A freguesia do Couço, no concelho de Coruche, uma das maiores do país em termos de dimensão geográfica, vai dispor de um corpo de bombeiros próprio a partir do próximo ano, informou a associação promotora.
Rodrigo Ramalho, presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Couço, disse que a criação da corporação pretende responder à necessidade de garantir “socorro de proximidade” numa freguesia com grande extensão territorial e distante dos atuais meios de emergência.
“O Couço é uma freguesia muito extensa, com vários aglomerados populacionais dispersos. Estamos a cerca de 25 quilómetros de Coruche e qualquer meio de socorro tem de percorrer uma distância significativa para chegar às populações”, afirmou.
Segundo o responsável, a criação da associação humanitária surgiu na sequência de vários episódios em que a população sentiu dificuldades no acesso rápido ao socorro, situação agravada pela dispersão geográfica da freguesia e pela existência de quatro lares de idosos.
“Os bombeiros de Coruche fazem muito com os meios que têm, mas não conseguem fazer mais. A população não se sente segura e entendemos que era necessário avançar com uma solução para garantir uma resposta mais próxima”, disse.
Rodrigo Ramalho recordou que o Couço chegou a dispor de uma estrutura de bombeiros que acabou por ser desativada há vários anos, situação que a associação pretende agora reverter.
O processo de constituição da associação, legalmente constituída no dia 17 de junho, já recolheu pareceres favoráveis da Junta de Freguesia do Couço e da Câmara Municipal de Coruche, encontrando-se atualmente a aguardar os pareceres da Liga dos Bombeiros Portugueses e da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, antes da apreciação final pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
“Estamos na fase burocrática, mas a trabalhar todos os dias para que o projeto avance. Já temos pessoas para integrar o comando, bombeiros preparados para entrar ao serviço e elementos para iniciar a formação”, afirmou.
De acordo com Rodrigo Ramalho, a associação conta atualmente com cerca de 13 bombeiros disponíveis para integrar o futuro corpo ativo assim que seja obtida a autorização necessária.
A intenção da direção é iniciar atividade no início de 2027, dependendo da conclusão dos procedimentos legais e da preparação das instalações.
Segundo explicou, o antigo quartel dos bombeiros do Couço, encerrado há cerca de 15 anos, necessita de obras de requalificação, tendo a Câmara de Coruche manifestado disponibilidade para apoiar essa intervenção e encontrar uma solução provisória para o arranque da atividade.
Numa fase inicial, a associação prevê operar duas ambulâncias de socorro em permanência, uma viatura ligeira de combate a incêndios, um veículo de comando e duas ambulâncias para transporte de doentes não urgentes.
O financiamento dos meios deverá resultar de apoios municipais, campanhas de angariação de fundos, mecenato “e eventuais cedências temporárias de viaturas por outras corporações”.
“Vamos tentar que a câmara nos ajude, mas provavelmente não vai ser tudo. Vamos ter de comprar algumas viaturas, já estamos à procura de mecenas e a fazer ações de angariação de fundos. Outras poderão ser cedidas temporariamente por corporações que tenham meios parados”, explicou.
Rodrigo Ramalho salientou que o município será um “grande parceiro” do projeto, uma vez que a futura corporação ficará integrada no dispositivo de proteção civil do concelho.
“O objetivo é reforçar o socorro não apenas no Couço, mas em todo o concelho quando for necessário”, afirmou.
