O claustro principal do Convento de Cristo, em Tomar, começou esta semana a receber os preparativos para a filmagem de “Damsel”, do realizador Juan Carlos Fresnadillo, numa produção rodeada de “imensos cuidados” por decorrer em monumentos Património da Humanidade.

Com a filmagem em estúdio, com a duração de três meses, já a decorrer em Inglaterra, o filme da Netflix, com estreia agendada para 2023, vai ter todas as cenas exteriores rodadas em Portugal, durante 17 dias (ao longo de três semanas e meia), disse à Lusa o produtor Nick Page.

As filmagens das cenas que se passam no castelo – a chegada da princesa Elodie e o casamento com Henry, o herdeiro do trono de Áurea – vão realizar-se no Mosteiro da Batalha, no distrito de Leiria, nos dias 19 e 20 de maio, no Claustro Real e nas Capelas Imperfeitas, ficando disponível a visitas a Igreja e a Capela do Fundador, e em vários espaços do Convento de Cristo, em Tomar, distrito de Santarém, que encerrará ao público de 23 a 27 deste mês.

Algumas condicionantes começaram já a ser colocadas aos visitantes nos locais onde decorre a preparação para as filmagens, nomeadamente no claustro principal do Convento de Cristo, cujo chão está a ser revestido, tal como acontece nas zonas por onde circulam os inúmeros elementos da equipa, disseram a diretora do monumento, Andreia Galvão, e o produtor Nick Page.

“Esta experiência de filmar em monumentos faz parte do nosso trabalho […] e toda a nossa equipa tem noção da importância de trabalhar de forma especial para respeitar o monumento”, disse o responsável da Page International Services, a produtora escolhida pela Netflix para as filmagens em Portugal.

A produção, que surge no âmbito dos incentivos criados pelo Governo para fazer de Portugal um destino internacional de filmagens, vai envolver uma equipa portuguesa de 250 pessoas mais cerca de 150 da equipa internacional, a que se soma o elenco – que conta com as participações de Millie Bobby Brown (Elodie), Robin Wright, Angela Bassett ou Nick Robinson, entre outros – e um total de 300 figurantes, preferencialmente residentes nos locais onde decorrem as filmagens, afirmou.

Um grupo de músicos portugueses que tocam instrumentos antigos, liderado por Tiago Matias, vai tocar na boda do casamento, no claustro principal.

Além do Convento de Cristo e do Mosteiro da Batalha, ambos Património da Humanidade, as filmagens passarão pela aldeia de Sortelha, no distrito da Guarda – a vila do reino -, pela Serra da Estrela – a montanha do dragão (o qual está a ser filmado em estúdio) – e pelo Douro – a paisagem idílica do reino de Áurea.

Andreia Galvão explicitou que a cedência dos monumentos é antecedida de um conjunto de formalismos, que começam pela análise do pré-guião, “porque não é aprovado qualquer tema”, seguindo-se conversas e reuniões, o acompanhamento de todo o trabalho técnico, e, finalmente, a aprovação do guião final “com os meios técnicos, os equipamentos, os planos de segurança”.

A salvaguarda do monumento passa por detalhes como “nunca fixar nada. Tudo é ou assente ou pendurado, sempre com proteção”, afirmou Nick Page, dando o exemplo do chão falso ou do balão flutuante para fazer a iluminação de cima, evitando colocar estruturas.

As flores que começaram já a ser colocadas para enfeitar o claustro são feitas de “material muito leve”, disse, adiantando que neste espaço serão ainda colocadas as mesas para a cena da boda do casamento.

A princesa vai chegar à entrada principal do Convento numa carruagem (feita em Inglaterra especificamente para este filme) puxada por cavalos, decorrendo as filmagens da cerimónia do casamento, durante meio dia, na Charola.

“Este filme vai ter muita pós-produção e muitos efeitos visuais”, declarou.

Andreia Galvão salientou a visibilidade internacional dada aos monumentos neste tipo de produções, logo a partir do momento em que começam a ser divulgados os ‘spots’ promocionais, que destacam os lugares onde decorrem as filmagens.

Sem o risco de desgaste sentido por outros monumentos, o Convento de Cristo, que recebia anualmente – pré-pandemia – mais de 300.000 visitantes, tem ainda margem para apostar num tipo de divulgação que “é também uma forma de eternizar” este património, afirmou.

Andreia Galvão apontou, ainda, o impacto que geram numa região marcada por carências económico-sociais.

“Temos enchido todos os hotéis da zona”, exemplificou Nick Page.

A diretora do Convento de Cristo lembrou o histórico de filmagens já realizadas neste monumento, desde “A Mensagem”, de Luís Vidal Lopes, em 1988, ao “Quinto Império: Ontem como Hoje”, de Manoel de Oliveira, em 2004, ou produções internacionais como a polémica “O Homem que matou D. Quixote”, de Terry Gilliam (2017), com denúncias de danos que o inquérito aberto na altura provou serem infundadas.

Andreia Galvão afirmou que as verbas recebidas pelo uso do espaço vão, tal como as receitas de bilheteira, para a Direção-Geral do Património Cultural, que tem sob sua gestão um vasto conjunto de património e a “pressão” de garantir a contrapartida nacional dos investimentos financiados pela União Europeia, nomeadamente pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Segundo a diretora, no caso do Convento de Cristo, os investimentos “vão existindo”.

Como exemplos apontou a recuperação recente de toda a fachada norte e da cobertura da sala do noviciado, para além do anúncio de uma verba de cinco milhões de euros do PRR para a nova entrada e a recuperação da alcáçova, que irá ser aberta ao público, criando um novo percurso de visita, e dos 1,1 milhões de euros para a reabilitação da Janela do Capítulo e coberturas inscritos no Orçamento do Estado deste ano, ainda no âmbito do Portugal 2020.

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