“Um bom dançarino tem de ser capaz de vencer sem passar por cima de ninguém”

A dança desportiva é olhada como uma modalidade de elite, muito por força dos custos elevados para a sua prática. Este desporto está em franco crescimento no país e, em menos de uma década, evoluiu de forma exponencial, quer ao nível da qualidade, quer no número de praticantes. Santarém não passa ao lado desta realidade e tem produzido vários campeões: “a dança está na moda” e a registar uma adesão crescente de jovens. Caso de Daniil Bondarenco que, aos 18 anos, juntamente com Juliana Reis, com quem dança há dois anos, foi campeão nacional pela Associação de Dança Desportiva de Tremez – ADDT. Daniil nasceu para a dança por influência da mãe, depois de ter iniciado a sua ‘carreira desportiva’ no hóquei em patins. Os treinos são exigentes mas é com gosto e entusiasmo que vai aprimorando as técnicas ao mesmo tempo que concilia esta actividade com os estudos na Escola Ginestal Machado.

Como surgiu o gosto pela dança?
O meu gosto pela dança surgiu quando tinha aproximadamente 12 anos, na altura praticava hóquei patins e sempre gostei de me mexer mais e mais até que a minha mãe sugeriu um treino de dança para ver no que dava!

Porquê danças de salão?
A dança de salão veio de um gosto da minha mãe e da minha avó, maioritariamente. Penso que passaram essa paixão para mim e assim foi: fui motivado a dançar qualquer tipo de dança de salão, seja mais clássica seja mais latina.

Dentro de todas essas danças de salão, qual é a preferida?
A dança que mais gosto é o Jive [dança de salão, idêntica ao chá-chá-chá, que mistura rock e boogie woogie americanos] por três simples razões: é mais livre, ritmada e mexe tanto com as pessoas que estão a assistir como com as que dançam.

Quantas vezes por semana treina?
Este ano tivemos o privilégio de sermos campeões nacionais e isso provém de trabalho constante de pelos menos quatro dias por semana e duas horas por dia.

Por que níveis se passa até chegar ao nível em que está?
Existem vários tipos de escalões, separados por faixas etárias, e vários níveis, a começar por juvenis, iniciados, intermédios e, por fim, os open no qual nós nos encontramos actualmente.

Quais as qualidades essenciais para se ser um bom dançarino?
Um bom dançarino tem que ser um dançarino elegante, resiliente e principalmente humilde, capaz de vencer sem passar por cima de ninguém.

Durante a dança, esquece tudo o que está à volta ou a cabeça não pára?
Pessoalmente, a minha cabeça não para enquanto estou a dançar pela seguinte razão: não só eu, mas a maior parte dos dançarinos tenta ter o máximo de rigor enquanto dança e quando acabamos de dançar passa-nos sempre na cabeça se as pessoas realmente nos gostaram de ver.

O que é o mais difícil na dança para si?
Para mim o mais difícil na dança é realmente manter boas relações com qualquer tipo de dançarino, seja competidor directo seja indirecto porque existe tanta rivalidade entre os dançarinos que acabam por desrespeitar a própria ética desportiva.

Já houve alguma ocasião em que lhe apeteceu desistir?
Existiram ocasiões que me apeteceu desistir, sem dúvida… mas olho para trás e penso em todo o trabalho que tive para chegar até aqui e chego à conclusão: ‘porquê desistir’?

Qual foi a competição que mais gostou de participar até ao momento?
A competição que mais gostamos de competir foi no German Open Championship, na Alemanha, por tantos factores, a começar pelo número de competidores no nosso escalão (mais de 200): um ambiente de competição incrível, grandes salões e pessoas de todos os lados do mundo.

Quais são os teus planos futuros? Até onde quer chegar na dança?
Um dos objectivos que eu tinha era o de vir a ser campeão de Portugal. Agora, este já está realizado e o próximo é vir a ser um dos melhores dançarinos do mundo, fazendo o que mais gosto, que é dançar, e mostrar às pessoas a arte de dançar!

Viagem?
Maldivas.

Música?
Mixed personalities.

Quais os seus hobbies preferidos?
Praticar desporto, ouvir música.

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria?
Evitava as guerras mundiais.

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferiria?
Gostaria de entrar na velocidade furiosa.

O que mais aprecia nas pessoas?
Humildade.

O que mais detesta nelas?
Mania.

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