“Este património é de Santarém e deve ser preservado como tal”

A Associação “Praça Maior”, constituída por um grupo de oito jovens aficionados com fortes ligações a Santarém e sem objectivos de natureza financeira, juntou-se para dar uma nova imagem à “Monumental Celestino Graça”. A associação remodelou todo o interior, bem como, o exterior do tauródromo escalabitano, proporcionando assim melhores condições aos aficionados. A primeira corrida organizada pelo grupo, é no âmbito das festas de São José e realiza-se no domingo, dia 17 de Março, pelas 16h00.

Diogo Sepúlveda, da Associação Praça Maior, refere que o objectivo principal é voltar a dar o prestígio à maior praça do país e que a obras de remodelação, que contaram com a ajuda de familiares, amigos e muitos aficionados, eram essenciais para dar conforto ao público  depois de vários anos sem qualquer intervenção.

“Surgiu com a missão muito clara de revitalizar a monumental Celestino Graça, aquela que para nós é a principal praça do país, o maior património cultural da cidade de Santarém e, portanto, o nosso espírito, sem interesses financeiros, é tornar a monumental Celestino Graça numa praça maior. Maior no seu prestígio, maior na sua importância no programa taurino nacional, maior no seu impacto na economia local da cidade de Santarém. Bom, a praça, nos últimos anos não tem sofrido qualquer intervenção de manutenção e de reabilitação e portanto, quando nós decidimos dar este passo tínhamos a consciência que devíamos fazer aqui algum investimento pessoal, dos nossos amigos, das nossas famílias, de lavar a praça, de pintá-la, de reabilitar casas de banho, com a ajuda da Santa Casa da Misericórdia e de outras entidades. Isto porque temos de criar condições para que as pessoas que vêm ao espectáculo se sintam bem, se sintam em casa e que queiram voltar. Para que tal aconteça os lugares tiveram de ser pintados, com os números bem identificados, as casas de banho em condições, os bares com um bom serviço e portanto, melhorar toda a envolvência tinha que ser uma dos nossas principais primeiras batalhas, digamos assim, foi o lavar a cara desta praça. Tivemos connosco o João Salgueiro da Costa, elementos de outros grupos de forcados, muitos outros manifestaram vontade mas que não puderam ajudar fisicamente, por motivos de agenda ou outros, mas muita gente envolveu-se nisto. Famílias que quiseram vir ajudar, pessoas, habitantes aqui em redor da Praça de Santarém também apareceram. Somos uma associação sem fins lucrativos e portanto, toda a ajuda é bem vinda. Não somos nós que agradecemos, Santarém agradece porque este património não é nosso, este património é de Santarém e deve ser preservado como tal”, refere o antigo forcado.

A expectativa da Associação Praça Maior é grande, contando para isso com o apoio de diversas entidades e empresas da região.

“As expectativas são grandes. Quando embarcamos neste projecto sentimos um enorme apoio de várias frentes, da Câmara Municipal de Santarém, da CAP e do CNEMA, da Nersant, do Crédito Agrícola, do Entreposto, mais de 40 empresas que adquiriram um camarote para toda a temporada, portanto, isso é um testemunho de força, é um testemunho de vida, e que também alavancou estes nossos primeiros passos de reabilitação da praça. Penso que passaram uma mensagem muito clara que confirma que as pessoas estão sensíveis a este património, a esta cultura tão portuguesa. Estamos a trabalhar com a ‘TicketLine’, conseguimos ver online vendas de bilhetes em Aveiro, Évora, Braga, Lisboa e isso é muito interessante. Nós acreditamos que no domingo, dia 17 de Março, assistiremos a um virar de página nesta praça. Se São Pedro nos der bom tempo, acreditamos que vamos ter casa cheia e, portanto, que seja o primeiro passo de muitos outros que vão ser dados para revitalizar a Monumental Celestino Graça”, adianta Diogo Sepúlveda.

Para o futuro, Diogo Sepúlveda não quer adiantar muito mas afirma que a associação já pensa nos próximos estando a preparar, em parceria com o Politécnico de Santarém, um estudo para avaliar o impacto económico que as corridas têm para Santarém.

“Bom, pés na terra, passo a passo, com a certeza de que estamos a pensar nos próximos anos, mas com uma estratégia muito cautelosa, porque Santarém viveu nos últimos anos períodos muito difíceis, sem afluência de público, com muita pouca gente a vir aos touros. Há aqui uma preocupação muito clara da nossa parte que é termos de ganhar a confiança das pessoas. Há muito pouco tempo esta praça encheu e, portanto, há aficionados. Nós também tivemos uma estratégia de bilheteira muito agressiva no sentido em que há preços desde sete euros e meio até aos 40 euros, temos seis mil bilhetes abaixo de 15 euros, o que é uma forma também de democratizar um espectáculo que é para todos e de todos. Temos de criar condições para que as famílias venham. Nós e o Politécnico de Santarém vamos desenvolver um estudo para avaliar o impacto económico que estas corridas têm para Santarém. É preciso realmente saber quantas pessoas vieram, de onde é que vieram, quanto é que gastaram, onde é que almoçaram, qual é a dimensão do agregado familiar, quanto é que gastaram por média per capita, é importante nós percebermos o contributo que a nossa praça dá à dinamização da vida económica de Santarém”, conclui o enólogo.

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