Fundos comunitários serão alavanca para a regeneração do centro histórico de Santarém

Reabilitação urbana, apoio a comunidades desfavorecidas e mobilidade. São estes os eixos que a Câmara de Santarém está a trabalhar no sentido de “dar corpo à visão estratégica para o concelho” que começou a ser delineada na revisão do Plano Director Municipal (PDM) e que aponta para três áreas de referência, nomeadamente, a agricultura e agroindústria, o património (monumental e paisagístico) e o turismo (assente na cultura e na gastronomia).

A informação foi prestada pelo presidente da autarquia, Ricardo Gonçalves (PSD), numa sessão de esclarecimento promovida pelas associações de Comerciantes e Moradores do Centro Histórico (CH) de Santarém.

A reunião visou clarificar os projectos de regeneração do Centro Histórico da cidade, que pretendem incidir sobre eixos estratégicos naquele território. Em particular, o autarca apontou obras que vão avançar em 2020 no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), nomeadamente a recuperação do largo de Alcáçova, a criação de passeios acessíveis no CH e a requalificação da Avenida António dos Santos.

“Para Santarém, era imprescindível criar condições de aproveitamento do novo quadro comunitário, como oportunidade única para maximizar o investimento autárquico, através da execução de projectos direccionados para a satisfação das necessidades das populações e para o desenvolvimento do concelho”, disse.

A afirmação de Santarém como destino de turismo, de cultura e de lazer, foi outra área destacada pelo autarca, que prometeu uma “inflexão ao que tem sido a visitação em Santarém”.

Além da recuperação de monumentos, como as igrejas de S. João de Alporão e de Santa Iria da Ribeira (encerradas ao público), o município promete reforçar a programação cultural e tornar eventos que “já estão consolidados”, como o Verão In.Santarém, em “marcas diferenciadoras” do concelho.

Nesta reunião, Ricardo Gonçalves anunciou que o Município prepara um investimento de mais de 190 mil euros em animação da quadra natalícia: “queremos marcar a diferença” servindo de “aposta no turismo e na economia”, segundo o presidente da autarquia

Com a concretização destes projectos, a par com a crescente procura de casa por parte de jovens no CH, Ricardo Gonçalves acredita ser possível reverter o processo de abandono do ‘casco velho’.

Contudo, o presidente da Câmara de Santarém deixou um aviso: “este trabalho não cabe só à autarquia. Todos – moradores e agentes económicos – têm de participar neste desafio colectivo, que é o da revitalização do casco velho da cidade”.

“À semelhança do que se passa por todo o País, salvo raras excepções, os centros históricos sofrem de despovoamento e abandono. Problemas que têm de ser invertidos porque o nosso Centro Histórico simboliza a nossa história e a nossa memória”, disse o autarca durante esta reunião.

“O nosso CH mudou e temos um desafio colectivo que é revitaliza-lo”, disse, apontando que, nos últimos anos, a autarquia teve a preocupação de “requalificar toda a envolvente” do centro, preparando-se agora para actuar no casco da cidade.

“Requalificámos os jardins e a rede viária. Temos um projecto único no País, que é a Rota das Catedrais e que culminou com a renovação da Sé e a instalação do Museu Diocesano, um dos projectos-âncora do Centro Histórico”, elencou Ricardo Gonçalves.

Segundo disse, outras intervenções emblemáticas, como a requalificação do Palácio João Afonso, que alberga o Conservatório de Música, ou o Ginásio do Seminário, onde está instalada a Sala de Leitura Bernardo Santareno, foram feitas de modo a promover a regeneração urbana do CH.

“É isto que queremos continuar a fazer”, disse Ricardo Gonçalves, apontando que “a singularidade do CH de Santarém” passa por uma Matriz Identitária com características geomorfológicas, hidrológicas, paisagísticas, patrimoniais e arquitectónicas únicas.

“Temos de trilhar um rumo de futuro”, apelou Ricardo Gonçalves, assumindo a necessidade de “promover o regresso ao centro de habitantes, turistas, investidores e comerciantes”, assumindo, contudo, que “não existem varinhas mágicas”.

Nesta reunião, que foi muito participada, foram várias as pessoas que deixaram sugestões à autarquia e partilharam a sua visão da cidade. Para além de um sentimento generalizado de insegurança, as queixas visaram outras áreas, como a falta de higiene e limpeza urbanas em alguns pontos da cidade, como o Largo Mem Ramires e a Rua Pedro Canavarro, a escassez de estacionamento, a deficiente iluminação pública e o ruído nocturno.
O autarca ouviu as queixas dos munícipes, enalteceu a “participação cidadã” e prometeu intervenções “para breve”, como forma de mitigar o problema.

Na resposta às várias críticas, o presidente da autarquia, Ricardo Gonçalves, deu conta que que o recente projecto de acesso à rede Wi-Fi gratuita no Centro Histórico de Santarém irá, em breve, permitir implementar videovigilância na zona.

Segundo revelou, serão instaladas 24 câmaras de videovigilância no CH e duas na Estação da CP da Ribeira de Santarém, ligadas, directamente, ao Comando da PSP, num investimento de cerca de 90 mil euros.

“A degradação dos centros históricos é evidente e generalizada em todo o país mas em Santarém as coisas estão a mudar”, garantiu o autarca, referindo que estão em curso vários projectos – públicos e privados – que prometem dar uma nova cara a alguns dos espaços da cidade.

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