O Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja que se comemorou na passada terça-feira, dia 18 de Outubro, foi assinalado pelo Museu Diocesano de Santarém com o Seminário e Exposição “Os Três Mundos de Santarém”.

A sessão de abertura desta iniciativa, que decorreu no Museu Diocesano, contou com a participação de João Teixeira Leite, vice-presidente da Câmara de Santarém, que enalteceu o Museu Diocesano de Santarém, em geral, e o Padre Joaquim Ganhão, director deste Museu, em particular, “pela dinâmica impressa e pela importância do trabalho desenvolvido, em prol do património histórico, determinante para Santarém”.

João Teixeira Leite relembrou que “os protocolos firmados entre o Município e o Museu Diocesano de Santarém, no âmbito da Rota das Catedrais, que levaram à atribuição do Prémio Europa Nostra de Património Cultural, relativamente à Reabilitação da Catedral e Museu Diocesano de Santarém, e há cerca de dois meses, o protocolo de colaboração que permite a abertura diária ao público de diversos monumentos da Cidade, são determinantes na afirmação de Santarém, como Cidade com um património riquíssimo, que dá gosto conhecer”.

O autarca acrescentou ainda que “o aumento de visitas dos nossos monumentos é muito importante e dá resposta à aposta neste tipo de parcerias, entre várias entidades, que se consubstancia e demonstra o valor do nosso património, que leva a que, dezenas de pessoas como as que hoje aqui estão presentes neste Seminário, se interessem por estudar Santarém, ao longo dos tempos, trazendo públicos de vários países, atraídos por aquilo que temos para oferecer e que querem descobrir, investigar, conhecer”.

Esta iniciativa decorreu ao longo de todo o dia, resultando do projecto dos alunos do Mestrado em Turismo, do Departamento de Estudos Lusófonos da Universidade Aix-Marseille e da Cátedra Eduardo Lourenço – Instituto Camões, e que teve como objecto de estudo a cidade de Santarém, através das comunidades muçulmanas, judaicas e cristãs, que a habitaram até ao século XVI, e que procura promover, em parceria com o Museu Diocesano de Santarém, e com o apoio do Município de Santarém, uma exposição informativa que contribua para melhor orientar, enquadrar e contextualizar o visitante, nos diversos percursos que podem ser realizados pelo Centro Histórico.

A responsável pelo sector dos Bens Culturais da Igreja na Diocese de Santarém explicou ao Correio do Ribatejo que estes trabalhos reúnem contributos de vários especialistas nacionais, bem como de alguns dos alunos que desenvolveram este projecto.

“São alunos área de Turismo, da parte de Estudos Lusófonos, que fazem várias visitas a Portugal e acharam que Santarém era um objecto de estudo relevante, e entenderam dedicar todo a sua investigação a este trabalho, proporcionando esta exposição que, na prática, o que pretende é disponibilizar conteúdos a todos os que visitam Santarém, sobretudo conteúdos sobre as três comunidades, três crenças que a habitaram: os Muçulmanos, os Judeus e os Cristãos que aqui conviveram.

Para Eva Raquel Neves, o Centro Histórico já não é muito evidente, para quem visita, perceber os locais onde se instalaram estas comunidades: “perdemos muito em termos de vestígios”, constata, sendo que esta mostra vem, precisamente, “dar um leque de informação para que as pessoas possam localizar em termos históricos e em termos da evolução da própria comunidade quando visitam Santarém”.

Com oito anos de existência, o Museu Diocesano de Santarém tem dado um importante contributo para a cidade, não só em termos de preservação, mas também fazendo de Santarém “um projecto turístico, de acolhimento, e um projecto para a comunidade que aqui habita”.

“Temos sentido, com o apoio de todas as outras entidades, que já fazemos parte desta dinâmica e temo-nos esforçado muito para conseguir dar o melhor a cada projecto que abraçamos”, assinalou ainda a responsável.

Um esforço que tem sido reconhecido, até fora de portas, com várias distinções que o Museu tem recebido: recentemente foi-lhe atribuído o Prémio de Melhor Catálogo do ano, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM).

“O premio enche-nos de orgulho e é uma forma de retribuir um contributo que foi gigantesco, de mais de 50 autores, que, de uma forma muito generosa e gratuita nos ajudaram a estudar as nossas peças e nos ajudaram a contribuir um pouco mais para o conhecimento da Catedral e do espólio que está à disposição do Museu. Eu penso que a cidade também nos vai reconhecendo e mostrando carinho pelo nosso trabalho e pelas dinâmicas que vamos fazendo.”, concluiu Eva Raquel Neves.

O Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja, iniciativa assinalada, desde 2011, a 18 de Outubro (dia de S. Lucas, padroeiro dos artistas) visa promover a reflexão e a partilha do trabalho desenvolvido no contexto das dioceses portuguesas, mas também debater novas propostas de actuação, avaliar dificuldades e identificar os principais desafios com que se confrontam.

Nesse sentido, as comemorações deste dia pretendem alcançar um âmbito nacional, de modo a potenciar as oportunidades de partilha entre os diferentes serviços, bem como permitir uma maior visibilidade e sensibilização junto de um mais vasto leque de pessoas, dentro e fora do contexto eclesial.

Trata-se de um momento singular para a promoção do património eclesial junto da sociedade, na sua especificidade e realçando a missão e diversidade que o define, visando o cruzamento de experiências e a potenciação de sinergias, reforçando a cooperação e criando novas articulações entre as instituições envolvidas.

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