Pois é. Não há mal que sempre dure, nem bem que sempre fique. Diz o povo e tem razão nos dizeres da sua sabedoria, que lhe vem desde o tempo em que começou a olhar ao seu redor.

As leis da democracia, está provado, são ainda assim as menos piores, as que permitem ir vivendo entre o caos que reina fora do seu contexto. Porém, chegados aqui aparece-nos agora a nova questão dos conquistadores. Haverá euros de prata para quem provar que já previra à muito, que os novos senhores do mundo entrariam nas batalhas usando fato e gravata, telemóvel de último modelo e computador, com inteligência artificial, que lhes dirá quase tudo, ordenando claro, e que através de algoritmos será tudo muito mais simples, rápido e indolor.

O homem buscou o poder, desde que aterrou neste planeta redondo a que chamaram terra. Depois desta calamidade monstruosa que foi a II Grande Guerra Mundial a táctica deixou de passar pelos gabinetes de guerra e transferiu-se para os salões dos palácios, ou dos grandes hotéis, onde os países ricos se passaram a reunir. 

Tinha começado então o baile.

A Europa estava enfraquecida e temia a Rússia? Os EUA mostraram a força por nós. Era preciso conquistar o espaço para dominar as transmissões e ter o seu olho gigante para ver o inimigo? Os americanos fizeram. Era preciso uma ONU ou uma NATO? Os Americanos pagaram a maior fatia. 

Foi assim que, devagar, devagarinho, eles se foram tornando os nosso Tio Patinhas, a quem fomos gastando o ouro, enquanto nós descurávamos a nossa defesa e segurança.

Ele foi assobiando para o lado, deixando que pensássemos que eles eram apenas tontos, esperando pelo golpe que calculavam chegaria, para recuperarem o que julgáramos era oferecido. 

Soaram os alarmes com a invasão da Ucrânia. Um dos grandes dos que se reunia nos castelos, nos salões e nos hotéis dera o sinal. Faziam-lhe falta aquelas terras, o caminho para o mar, etc., etc., etc… Todos já supomos como vai ficar…

Os EUA avançaram agora sobre a Venezuela, porque os fumos dos charros estavam a poluir a atmosfera. Prometem tratar deles sem dor. De caminho, passaram pela Colômbia e avisaram para falarem baixinho e disseram a Cuba que isso de “Pátria ou Morte”, não fazia sentido nenhum. Informaram todos que tinham lá umas balas que andaram a juntar, mas que estavam em fim de prazo de validade e por isso teriam de tratar de tudo rapidamente. Claro que estavam a falar de terras raras, de petróleo e outras coisas sem importância e só por isso os iriam ajudar. Quanto à Gronelândia o caso seria mais simples e até de justiça. Uns tipos, também europeus, tinham feito, há mais de 50 anos uma revolução e uns dos slogans dessa revolução era: – A terra deveria ser para quem a trabalhasse e o povo dizia que eles viviam em Lisboa e em Cascais… Logo por isso gente, a razão estava do seu lado. Uma história com graça….

Portanto ali nos bacalhaus, era usar o mesmo argumento e estava feito.

A tudo isto, há uma Europa que espera sentada, tal como estava a tropa portuguesa, quando os indianos resolveram dizer que queriam morar nas casas deles. “Goa Damão e Dio” …. Lia-se aqui nas páginas do Avante. Perante a indignação do velho ditador, foi por um triz que não ordenou a invasão da Índia, mas acreditem os leitores mais jovens que foi por um triz!

Com a escrita e o espaço a acabar, quase me esquecia de desejar sorte ao futuro presidente, seja ele qual seja. Isto, para o caso dos portões de Belém ainda estarem abertos. Eu, apenas para prevenir, perguntaria primeiro ao presidente Trump, antes de fazer a despesa de domingo. É que pode vir a fazer falta…

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