Bertino Martins na sede do Correio do Ribatejo a 27 de Setembro de 2014, data do descerramento do seu retrato neste Jornal

Bertino Coelho Martins faleceu esta madrugada na unidade UCCI da Santa Casa da Misericórdia de Coruche onde se encontrava. Completaria, amanhã, 98 anos de idade.

As exéquias fúnebres terão lugar este domingo, dia 16, pelas 16h00, no Crematório de Santarém, decorrendo o velório, entre as 15 e as 16 horas, na ‘Sala da Última Despedida’ do mesmo Crematório.

Natural das Lapas, concelho de Torres Novas, trabalhou muitos anos na Biblioteca Municipal de Santarém, da qual foi responsável, sem que, no entanto, deixasse de estar sempre ligado à música a ao folclore. Exerceu igualmente actividade política como presidente de junta de Marvila, em Santarém, eleito pelo Partido Socialista. Foi durante muito tempo colaborador do Jornal Correio do Ribatejo e de O Almonda. É autor de diversas obras publicadas – da música ao folclore. Escreveu e publicou sobre a sua terra natal, Lapas.

A 27 de Setembro de 2014, Bertino Coelho Martins passou a integrar a ‘Galeria de Notáveis’ do Correio do Ribatejo. Foi um “cidadão de corpo inteiro”, comprometido com a cidade e que afinou a sua vida pelo diapasão dos valores da “amizade, honestidade e humildade”. Assim o descrevem os amigos que participaram na homenagem pública que nessa data este Jornal lhe prestou.

Bertino Coelho Martins foi um homem multifacetado que marcou várias gerações como músico, autarca e bibliotecário.

Assentou a sua acção essencialmente na cultura, naquilo a que se pode chamar uma trípode de sustentações: os livros, a música e o folclore.

Compositor, regente de orquestra e maestro Bertino Coelho Martins “foi essencialmente um etnomusicólogo de dimensão nacional, área onde atingiu o seu maior reconhecimento”, afirmou na homenagem o antropólogo Aurélio Lopes.

Para Ludgero Mendes, administrador deste Jornal e amigo de longa data, Bertino Martins nunca se preocupou com “emblemas, siglas ou ideologias”. “Sempre defendeu o bem-estar, o equilíbrio social e a solidariedade entre todos. Embora não sendo político era um homem sensato e ponderado. Tinha todos os atributos para ser, como foi, um excelente autarca”, referiu.

Destacando o “prestígio e competência” que Bertino Coelho Martins demostrou em tudo o que se envolveu, Ludgero Mendes descreve-o como “um músico invulgar”, com o qual aprendeu imenso.

“Se mais não aprendi, não foi por insuficiência do mestre, mas sim por incapacidade do aluno. A forma como ele explicava como se devia fazer e o que deviam ter em conta, foram verdadeiras lições de que eu pude dispor para me formar na área da etnografia”, assinalou Ludgero Mendes no decorrer do descerramento do retrato que hoje marca presença na sede do Correio do Ribatejo.

“Calcorreámos todo o Ribatejo e fizemos centenas de acções de formação, colóquios e palestras”, disse, lembrando o papel fundamental que Bertino Coelho Martins teve na organização dos Congressos de Folclore do Ribatejo.

“O estudo neste campo que Bertino Martins realizou veio contribuir para que hoje haja uma visão mais abrangente e esclarecida do folclore ribatejano”, afirmou Ludgero Mendes que não tem dúvidas que o folclore português “tem uma dívida de gratidão e reconhecimento profundo” ao maestro.

Durante duas décadas, Bertino Martins pertenceu à organização dos Congressos de Folclore e representou a Federação do Folclore Português na Comissão Executiva da Região de Turismo do Ribatejo.

Bertino Coelho Martins nasceu a 15 de Novembro de 1927, nas Lapas, freguesia de Torres Novas. Entre os quinze e os dezasseis anos tirou dois cursos por correspondência: música e guarda-livros. Mais tarde, cursou clarinete, saxofone e regência de filarmónicas. Na década de cinquenta, regeu a Banda da Ribeira Ruiva, Torres Novas.

Nessa época, formou uma banda no Chouto, Chamusca, onde se deslocava duas vezes por semana de bicicleta. Bertino Martins percorreu a região centro do país a tocar em bailes (Penela, Figueiró dos Vinhos, Tomar, Ourém, Santarém, Coruche, Torres Novas), primeiro sozinho e posteriormente acompanhado pela sua esposa Ivone, a quem ensinou a tocar acordeão em seis meses. A dupla chegou a actuar com a acordeonista Eugénia Lima. Simultaneamente, trabalhou como ferreiro nas Oficinas do “Nery” e do “Spodes” em Torres Novas e do “Zé da Rosa”, em Assentiz.

A 10 de Março de 1958, partiu para Santarém e integrou os quadros da Câmara Municipal de Santarém. A partir de Janeiro de 1960, passou a trabalhar na Biblioteca Municipal onde se manteve até à aposentação, em 1993. Durante três décadas exerceu funções de contínuo, fiel de biblioteca, catalogador, encarregado de biblioteca e técnico especialista de Biblioteconomia e Arquivologia.

A música continuou presente na sua vida, mesmo quando se fixou em Santarém, ao leccionar na Banda dos Bombeiros e ao integrar a Orquestra Típica Scalabitana. Mas foi com Celestino Graça que o seu trabalho musical se intensificou quer na recolha oral quer na participação com os Grupos Académico e Infantil de Danças de Santarém, os Ranchos Folclórico do Grainho e dos Pescadores do Tejo (Benfica do Ribatejo).

À família enlutada o Correio do Ribatejo endereça as mais sentidas condolências. Que descanse em Paz!

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