A adesão ao primeiro dia de greve dos trabalhadores dos CTT de Santarém por mais meios humanos e contra a falta de condições das novas instalações é de 100 por cento, segundo uma fonte sindical.

Os trabalhadores iniciaram hoje uma greve entre as 08h30 e as 10h30, uma paralisação que vai prolongar-se até dia 30 de Setembro se até lá a administração da empresa não resolver a falta de condições e de meios humanos.

Em causa estão, segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Correios e Telecomunicações, as condições das instalações na zona industrial de Santarém, para onde foi transferido o Centro de Distribuição Postal (CDP) da capital do distrito, bem como a acumulação de correio.

“A adesão à greve é de 100 por cento. Até os contratados aderiram à greve connosco. Se nada for feito, os trabalhadores estão a ponderar alargar o período de greve”, disse Dina Serrenho, do sindicato.

Segundo a representante, a empresa informou hoje de manhã que vai falar com os trabalhadores na quinta-feira.

“Vamos aguardar e ver o que têm a dizer. Mudaram-nos para estas instalações sem as obras estarem concluídas. Estamos a trabalhar ao som de martelos pneumáticos, com pó, etc.. Não está devidamente equipado para as tarefas que estamos a desempenhar”, salientou.

Dina Serrenho contou que o chão do pavilhão é em cimento e não foi devidamente limpo e que só há duas casas de banho para 60 trabalhadores, não há bebedouros de água e o trabalho é dificultado pelas condições acústicas, com “uma barulheira idêntica à de uma feira”.

No entanto, para o sindicato, o mais grave é a falta de trabalhadores, que põe em causa a distribuição.

Segundo a sindicalista, há correio ainda por distribuir que veio das instalações anteriores, com a agravante de terem sido reduzidas cinco voltas, que foram “reintroduzidas nas que já eram feitas com dificuldade”.

“Temos correio que não sai há uma semana porque não temos meios humanos para o fazer. Quando mudámos de instalações retiraram cinco postos de trabalho. As populações estão a ser gravemente prejudicadas. É um serviço público que não está a ser cumprido. Era importante que as autarquias exigissem respeito pelos munícipes, fariam parte da solução”, disse.

Dina Serrenho disse ainda que enquanto não houver número de trabalhadores suficientes, a luta vai continuar por um “serviço público de qualidade a que a empresa está obrigada a cumprir e prestar e que neste momento não está a fazer”.

Questionada pela Lusa na semana passada, a empresa afirmou ser normal, num processo de mudança de instalações, existirem “ligeiras perturbações” nos circuitos de distribuição nos primeiros dias, estimando que, “no decorrer das próximas semanas, toda a organização esteja a funcionar no pleno das suas capacidades e que toda a situação possa ficar regularizada rapidamente”.

“Os CTT lamentam eventuais constrangimentos causados aos clientes, na certeza de que esta decisão vai corresponder a melhor qualidade de serviço às populações”, afirma.

Segundo a empresa, esta mudança, que ocorre na sequência da venda do edifício situado na cidade de Santarém, “permite dotar o CDP de meios e recursos que nas anteriores instalações não eram possíveis, além de optimizar os respectivos circuitos de distribuição”.

Os CTT salientaram não ter, até então, “de forma geral, […] registo de impacto nas pessoas e nas empresas”.

A empresa vendeu por 2,2 milhões de euros o imóvel de que era proprietária, à entrada do centro histórico da cidade, ao ISLA Santarém, instituição de ensino superior privada que, desde 2019, tinha arrendado o primeiro andar do edifício.

Além da mudança do CDP para a zona industrial, a estação dos correios, onde se faz o atendimento ao público, vai passar para um edifício na Avenida António dos Santos, próximo do imóvel que foi vendido.

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