O ministro da Agricultura e Mar José Manuel Fernandes (C) observa um protótipo de máquina criada pela Fravizel para automatizar a apanha do medronho durante a visita a plantações de medronho na aldeia de Hombres, município de Penacova, 5 de Junho de 2026. A visita realiza-se devido ao potencial desta árvore para a contenção de incêndios. SÉRGIO AZENHA/LUSA

A Fravizel, empresa de equipamentos metalomecânicos sediada em Alcanede, concelho de Santarém, está envolvida no desenvolvimento do primeiro protótipo mundial para a apanha mecanizada de medronho, uma solução tecnológica que pretende responder à escassez de mão-de-obra e dar maior escala económica a uma fileira em crescimento.

O equipamento foi apresentado esta sexta-feira, 5 de Junho, numa exploração de medronho em Penacova, no distrito de Coimbra, durante uma visita do ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes. O projecto está a ser desenvolvido pela Fravizel e pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência do Porto, no âmbito da agenda Transformar, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência.

Segundo a informação avançada pela Lusa, o protótipo permite, através de tecnologia e automação, identificar e recolher os medronhos das plantas por sucção, podendo funcionar com ou sem operador. A solução poderá também vir a ser utilizada noutros frutos, embora a sua eficiência dependa de determinadas condições nas plantações.

Eliseu Frazão, director executivo da Fravizel-Equipamentos Metalomecânicos, adiantou que o consórcio trabalha há cerca de dois anos e meio no desenvolvimento do equipamento, que deverá estar disponível para comercialização dentro de aproximadamente um ano.

Durante a visita a Penacova, José Manuel Fernandes afirmou que o Governo pretende reforçar a fileira do medronho, dando-lhe escala e viabilidade económica. O ministro destacou que Portugal é o maior produtor mundial deste fruto e sublinhou que a inovação tecnológica pode ser decisiva para valorizar a cultura, associando agricultura, floresta, investigação, sustentabilidade ambiental e coesão territorial.

“Esta é uma cultura que demonstra tudo o que temos afirmado em relação à agricultura e floresta, que devem estar de mãos dadas”, afirmou o governante, citado pela Lusa, considerando que o medronheiro é um exemplo dessa ligação.

O ministro defendeu ainda que a fileira do medronho reúne potencial económico, competitividade, inovação, investigação e contributos para a protecção civil e para a sustentabilidade ambiental. José Manuel Fernandes referiu também que o Governo tem apelado às comissões de coordenação e desenvolvimento regional para que os programas operacionais regionais apoiem projectos nesta área.

A apresentação do protótipo desenvolvido pela empresa de Alcanede coloca assim o concelho de Santarém no centro de uma inovação tecnológica com potencial para transformar a apanha do medronho e reforçar a competitividade de uma fileira em que Portugal ocupa posição de liderança mundial.

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