos de interesse histórico, como uns balneários e umas termas romanas, um antigo forno, a parte da necrópole e uma barragem”, constituindo “um activo natural e patrimonial” que pode ser explorado.

“Se o processo de classificação for concluído acho que será mais um polo de atracção turística da região, do concelho de Constância e de Abrantes, visto que fica mesmo no limite [dos dois concelhos] e uma vez que há vestígios e zonas que podem ser classificadas quer do lado de Constância, quer do lado de Abrantes”, notou, defendendo um “processo articulado com o proprietário da quinta” onde se situam as ruínas do balneário romano, a poucos metros da ribeira de Alcolobre, que desagua no Tejo, num antigo terraço fluvial.

Alcolobre é a denominação da ribeira que delimita geograficamente os concelhos de Abrantes e Constância e em torno da qual gravita um “sítio arqueológico com ocupação do período romano e da Idade do Ferro conhecido por Alcolobre, Alcolobra ou Casal do Carvalhal composto por um alargado conjunto de estruturas e vestígios (alguns já com escavações arqueológicas), compostos por um forno, umas termas, um balneário, uma necrópole e uma barragem/represa”, disse à Lusa a arqueóloga Filomena Gaspar, do município de Abrantes.

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“Sempre que há uma qualquer iniciativa do ponto de vista governamental para auxiliar a melhor conservar e preservar espaços tão distintivos como a ribeira de Alcolobre é sempre algo que nos engrandece, enobrece e também nos responsabiliza muito”, disse à Lusa, por sua vez, o vereador da Cultura do município de Abrantes, em reacção à publicação hoje em Diário da República (DR) da “abertura do procedimento de classificação do Sítio Arqueológico de Alcolobra, na Herdade do Carvalhal, freguesia de Santa Margarida da Coutada, concelho de Constância, e freguesia do Tramagal, concelho de Abrantes”.

Segundo notou Luís Correia Dias, “a ribeira de Alcolobre tem um activo patrimonial, quer do ponto de vista natural, quer do ponto de vista arqueológico, da maior relevância na região”, tendo defendido a união das duas freguesias e dos dois municípios contíguos no “capitalizar de um novo percurso pedestre onde seja visível a beleza natural e o património arqueológico”, daquele lugar.

“O município de Abrantes tem, entre o espólio recolhido por Diogo Oleiro para o Museu Regional D. Lopo de almeida, algumas peças recolhidas nesta estação arqueológica, sobretudo materiais de uso comum como material cerâmico de construção”, disse a arqueóloga Filomena Gaspar, tendo destacado “um bastão de mando”, encontrado neste sítio, e “que aponta para a presença na área de uma ocupação desde, pelo menos, a Idade do Ferro”.

Segundo o documento publicado em DR, “o sítio arqueológico em vias de classificação” pela DGPC “e os imóveis localizados na zona geral de protecção (50 metros contados a partir dos seus limites externos, ficam abrangidos pelas disposições legais em vigor”, sendo que “o interessado poderá reclamar ou interpor recurso hierárquico do acto que decide a abertura do procedimento de classificação sem prejuízo da possibilidade de impugnação contenciosa”.

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