Olival Circular é o mais recente projecto desenvolvido pela EntoGreen, uma bioindústria localizada em Santarém. A empresa usa tecnologia bio-industrial inovadora, que possibilita reutilizar os desperdícios nutricionais que ocorrem no sector agro-alimentar reintroduzindo-os na cadeia de valor.

O novo projecto da empresa, focado na economia circular no sector agro-alimentar, vai utilizar insectos como ferramenta de bio-conversão para transformar um subproduto do olival, neste caso o bagaço de azeitona, em fertilizante orgânico para os solos, mas também em óleos e proteínas para a alimentação animal.

A EntoGreen, após vários anos de investigação, encontrou uma forma de converter totalmente um dos principais subprodutos da indústria do olival, o bagaço de azeitona, em novas fontes nutricionais para animais e em substratos orgânicos de insectos para os solos. Ou seja, valorizando um subproduto, que muitas vezes pode mesmo ser uma ameaça ambiental, a EntoGreen devolve aos solos do olival parte do que o olival dá. 

“Pegamos num subproduto que muitas vezes é um risco ambiental, transformando-o num fertilizante orgânico que pode voltar novamente para os campos dos olivais, contribuindo para a biodiversidade dos solos, para a manutenção de água e para a fertilidade”, afirma Daniel Murta, CEO da Ingredient Odyssey SA.

O olival tem sido nos últimos anos alvo de críticas, nomeadamente no que diz respeito aos impactos ambientais, associados desde a produção de resíduos e subprodutos, como o bagaço de azeitona, à desertificação, empobrecimento dos solos, e uso de recursos hídricos e nutricionais.

O Olival Circular que foi apresentado hoje, na AgroGlobal, é uma forma de contribuir para a sustentabilidade do sector agro-alimentar.

Além de permitir devolver nutrientes e matéria orgânica ao solo, importa referir que o substrato de insecto gerado pela conversão do bagaço de azeitona fomenta a retenção de água, contribuindo para a resistência à seca, promove o crescimento das raízes, a actividade microbiana do solo, que é um dos sinais de saúde do solo, e promove a resistência das plantas a pragas e doenças. Desta forma, o substrato de insecto pode contribuir para reduzir a dependência do uso de produtos químicos, quer na nutrição quer no combate a doenças do olival, e contribui para uma melhor gestão da rega.

A EntoGreen espera agora encontrar parceiros no sector da olivicultura que estejam interessados em encontrar um destino adequado ao bagaço da azeitona e receber de volta um fertilizante orgânico, melhorando substancialmente a produção dos seus olivais.

A EntoGreen está presente na AgroGlobal com o objectivo de se dar a conhecer ao mercado, demonstrando como pode contribuir para a sustentabilidade do sector agro-alimentar. É o primeiro evento onde vão apresentar os substratos orgânicos de insecto, pelo que instalaram campos de olival, vinha, amendoal e batata doce com substrato orgânico de insecto para demonstrar o processo passo a passo, com a presença de moscas, larvas em vários fases e produtos finais.

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