Com raízes culturais bem firmes na dança, música e teatro tradicional, Daniel Ribeiro lança-se agora num novo desafio artístico com a estreia de “As Campainhas”, a 15 de Março, na Póvoa de Santarém. Licenciado em Teatro pela Universidade de Évora e envolvido desde criança em diversas expressões artísticas, desde os ranchos folclóricos às danças de salão, Daniel acredita que é urgente levar a cultura a locais onde normalmente ela não chega. Nesta entrevista, o jovem actor revela detalhes sobre o espectáculo que marca o início da Cooperativa Cultural PO’ D’ ART, fundada em conjunto com Joana Oliveira e Madalena Oliveira, e reflecte sobre o seu percurso multifacetado, a importância da descentralização cultural e o valor de criar experiências artísticas acessíveis e envolventes junto das comunidades locais.
Como surge o interesse pelo teatro na sua vida?
O interesse pelo Teatro surge na infância, principalmente pelo visionamento de gravações em VHS do espectáculo “Fruta Madura” de 1997, do grupo de teatro amador da minha terra, assim como de outros espectáculos e filmes da cultura portuguesa. E pelo envolvimento com eventos e actividades culturais da freguesia e da região. A dança, a música e o teatro estiveram presentes na minha juventude que conciliava com um ensino científico.
Já praticou danças de salão, dançou no Rancho Folclórico de Alcanhões e, actualmente, toca nos Ranchos de Alcanhões e Portela das Padeiras, de onde vem este gosto por estas expressões culturais?
Sinto que o gosto pela expressão e impressão do corpo é algo que parece ter nascido comigo, assim como na educação, sempre tive vontade de explorar e experimentar diversos tipos de artes e estudos, principalmente no teatro, dança, música.
Constituiu agora a “Cooperativa Cultural PO’ D’ ART”. Quem faz parte desta Cooperativa e quais os objectivos para o futuro?
Eu, Daniel Ribeiro, Joana Oliveira, e Madalena Oliveira somos os fundadores, juntámo-nos com o objectivo de produzir, promover e divulgar teatro e arte, através de espectáculos e actividades artístico-culturais facultado a cooperação de artistas emergentes com a comunidade e a comunidade com a arte.
Vão apresentar o primeiro espectáculo de Teatro, no dia 15 de Março, na Póvoa de Santarém. O que podemos esperar deste momento?
As Campainhas por Daniel Ribeiro e Joana Oliveira nasce da vontade de criar. Criar teatro na sua forma mais crua, para diversão do público, leve, agradável, acessível de diversas formas. A partir da descoberta da obra As Campainhas de tradução de Pinheiro Chagas datada de 1873, original de Meilhac e Halévy, de 1872 decidimos levar a reflectir sobre a comédia de final do séc. XIX, explorando convenções, dilemas e mal-entendidos cómicos duma sociedade datada, num romantismo caricatural com essência da comédia francesa mostrando dinâmicas de classes e géneros, caprichos, peculiaridades e intrigas deliciosamente absurdas.
Qual a importância de trazer este tipo de espectáculos à Póvoa de Santarém? Deveria haver uma preocupação maior em trazer mais espectáculos culturais fora dos grandes centros?
Parece-me de grande importância facultar a criação de espectáculos, independentemente dos polos, fortalecendo o acesso à arte e cultura por todo o país. De forma a valorizar a diversidade artística estimulado a economia criativa e isentar artistas e produtores culturais em diferentes partes do país.
Um título para o livro da sua vida?
O Provisório.
Viagem de sonho?
Adoraria fazer uma viagem de carro pela península Ibérica vendo e mostrando teatro.
Música preferida?
Sou uma pessoa que gosta de todos os géneros musicais, e sinto que as minhas preferências estão constantemente a mudar, mas neste momento tenho ouvido Aboios, recolhido por Michel Giacometti.
Quais os seus hobbies preferidos?
Ler divulgação científica.
Se pudesse alterar um facto da história, qual escolheria?
Escolheria alterar o esquecimento e o apagamento de factos históricos e culturais.
Se um dia tivesse de entrar num filme, que género preferiria?
Sem dúvida que seria num filme de terror ou suspense.
O que mais aprecia nas pessoas?
A individualidade.
O que mais detesta nelas?
O desinteresse.