O vogal da Liga dos Combatentes de Abrantes acusado de falsificação de receitas médicas negou estar envolvido no esquema alegadamente concebido por um farmacêutico e que lesou o Estado em mais de 2 milhões de euros.

Ouvido pelo Tribunal de Santarém, o homem admitiu que preencheu alguns cabeçalhos de receitas sempre que o médico que prestava atendimento semanal na Liga lhe pediu, mas negou alguma vez ter inscrito os nomes dos medicamentos e ter passado receitas por sua iniciativa, como consta no processo em que é arguido juntamente com outras 24 pessoas e duas farmácias.

A pedido da procuradora do Ministério Público, o arguido foi confrontado com várias receitas constantes no processo, apenas reconhecendo a sua letra em algumas e atribuindo as outras ao médico, o que levou a mandatária deste a questioná-lo sobre se se tratava de uma suposição ou se tinha visto o clínico a passar todo aquele receituário.

Ouvido no passado dia 2 de Maio, na primeira audiência do julgamento, o médico admitiu ter “facilitado” que a burla ocorresse, ao deixar receitas assinadas e com a vinheta junto do funcionário, mas assegurou que desconhecia que estavam a ser usadas num esquema fraudulento.

“Facilitei, mas não fui corrupto”, declarou, assegurando que nunca se tinha apercebido do elevado número de receitas em que consta o seu nome e que integram as cerca de 8.000 que foram juntas ao processo.

Confrontado pela juíza presidente do colectivo, Cristina Almeida e Sousa, o médico disse não conseguir reconhecer a letra presente nas receitas que lhe foram mostradas.

O dirigente da Liga afirmou que prestava assistência, de forma voluntária, ao médico nos dias em que este dava consulta e que era habitual ficar o bloco de receitas já assinadas e com a vinheta numa gaveta sem chave, admitindo que outros elementos da instituição tinham acesso, mas declarou a sua convicção de que “ninguém mexia”.

Segundo afirmou, teve conhecimento deste processo em 5 de Julho de 2017, numa altura em que se encontrava a convalescer de uma cirurgia que levou à sua ausência da Liga desde Abril desse ano, confirmando que foi constituído arguido apenas um ano depois, altura em que a sua casa foi alvo de buscas.

O principal arguido do processo, proprietário e director técnico das duas farmácias que terão servido para o recebimento ilícito de comparticipações do Serviço Nacional de Saúde, num valor global de 2.116.392 euros (uma em Abrantes e outra, a partir de Janeiro de 2017, em Lisboa), irá prestar declarações apenas no final da audição de testemunhas.

Este arguido é acusado de ter concebido e executado um plano de angariação de receituário forjado, sobretudo de medicamentos com elevados valores de comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), entre Fevereiro de 2012 e Julho de 2017.

O Tribunal tinha convocado para depor como testemunha, o padre responsável pelo projecto Homem (frequentado por alguns dos toxicodependentes acusados no processo de angariação de receitas para entregar ao farmacêutico), mas o cónego justificou a ausência com doença.

Leia também...

Delegada de Saúde Pública defende 13 de Outubro em Fátima sem peregrinos

A delegada de Saúde Pública do Médio Tejo defendeu que as cerimónias religiosas do 13 de Outubro no Santuário de Fátima, Ourém, decorram “sem…

Distrito de Santarém tem mais de dois mil idosos em situação de isolamento

Foto de arquivo Portugal tem mais de 42 mil idosos em situação de isolamento, 2035 dos quais 2035 a serem sinalizados pela GNR no…

Rapaz de 13 anos e jovem de 18 morreram hoje em praias fluviais portuguesas

Um rapaz de 13 anos e um jovem de 18 foram morreram hoje afogados nas praias fluviais de Valada, no Cartaxo, e da Senhora…

Câmara de Santarém baixa IMI e derrama para empresas em 2020

A Câmara de Santarém aprovou esta segunda-feira, 18 de Novembro, um abaixamento das taxas municipais de IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) e de derrama…