A alerta para os perigos da desinformação, seja através de notícias falsas ou da artificialidade das redes sociais, é o propósito de “Fake week”, que chega a Ourém, de quinta-feira a sábado.

Agregando oficina, conferência e peça de teatro, o programa reparte-se por duas escolas do concelho e pelo Teatro Municipal de Ourém (TMO), procurando elucidar várias camadas de público para os perigos da manipulação da informação.

“Estamos rodeados de informação que não conseguimos distinguir da desinformação. Vivemos um momento óptimo, de muita informação, que nos chega pelas várias ferramentas de que dispomos, mas muitas vezes ficamos perplexos, sem saber se é mesmo informação ou desinformação”, afirmou a vereadora da Cultura, Isabel Costa, justificando a aposta na “Fake week”.

A componente lectiva da proposta tem particular relevância, notou a vereadora, porque “se até os adultos, que têm outra experiência de vida, sentem dificuldade em discernir o que é falso do que é verdadeiro, os jovens têm ainda mais dificuldade em perceber o que lhes querem ‘vender’”.

“São crédulos em muitas coisas”, sublinhou Isabel Costa, lembrando que o perigo não está apenas no que é veiculado através das notícias, mas também nos programas de entretenimento e nos estilos de vida ficcionados e expostos ‘online’.

“Levam a muitas frustrações”, porque “os jovens julgam que a vida é uma coisa que não é”.

Por outro lado, “há directos que não sabemos se são mesmo directos ou concursos em que alguém é expulso e não sabemos se aquilo é real ou se foi montado apenas para conquistar audiências”.

É sobre tudo isso que se vai falar a turmas da Escola Básica de Ourém e do Colégio São Miguel e também ao público em geral numa conferência com o jornalista Paulo Pena e o divulgador de ciência David Marçal. A mensagem passará também, no palco do TMO, num espectáculo da Formiga Atómica.

“É bom que nos abram os olhos, para não acreditarmos em tudo o que vemos. Somos muito céticos, mas perante algo bem montado, acreditamos em tudo”, resumiu a vereadora.

Isabel Costa disse esperar que, em Ourém, a “Fake week” resulte “numa sociedade mais informada e mais desperta”.

“Os cidadãos têm tudo, é preciso é saber utilizar. É vendo, lendo, despertando para o conhecimento e sendo ‘polígrafos’ de tudo”, concluiu.

O programa “Fake week” arranca em Ourém na quinta-feira, com a oficina de sensibilização para a desinformação “Fake Aka Mentira” nas escolas de Ourém, sob orientação de Frederico Baptista.

Na sexta-feira, a partir das 19:00. há “Falsa conferência, verdadeira conversa: Jornalismo e Ciência”, uma conversa no TMO com Paulo Pena e David Marçal.

A fechar, a companhia Formiga Atómica leva ao TMO no sábado, às 21:30, “Fake”.

“É uma peça em que se explora tensões entre a verdade e a mentira, informação e desinformação, crenças individuais, colectivas e a nossa propensão para acreditar nos preconceitos que carregamos”, avançou a estrutura.

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