O Dr. Luís Paulino, o médico por vocação e convicção, conhecido como “o médico dos artistas” lança o seu terceiro livro “Dos Palcos da Vida, até à Casa do Artista”, no próximo dia 2 de Março, no Teatro Armando Cortez. As receitas do livro revertem a favor da Casa do Artista, onde é médico, e partilha, quotidianamente, uma relação de proximidade e humanismo com os residentes, defendendo a vida como um ideal supremo.
“Dos Palcos Da Vida até à Casa do Artista”, como chegou o Dr. Luís Paulino à Casa do Artista?
O convite foi feito, pelo José Raposo, um amigo de longa data, um actor de excelência, nessa altura, estava a trabalhar noutro lado. Inicialmente vim cá, marcou-se um encontro com a direcção da Apoiarte, ainda no tempo do saudoso Luís Aleluia. Apresentaram-me condições que eu, inicialmente, não podia aceitar, essencialmente porque não queria andar a correr de um lado para o outro, tem a ver com a práxis da medicina, eu não queria fazer disto uma consulta, ou uma estadia, como se costuma dizer no sentido pejorativo “uma visita de médico”. Estive inclinado inicialmente a dizer que não, só que depois o José Raposo, falou comigo, e estipulou-se um horário, definiram-se as condições, e apresentou-me o convite de forma irrecusável. Aceitei com muito gosto, estou aqui há cinco anos.
É um exemplo de residência sénior, a Casa do Artista?
Eu penso que sim. Tem muitas falhas, obviamente, como não há nada na vida que seja perfeito. Agora, que se sente falta de muitas “Casa do Artista” espalhadas pelo país fora, sem dúvida. Como diz, é um exemplo do que devia haver e não há.
A Casa do Artista destina-se aos artistas e seus familiares, e espelha bem esta lacuna no país. Os cuidados continuados, cuidados paliativos, praticamente não existem no nosso país. Existem de facto, no papel, mas, as deficiências são muitas, é como se não existissem. Quando se olha para uma estrutura destas, uma “Casa” destas, é uma alegria, é pena ser para um nicho, só para algumas pessoas, que trabalharam para nós durante muitos anos, e que estão aqui, e nós pensamos e dizemos, um dia mais tarde, tomaria eu vir para uma Casa destas. Olhando para a Casa do Artista sente-se muito a falta daquilo que não temos no nosso país.
Os Lares e Casa de Repouso são muito deficientes no nosso país?
Precisamente. Para muitos é o fim da linha. Na nossa civilização ocidental, sim. Na civilização oriental é o idoso, é sabedoria, é a mais valia, é uma pessoa à volta da qual toda a sociedade se revê, se identifica, acarinha e respeita. Aqui não. Entre nós o idoso é uma pessoa que não produz, não presta, e como tal, é um peso para a sociedade. Outrora a velhice era uma dignidade, agora é um peso. A vida de hoje está assente noutras estruturas, e os idosos têm de ir para um Lar. E ir para um Lar é sujeitar-se àquilo que existe, e o que existe, salvo raras excepções, estamos a falar numa delas, é mau. Os Lares no nosso país não são de boa qualidade. Eu deixo neste livro algumas reflexões: “Estará o país preparado para a Terceira Idade? Podemos confiar no SNS, tal como está? Será que o sector privado é mesmo uma alternativa? Os cuidados continuados existem? Os cuidados paliativos existem? A saúde mental na velhice é ponderada? São problemas à volta dos quais devemos refletir, para modificar e melhorar, porque o que temos, é extramente deficiente.
Os direitos autorais são todos dedicados à Casa do Artista?
Todos. O livro intitula-se “Dos Palcos da Vida à Casa do Artista”, tem o prefácio de Júlio Isidro, e é lançado, aqui no Teatro Armando Cortez, no próximo dia 2 de Março, às 17 horas.
Vem diariamente à Casa do Artista, como se sente no final de cada dia?
De uma maneira geral, saio de alma cheia. Claro que há sempre coisas que se poderiam melhorar, era preciso mais pessoal de enfermagem, arsenal terapêutico, para que muitos casos fossem resolvidos aqui, sem a necessidade de deslocação ao hospital. Todavia, missão cumprida, fazemos aquilo que podemos dentro daquilo que temos e é possível.
O Dr. Luís Paulino Pereira tem uma ligação muito especial a Santarém…
Tenho uma ligação muito profunda com Santarém. O meu bisavô, era o Monsenhor Sabino Paulino Pereira, era de Santarém, bem como todos os seus irmãos. Foi ele que fez o primeiro “Avé de Fátima,” e está sepultado em Santarém, é uma cidade que me diz muito em relação ao passado. Tenho muitos amigos na vossa cidade, nomeadamente, o senhor Bispo, D. José Traquina.
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