Em Hiroshima ou Nagasaki, em Chernobyl ou em Bhopal, a morte andava no ar. A radioatividade ou o gás, diluídos no ar que as pessoas respiravam, levavam a morte aos mais recônditos pontos destas cidades. Usando esta analogia, de nada nos serve dizer que não vemos, não ouvimos nem lemos as notícias que a cada minuto nos são colocadas ao dispor.

De nada serve porque elas andam no ar, nas conversas das pessoas, na sua preocupação e até por vezes depressão, no estado de quase permanente irritabilidade a raiar a conflitualidade. Trump, Nethanyau e o Ayatollah número-não-sei-quantos, Zelensky, Putin e Xi, Von Der Leyen, Sturmer, Macron e Merz, Seguro, Montenegro, Carneiro e Ventura, os combustíveis, as greves e os hospitais, Sócrates, a Base das Lages e o futebol, tudo parece juntar-se para amaldiçoar o nosso futuro.

No entanto, tudo isto acontece porque continuamos a preferir fixar-nos nas nuvens negras que pairam no céu do que nos luminosos raios de sol que nos aquecem por entre elas. É a maldita teoria do copo vazio, que nos ajuda sempre a sentir mais pequenos, mais pobres e mais infelizes. Vamos mudar este espírito?

É essa a minha proposta de hoje. Para repararmos que nem tudo é mau, que existem pessoas fantásticas a fazer coisas fantásticas em Portugal (e também nos outros países do mundo, mas por agora fico-me por casa), que vos trago hoje seis exemplos de ideias, ações, oportunidades, soluções, coragem, loucura, valentia, dedicação e excelência que, discretamente e a cada dia que passa, mostram a todo o mundo que Portugal e os Portugueses valem mesmo a pena. Vamos a isto?

Revigrés

Constituída em 1977, a Revigrés é uma empresa especializada na produção de revestimentos e pavimentos cerâmicos, que reveste o mundo com histórias, inspiração e arte, há mais de 40 anos. A empresa contribui para a criação de ambientes únicos e inspiradores através de soluções cerâmicas de design, tecnicamente avançadas e com alma portuguesa. A aposta no design e inovação da Revigrés já mereceu o reconhecimento do mercado internacional, com a atribuição de alguns dos mais prestigiados Prémios Internacionais de Design. Acresce agora o orgulho de ter desenvolvido, à medida, cores exclusivas para a Basílica da Sagrada Família, em Barcelona. Um projeto marcado pela flexibilidade, rigor e personalização em cada detalhe. A Revigrés dá cor à história da Sagrada Família.

Sugal

Com 5% da produção mundial de concentrado de tomate, o Grupo SUGAL é o segundo operador do setor a nível mundial. Com operações em Portugal e no Chile, é uma das únicas empresas a operar duas campanhas de produção no mesmo ano (uma no hemisfério norte e outra no sul). Fundada em 1957 na Azambuja, partiu de uma empresa familiar para se tornar de um conglomerado mundial. Em 2019 criaram o Sugal Business System (SBS), baseado no modelo Kaizen e que transformou profundamente a cultura organizacional.

Fundação Champalimaud

A Fundação Champalimaud foi criada em 2004 após a morte de António Champalimaud, nos termos do seu testamento. Existe para fazer investigação em áreas de ponta e tem como prioridade estimular descobertas que beneficiem as pessoas, bem como patrocinar novos padrões de conhecimento. Pretende promover a saúde e bem-estar da humanidade, procurando intervir ativamente na procura de soluções que aliviem o peso que a doença tem nas sociedades e no indivíduo. A sua missão é ser líder mundial na inovação científica e tecnológica. Em 2010 foi aberto o Centro Clínico Champalimaud, o braço clínico da área de investigação, uma instituição médica, científica e tecnológica de última geração, onde, a par da prestação integrada e interdisciplinar de cuidados clínicos especializados, se desenvolvem atividades de investigação aplicada e programas avançados de educação médica e técnica. Trata-se de um centro de topo a nível mundial, cujo mais recente desafio é uma investigação inovadora para prevenir metástases no cancro da mama.

OGMA (Oficinas Gerais de Material Aeronáutico)

Privatizadas pelo Estado Português em 2005, as OGMA foram adquiridas pelo Grupo Embraer (65%) em 2012. Rapidamente começaram a inovar, crescer e a tornarem-se mais competitivas no exigente mercado internacional. Hoje são uma referência no mercado aeronáutico mundial, sendo benchmark global na manutenção das aeronaves Lockheed C-130 Hércules e apresentando-se como uma forte alternativa para a produção de caças Saab Grippen.

APICCAPS (Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos)

A APICCAPS é a associação setorial do calçado português. Fundada em 1975 no Porto, representa mais de 1.500 empresas de todo o cluster português do calçado. Em 2025 foram vendidos 68 milhões de pares de sapatos portugueses, no valor de 1.718 milhões de euros, que chegaram a 170 países. A APICCAPS deseja alcançar os até 2030 os 100 milhões de euros de exportações. Para isso, tem apostado fortemente na qualidade, na tecnologia, no design, nas missões comerciais/feiras, na comunicação e no marketing, levando a todo o mundo o Portuguese Shoes Showcase como embaixada do calçado português.

Barca Velha

O mais célebre vinho português foi criado por Fernando Nicolau de Almeida em 1952 na Quinta do Vale Meão, a última propriedade comprada por D. Antónia Adelaide Ferreira, “A Ferreirinha”. Desde então, em 73 anos apenas 21 colheitas tiveram a qualidade necessária para serem reconhecidas como Barca Velha, por um dos 3 enólogos que assinou este vinho excepcional:  Fernando Nicolau de Almeida, o seu criador, José Maria Soares Franco e, desde 2007, Luís Sottomayor. Apreciado e respeitado em todo o mundo vinícola, sobretudo no universo da lusofonia, o Barca Velha é um dos melhores exemplos da excelência dos produtos tradicionais portugueses.

Podia continuar a escrever páginas e páginas de casos como estes, sobre portugueses cujo engenho e arte leva a nossa obra e a nossa imagem aos quatro cantos do mundo. Mas fundamentalmente o que aqui interessa é criar uma força interior que nos motive a todos, uma união patriótica em torno dos nossos feitos do presente, alicerçados no passado e projetados no futuro. Porque por muito má que seja a conjuntura, qualquer conjuntura, existe sempre uma luz positiva e uma chama de esperança que nos motiva a avança contra os embaixadores do pessimismo, que nos impele a vencer e a criar o sucesso pelas nossas próprias mãos. Ao longo da nossa História, temos provado vezes sem conta do que somos capazes. Porque não continuar a fazê-lo?

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