“Há ainda o hábito enraizado de vir à feira de Rio Maior comprar cebola para todo o ano”

A FRIMOR – Feira Nacional da Cebola, tradição com mais de 250 anos, realizou-se entre 5 e 9 de Setembro, em Rio Maior, com a presença de 24 ceboleiros e uma mostra das actividades económicas do concelho. Luís Filipe Santana Dias, que assumiu recentemente a presidência do Município, destacou como novidades da edição deste ano, o regresso da feira franca e a criação do espaço “Rio Maior Wine Bar”. Na entrevista ao Correio do Ribatejo, Santana Dias aborda os projectos que pretende para Rio Maior no futuro, bem como a marca de gestão que pretende deixar no concelho.

Quais foram as grandes novidades da FRIMOR deste ano? O que foi feito para a tornar mais atractiva?
As novidades passaram, essencialmente, pelo regresso da Feira Franca ao espaço da FRIMOR e pela inclusão de um novo espaço de promoção dos nossos vinhos, vários deles premiados a nível nacional e internacional, a que chamámos Rio Maior Wine Bar. Existiu depois todo um esforço de optimização e promoção do artesanato, da doçaria, e do sector agro-alimentar e de serviços do nosso concelho, que é dinamizado em colaboração com a AECRM, bem como um cartaz de espectáculos que pensamos que foi do agrado de toda a população e de quem nos visita.

Qual foi o prato forte do certame, em termos da programação?
O forte da programação do certame foi certamente o cartaz de espectáculos, é aquilo que mais impacto directo tem em quem vê o programa e que atrai certamente muitos visitantes ao certame. Mas nesta feira há o destaque natural para a cebola, com muitos dos agricultores que aqui vendem directamente os seus produtos a escoarem praticamente tudo o que trazem para vender, pois há um hábito enraizado ainda em muita gente de vir à feira de Rio Maior para comprar cebola para todo o ano.

Que importância tem hoje a FRIMOR para o Concelho?
A FRIMOR é um certame que é emblemático para o nosso concelho, é uma das feiras mais antigas da região, com mais de 250 anos de história, e que já conheceu realidades económicas e sociais bastante diferentes daquela que vivemos hoje em dia. Nos dias que correm continua a ser uma marca concelhia, capaz de atrair quem aqui vive a participar nesta festa da cidade, mas é necessário reinventar a FRIMOR e fazer dela uma montra daquilo que de bom produz a industria agroalimentar do concelho, tal como as Tasquinhas são a montra da nossa gastronomia e das nossas associações, atraindo a Rio Maior mais visitantes.

Qual foi o investimento previsto?
O investimento é similar ao de anos anteriores, temos procurado manter o custo da feira inalterado, apesar de encontrarmos novos atractivos e acrescentarmos, ano após ano, algumas novidades ao certame. Isso tem sido conseguido com uma gestão criteriosa daquilo que é o investimento da autarquia na FRIMOR e com algumas parcerias com marcas que continuam a apostar neste evento e no caminho que o mesmo tem vindo a trilhar no sentido de se reafirmar junto do público.

A FRIMOR é estratégica em termos da promoção do desenvolvimento económico e turístico do concelho?
A FRIMOR, enquanto espaço de atracção de visitantes ao concelho de Rio Maior, é sempre um activo onde se pode promover o turismo do nosso concelho e também a qualidade do que aqui é produzido, com particular destaque para o sector agroalimentar. Esse é um dos objectivos desta feira e, este ano, apostámos num novo espaço de promoção turística do nosso concelho, que se realizou numa zona nobre, o átrio central da feira, para darmos a conhecer a quem nos visita outros pontos de interesse do concelho de Rio Maior, com especial destaque para as nossas Salinas.

Acaba de assumir a presidência da autarquia de Rio Maior. Como encara este desafio?
Da mesma forma que encarei todos os desafios que a vida já me colocou, com confiança, determinação e vontade de estabelecer objectivos bem definidos e delinear a melhor forma de os alcançar. Penso que temos uma boa equipa de trabalho, que tem provado ser capaz de responder aos desafios que lhe são colocados, e isso torna o desafio de gerir o concelho de Rio Maior mais confortável de assumir.

Que marca de gestão quer deixar no concelho?
Como todos os autarcas, quero deixar o meu concelho melhor do que aquele que encontrei no início deste mandato. Quem me conhece sabe que gosto de lidar directamente com as pessoas e não de estar escondido num gabinete, porque sinto que, numa autarquia, é essencial esta proximidade com quem nos elege, a quem prestamos contas todos os dias, sendo nossa a missão de resolver os problemas que afectam os munícipes com a maior celeridade possível. É essa marca de proximidade, que já era uma realidade com a Isaura Morais, que quero deixar do meu mandato, conjugada com a prestação de serviços de efectiva qualidade e celeridade aos riomaiorenses.

Qual a sua visão para Rio Maior daqui a 10 anos?
Rio Maior continuará a fazer o seu trajecto de afirmação como concelho referência da região, marcado pelo investimento no vector Desporto e por um elevado aproveitamento dos fundos comunitários existentes para investir no território. Por isso, hoje, temos um conjunto de equipamentos públicos, nas mais diversas áreas, em que alguns concelhos vizinhos apenas agora começam a investir, caso, por exemplo, da qualidade do nosso Parque Escolar. Temos uma localização ímpar, espaços atractivos para investimento, qualidade de vida, e começamos a sentir já a necessidade de importar mão-de-obra, fruto das necessidades das nossas empresas e do desemprego que, no nosso concelho, tem valores apenas residuais.
Se soubermos atrair mais investimento privado, conjugado com investimento público que proporcione efectiva qualidade de vida e modernidade a quem escolher Rio Maior para viver e investir, manteremos essa chancela referência regional, e até nacional, no que ao desporto diz respeito.

Que argumentos deixa para quem quer investir no seu concelho?
Os que afirmei na questão anterior: localização ímpar, com ligações directas às principais vias de comunicação do país e uma zona de excelência para a implantação de empresas que é o nosso Parque de Negócios, como o prova a escolha feita pela GENERIS de implantar aqui uma unidade industrial. Juntamos a isto o apoio que a autarquia e o nosso Centro de Negócios e Inovação prestam a quem quer investir em Rio Maior ou criar o seu próprio negócio e temos certamente todos os argumentos para convencer os empresários mais exigentes que investir em Rio Maior é uma aposta certa e uma aposta ganha.

Quais os projectos que espera concretizar a curto prazo e de que forma o município vai aplicar o novo ciclo de fundos comunitários?
A curto prazo queremos concretizar todos os projectos que temos no âmbito do Portugal2020, nomeadamente um grande investimento de requalificação de toda a zona da cidade junto ao Rio Maior, criando um grande parque urbano e requalificando toda a envolvente do rio naquela zona. Queremos estar preparados, como sempre o fizemos em todos os quadros comunitários, para poder investir em diversos projectos que temos em carteira, caso exista uma reprogramação de fundos que nos permita ir buscar essas verbas a outros municípios que não tiveram, pelas mais diversas razões, para concretizar os investimentos a que se propuseram. E quanto ao novo ciclo de fundos comunitários, após a definição daquilo que serão as suas prioridades pelas entidades competentes, cá estaremos certamente preparados para apresentar projectos que sejam efectivas mais valias para o concelho de Rio Maior e para os nossos munícipes, nomeadamente em áreas em que se torna cada vez mais necessário investir, casos da eficiência energética e da economia circular.

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