O recente desencadear do conflito Rússia/Ucrânia na Europa revela-nos, todos os dias, novas formas de combate. A Guerra Híbrida está presente na Ucrânia desde, pelo menos, 2008.

Após a II Guerra Mundial temos vindo a assistir a sucessivas guerras de procuração (Guerra da Coreia, Guerra do Vietname, Guerras de Afeganistão, Guerras em África, Guerra na Síria, Guerra da Líbia…), de longa duração, sem vencedores e vencidos. Todos estes conflitos opunham as grandes potências, indirectamente, introduzindo novas estratégias de oposição.

Sun Tzu 500 anos A. C. na sua obra “A Arte da Guerra” afirmou: “A arte da guerra baseia-se no engano. Portanto, quando és capaz de atacar, deves aparentar incapacidade e, quando as tropas se movem, aparentar inatividade”. Referia-se, principalmente, à utilização da percepção e da mente como arma num conflito.

O conflito no território da Ucrânia não é só um combate convencional entre militares é um combate de informação e tem os seus exércitos. Atente-se na divulgação do número de óbitos dos dois beligerantes… trata-se de influenciar a percepção e a mente de todos.

A opinião pública passou a ter um papel primordial no desenrolar dos combates políticos e militares. A Guerra da percepção passou a ter um lugar fundamental na elaboração da estratégia de segurança e defesa de todos os países. Como afirmou Clausewitz em 1832 na sua obra “Da Guerra): “A guerra nada mais é que a continuação da política por outros meios”.

Com os novas tecnologias da informação o papel da política e em particular da opinião pública ou melhor da percepção da opinião pública internacional passou a influenciar, decisivamente, o desenrolar da situação de guerra. Todos os dias assistimos, nos diferentes canais de informação: televisões, rádios, jornais, redes sociais… a notícias, verdadeiras ou falsas, que servem estes objectivos – guerra da percepção e da mente por parte de todos os intervenientes, directos ou indirectos.

A leitura que fazemos dessas informações e consequentemente o nosso posicionamento, está baseada em diferentes realidades: o que nós acreditamos, o que pensamos o que os outros acreditam e o que na realidade acontece. É quase sempre assim, a nossa realidade baseia-se, frequentemente, nas questões emocionais e por vezes, pouco, no conhecimento. As diferentes partes do conflito usam estas novas armas para atingr os seus objectivos, seja para influenciar/manipular a opinião pública internacional seja para Influenciar/manipular a opinião interna.

Existem inúmeras armas que os exércitos da percepção e da mente podem usar como refere Sean McFate em “ A Nova Arte da Guerra” (2019): “ Na actual práctica da guerra, a influência é mais poderosa do que as balas… Armamentizar a influência e controlar a narrativa do conflito ajudar-nos-á a vencer…”, a monitorização do outro, utilização do descrédito e o contra ataque (por exemplo: acentuar os aspectos negativos…) são alguns dos exemplos.

Recorrendo ainda a Sun Tzu, afirmou: “A força é a energia acumulada ou a que se percebe. Isto é muito mutável. Os especialistas são capazes de vencer o inimigo criando uma percepção favorável neles, e assim obter a vitória sem necessidade de exercer sua força”.

Como afirmou Clausewitz em 1832 “A guerra é o reino da incerteza; três quartos dos factores em que a acção é baseada são envoltos numa névoa de maior ou menor incerteza”.

Entretanto, continuamos a assistir à deslocação de milhões de refugiados e à morte de centenas ou milhares de civis inocentes e não é percepção, é a realidade.

Vítor Barreto – Professor de Geografia e de Geopolítica na Universidade da Terceira Idade de Santarém

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