Foto ilustrativa

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) disse hoje à Lusa que a gestão articulada com Espanha permitiu minimizar o efeito das cheias no leito do rio Tejo devido à depressão Martinho.

Na semana passada, tanto Espanha como Portugal estiveram sob a influência da depressão, com a região de Madrid a ser das mais atingidas, levando a um raro alerta de risco de transbordo do rio Manzanares.

A tempestade bateu recordes de precipitação na região de Madrid e, “portanto, muita água na bacia do Alto Tejo, que se deslocou para Portugal”, disse José Carlos Pimenta Machado.

A subida das águas do rio Tejo provocou mesmo o colapso de dois troços de uma ponte romana em Talavera de la Reina, no município de Toledo, no centro de Espanha.

“Foi preciso fazer uma gestão muito articulada, quer com a Espanha, quer com os concessionários portugueses das albufeiras, com a proteção civil (…) para minimizar o efeito das cheias”, disse Pimenta Machado.

“Obviamente há algumas zonas ali, em particular na Golegã, em que alguns campos foram inundados, mas, apesar de tudo, foi uma coisa muito limitada e acho que fez-se aqui uma boa gestão”, defendeu o dirigente.

Pimenta Machado recordou as cheias de 2013, em que, “com uma precipitação muito equivalente, foram registados em Almourol, a jusante de Constância, caudais muito próximos de dez mil metros cúbicos por segundo.

“Desta vez, por efeito desta combinação da gestão das albufeiras, atingimos o máximo dos 2.800 metros [cúbicos] por segundo, num contexto muito parecido”, referiu o presidente da APA.

Uma comparação também feita pelo autarca de Constância, na confluência dos rios Tejo e Zêzere, que na segunda-feira teve vários equipamentos submersos devido à subida dos caudais.

Sérgio Oliveira lembrou que os atuais caudais ficaram muito longe dos que originaram as cheias em 2013, quando a água chegou à Praça Alexandre Herculano, no casco histórico da vila, ou mesmo a maior cheia ali registada, em 1979.

Pimenta Machado prometeu ainda que a APA retirou lições das seis tempestades que atingiram o país desde o início do ano, para, “acima de tudo melhorar a gestão nos próximos eventos climáticos”.

“Temos que preparar o país para isto. O clima está a mudar, é um facto. Estamos num tempo de bater recordes de precipitação, recordes de aumento de temperatura”, alertou o dirigente.

Pimenta Machado sublinhou também o impacto tanto do Martinho como da tempestade Jana em “zonas muito vulneráveis à erosão costeira, como a Figueira da Foz, mas também toda a zona ali de Ovar, Furadouro”.

Em novembro, a APA disse que Portugal já perdeu para o mar, entre 1958 e 2023, uma área de 13,5 quilómetros quadrados, equivalente a 1.350 campos de futebol, – e que 20% da costa, 180 quilómetros, estão em risco de erosão costeira.

Pimenta Machado falava à margem do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2025, que começou hoje e decorre até sábado.

Leia também...

Freguesia de Almeirim realiza tomada de posse dos novos órgãos autárquicos

A Freguesia de Almeirim realizou a sessão de instalação dos novos órgãos autárquicos da Assembleia, no passado dia 27 de Outubro, no Edifício dos…

Banda da Gansaria visita Santarém na companhia do cantor FF

Santarém recebe na noite de sexta-feira, 16 de agosto, a partir das 21h45, no Largo do Seminário, a visita da Sociedade Filarmónica de Instrução e Cultura Musical…

GNR de Benavente apanha três assaltantes em flagrante

Três homens foram detidos em flagrante delito, enquanto assaltavam um estabelecimento, no concelho de Benavente, a 8 de Fevereiro. Os elementos da Guarda Nacional…

2ª Semana Ubuntu no Politécnico de Santarém

O Politécnico de Santarém irá dinamizar a 2ª semana Ubuntu, de 25 a 29 de Setembro de 2023, sob orientação do IPAV (Instituto Padre…